Publicado originalmente em 04/06/11, trazido ao topo em 17/05/12 em razão da greve dos professores de diversas universidades

Nas greves de professores, desde os da Educação Infantil até os das pós-graduações, incluindo instituições públicas e privadas, geralmente vemos o mesmo método sendo usado: mestres interrompem seus trabalhos por tempo indeterminado, param o funcionamento da escola e deixam seus alunos em casa. Esse modelo de mobilização docente, apesar de tão tradicional e largamente usado nos momentos críticos, tem falhas e vacilos e por isso merece algumas críticas e sugestões de mudança, a serem debatidas, que faço abaixo.

Eu divido essas falhas em efeitos colaterais éticos e subestimações. Ambas relativas à atitude de deixar totalmente de lado os alunos, potenciais aprendizes de cidadãos, e atingi-los na prática muito mais do que aos próprios alvos das mobilizações – os diretores/proprietários das escolas e faculdades, no caso das instituições privadas, e o governo, no caso das públicas.

A consequência colateral ética eu posso resumir em uma frase nominal: alunos mais prejudicados do que os patrões.

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Mais uma autoridade usa crença religiosa ao falar de problemas sociais e despeja preconceito contra ateus e o ateísmo. Ao Jornal Cruzeiro do Sul, o delegado titular da Diju (Delegacia da Infância e Juventude) de Sorocaba, José Augusto Pupin, falou a seguinte pérola:

“Há uma falta de consciência familiar, há uma ausência dos pais, há uma ausência de Deus nessas famílias. Pois quem tem Deus dentro de si não vai cometer crime, lesão corporal, furto e muito menos o roubo e tráfico de entorpecentes.

Ou seja, famílias “sem Deus”, logo ateias, são famílias de menor consciência familiar do que famílias teístas, e pessoas “que têm Deus dentro de si” não cometem crimes, ao contrário dos ateus, que são totalmente suscetíveis a instintos criminosos.

Novamente o preconceito dá as caras associando o ateísmo ao crime, ainda mais vindo de pessoas dotadas de autoridade. Uma autoridade que deveria zelar pelo combate ao crime acaba indiretamente incitando crimes de preconceito e discriminação contra os ateus.

Em Sorocaba, há a Secretaria da Juventude e a Secretaria da Segurança Comunitária, daí creio eu que as duas secretarias lidam com a Delegacia da Infância e Juventude. Portanto, é válido enviar protestos aos e-mails das duas secretarias: sesco@sorocaba.sp.gov.br (Segurança Comunitária) e sejuv@sorocaba.sp.gov.br (Juventude). Assim como enviar comentários abaixo da notícia na página do Jornal Cruzeiro do Sul (requer cadastro).


O vídeo abaixo fala por si só.

Seja parte da progressiva História humana. Torne-se vegan@.

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O Santa Cruz está de parabéns por ter conquistado o bicampeonato pernambucano – e digo isso mesmo sendo torcedor (fraco) do Sport. Merecem comemorar, até pela redenção do passado recente repleto de derrotas.

Da parte rubro-negra, resta lamentar ou se conformar, e esperar que a Série A não reserve fortes decepções ao time. Mas alguns torcedores estão ultrapassando o limite do futebol e partindo já para o preconceito, talvez para canalizar a decepção de hoje. Isso pela imagem abaixo:

Parece não ter nada de ódio ou desprezo a homossexuais e bissexuais, mas trata homo e bissexualidade como motivos de gozação – não muito diferente de negros serem caçoados por causa de sua raça ou idosos serem escarnecidos em função da idade. Sem falar que reduz tudo aquilo que envolve o amor entre duas pessoas – afeto, carinho, respeito, convivência, prazer (inclusive sexual), cumplicidade, união etc. – à mera questão sexual pejorada em promiscuidade – em outras palavras, novamente é realçado o estereótipo do homo ou bissexual promíscuo.

Esse tipo de preconceito precisa parar. Além de ofender minorias e tratar a diferença como motivo de piada, mancha ainda mais o futebol, hoje já marcado por violência entre torcedores e corrupção nos bastidores (vide as tantas denúncias contra o ex da CBF Ricardo Teixeira).


