Arauto da Consciência

“Fazendinhas” de shopping: o que estão ensinando aos nossos pequenos?

Postado em 29/07/2010 à/s 6:00

Alguns shoppings brasileiros, diante da realidade ultraurbana das crianças das grandes cidades, muitas das quais crescem acreditando que carne, leite e ovos são fabricados do nada no supermercado, tomaram a iniciativa de montar “fazendinhas” em parte de seu interior, no intuito de diverti-las, “ensiná-las” de onde vem os produtos de origem animal da mesa onívora brasileira e pô-las em contato com o mundo rural – ainda que de forma bem limitada.

Nesses pedaços de ruralidade incrustados nas urbes, estão expostos os mais diversos animais das fazendas de verdade: bovinos, porcos, coelhos, galinhas, perus, cavalos (ou pôneis)... Pode-se andar de charrete, montar equinos, participar de pescaria, e até levar animais típicos do campo para casa. Parece muito bom e saudável mostrar à meninada acostumada com a selva de concreto um pouco da vida da fazenda...

Eu disse “parece”. Porque, na ótica da ética animal, não o é nem um pouco. Em vez de apreciação, reservo a essas “fazendinhas” de shopping uma indagação preocupada: o que estão ensinando aos nossos pequenos?

A verdade é que estão lhes naturalizando o que há de pior na relação entre seres humanos e bichos: o regime de escravidão que norteia a pecuária, as fazendas de criação de animais, a mercantilização da vida. Aprende-se, com ou sem “educadores” presentes, que os animais rurais existem para nos servir, seja como comida, seja como meio de transporte, seja como bichinhos de estimação – mesmo sendo criados em pequenas gaiolas.

Essas instalações temporárias são na verdade um complexo de exploração animal, em três sentidos: propriamente exploram os animais, trazidos de fazendas de verdade para os shoppings, obrigados a cavalgar com crianças no lombo ou na charrete e expostos a todo o barulho estressante do local; engaiolam e comercializam diversos deles e, o mais preocupante, promovem a antipedagogia ética, pautada no utilitarismo servil, induzindo as crianças a crerem que cada espécie daqueles bichos de fato “servem”, vivos ou mortos, para determinados fins – e que isso é natural, é normal, é assim que a vida funciona e deve funcionar.

Visitei recentemente uma dessas “fazendinhas”, em um shopping movimentado de uma cidade metropolitana nordestina que não revelo aqui – pode ter sido em Natal, em Salvador, em Fortaleza, em Campina Grande, em qualquer uma grande cidade do Nordeste, ou até no Recife mesmo. Abaixo descrevo minha experiência nesse tipo de lugar. Nota importante: fui justamente para observar tudo e poder descrever aqui a realidade vislumbrada, não foi por outro motivo.

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Recorde de visitas no Arauto da Consciência: obrigado, ateus!

Postado em 29/07/2010 à/s 2:00

O post reportando sobre o abjeto sermão de intolerância de José Luiz Datena contra ateus rendeu ao Arauto da Consciência um recorde que eu só esperava para daqui a um ano: 1.196 visitas ontem (28/07) mais 528 anteontem (27/07), num total de 1.724 visitas em dois dias. Um patamar totalmente inesperado numa realidade em que a rotina era oscilar entre 109 e 275 visitas diárias.

E os pageviews somaram 1.570 ontem e 712 anteontem, totalizando 2.282 páginas visualizadas no total.

O Arauto, embora tenha domínio próprio e seja hospedado independente dos principais sistemas de hospedagem de blogs gratuitos (WordPress.com e Blogger), é um blog pequeno ainda, considerando sua enorme distância do patamar de visitas de blogs como o Acerto de Contas, maior e mais importante blog de Pernambuco, e o Cloaca News, que, segundo o anônimo autor, oscila geralmente entre mil e 2 mil visitas e já teve dias que passou das 4 mil.

O post referido sobre os impropérios de Datena chegou a ser mais acessado que a própria