Porca, uma mãe escrava. Fonte: site da Secretaria da Educação do Paraná

Hoje é um dia excepcional: ao mesmo tempo Dia das Mães e Dia da Abolição da Escravidão Humana no Brasil. Com isso, é impossível os defensores dos Direitos Animais se esquecerem daquelas mães que ainda hoje vivem sob regime de escravidão. Falo aqui das mães exploradas na indústria do leite, dos ovos e também da carne; na “indústria” de cobaias a serem torturadas em laboratórios; na “produção” de filhotes a serem vendidos em pet-shops; e por aí vai.

São mães que não poderão desfrutar do dia de hoje – não por não compreenderem que a data de hoje é Dia das Mães e aniversário da abolição da escravidão humana no Brasil, mas sim porque sua situação de vida não é nenhum motivo de comemoração. O dia de hoje lhes será mais um dia de desespero, estresse, angústia e mais absoluta servidão.

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Mais uma imagem neoateísta espalha o preconceito contra todas as religiões ao imputarem à generalidade delas características criticáveis de algumas denominações de religiões monoteístas.

Aqui não tem muito o que comentar. Por causa de regras machistas presentes em grande parte das vertentes cristãs, judaicas e islâmicas, todas as religiões foram tachadas de machistas e misóginas, incluídas nelas as religiões dhármicas orientais, as pagãs e neopagãs, as crenças espirituais indígenas, as religiões sincréticas…

Esquece-se que há diversas religiões não abraâmicas e denominações abraâmicas que não só preveem igualdade entre mulheres e homens, mas também exaltam a figura feminina, como diversas religiões pagãs – culto de Ísis e wicca são bons exemplos – e denominações monoteístas que veneram a Shekinah e a Sophia, arquétipos femininos de certas características de Deus.

Quanto ao ateísmo, não é garantia de respeito à mulher e prezo pela igualdade de gênero. Mesmo menos numerosos proporcionalmente, em comparação aos/às machistas religios@s, existem sim muitos ateus e também ateias machistas. A “religião” sai, mas podem ficar crenças e costumes perniciosos, como chamar um homem de mulher ou de qualquer adjetivo feminino com o fim de depreciá-lo, crer que comer carne é signo de virilidade e vegetarianismo é “coisa de mulézinha”, acreditar que mulheres não podem exercer funções como engenheira e CEO etc. E a isso o ateísmo é totalmente indiferente – o que não é indiferente a isso, na verdade, é o humanismo secular.

No mais, essa é mais uma imagem que bota num saco amaldiçoado todas as religiões existentes por causa dos defeitos de algumas. E acaba transmitindo ao mundo a impressão de que os ateus em geral adoram descer a lenha nas religiões mesmo que para isso usem mentiras e generalizações apressadas.


Li e traduzi o artigo “Dê graças pela carne” (originalmente Give thanks for meat), vencedor do concurso da coluna The Ethicist do The New York Times o qual escolheu um artigo que tentasse ser bom em defender o consumo de animais. Eu esperava que enfim encontrasse um argumento forte do lado defensor do consumo de alimentos de origem animal. Mas ainda não foi dessa vez.

O texto se focou demais no aspecto ambiental, com a premissa de que uma criação de animais ecologicamente “adequada” seria mais ética do que uma monocultura mecanizada de soja. O referencial teórico que legitimaria esse ponto de vista ficou curto, raso e simplista demais, restringindo-se à seguinte frase de Aldo Leopold: “Uma coisa é certa quando ela tende a preservar a integridade, estabilidade e beleza da comunidade biótica. É errada quando promove o contrário.”

Na verdade toda a abordagem, mesmo do ponto de vista supostamente ecoético, foi de um simplismo e reducionismo notáveis. Ele fala apenas de criações bovinas bem-estaristas, ignorando que o universo de carnes à disposição no mercado não é apenas carne bovina – também existindo no macabro jogo porcos, caprinos, ovinos, coelhos, frangos, codornas, perus, búfalos, peixes, crustáceos etc. –, e a problemática ambiental da pecuária vai muito além de “apenas” tentar acomodar centenas de milhões (ou mesmo bilhões) de seres bovinos em pastos – algo que já é virtualmente impossível na maioria dos países.

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Abaixo, a tradução do texto pró-carne vencedor do concurso realizado pela coluna The Ethicist do The New York Times.

Refutação do artigo abaixo: Resposta analítica ao artigo Give thanks for meat, vencedor do concurso do The New York Times

 

Dê graças pela carne (título original: Give Thanks for Meat)
por Jay Bost, para o The New York Times, traduzido por mim

Como um vegetariano que voltou a comer carne, eu vejo a questão “É ético comer carne?” ressoando na minha cabeça e no meu coração constantemente. As razões pelas quais eu me tornei vegetariano, depois vegano e depois um comedor de carne consciente foram todas éticas. As razões éticas de NÃO comer carne são óbvias: animais são criados e mortos em condições cruéis; os grãos que poderiam alimentar pessoas famintas são usados para alimentar animais; a demanda por pastos fomenta o desmatamento; e comer carne implica matar um ser senciente. Exceto pela última razão, no entanto, nenhum desses aspectos de comer carne estão implícitos em comer carne, ainda que sejam exatamente o que torna antiético comer alguns tipos de carne.  Assim como comer verduras, tofu ou grãos produzidos em certas circunstâncias e consumi-los produzidos em outros meios é antiético.

O que são esses meios “certos” e “errados” de produzir tanto carne quanto alimentos vegetais? Para mim, eles são evocados mais sucintamente na ética da terra de Aldo Leopold: “Uma coisa é certa quando ela tende a preservar a integridade, estabilidade e beleza da comunidade biótica. É errada quando promove o contrário.” Enquanto estudava Agroecologia na Prescott College em Arizona, eu me convenci de que, se aquilo que você está almejando com uma dieta “ética” é o menos destrutivo impacto sobre a vida como um todo neste planeta, então, em algumas circunstâncias, como quando se vive entre campos gramíneos secos e ralos, comer carne é a coisa mais ética que você pode fazer fora subsistir com caça, feijão tepari e pinhões.

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Essa semana foi muito produtiva para o Consciencia.VLOG.br, com diversos vídeos em resposta a vloggers onívoros ou carnistas. E hoje trago uma resposta que gravei a uma pessoa que demonstrou claro reacionarismo. O vídeo respondido se chama “Vegan – A Mente É Fraca” e nem vale a pena linká-lo aqui, porque eu estaria dando audiência a quem não merece.

Abaixo, as duas partes do vídeo (sim, eu tive paciência para gravar em duas partes uma resposta a um vídeo reacionário):

Parte 1:

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Agora sim o Consciencia.blog.br está funcionando normalmente (exceto o plugin que permite compartilhamento em redes sociais, que vem dando umas broncas). Em instantes, novos posts.

 

O Consciencia.blog.br concluiu ontem de noite sua migração ao novo servidor, do serviço de hospedagem K2Host. Mas ainda é necessário um último ajuste para que ele fique normal como estava: a recriação do subdomínio imagens.consciencia.blog.br, ao qual todas as imagens postadas por aqui são vinculadas.

Preciso obter os meus dados de cliente da K2Host e assim vou poder normalizar a situação. Mas atualmente é possível ler os textos do blog – embora os posts centrados em imagens estejam meio sem sentido por causa da ausência do subdomínio.

Espero que neste sábado eu possa resolver tudo.

 

Assim como no caso da resposta ao tudosussa, o vídeo abaixo, mais um do Consciencia.VLOG.br, não é 100% refutando o vídeo respondido, e sim comentando concordantemente algumas partes e discordando de outras. Abaixo eu respondo ao vlogger do canal @VocePenseNisso, ao vídeo em que ele fala de vegetarianismo, concordando com as razões periféricas (principalmente meio ambiente) de se adotar uma dieta sem animais e repudiando formas inadequadas, usadas tanto por vegetarianos como por carnistas, de se falar com as pessoas sobre vegetarianismo.

Parte 1:

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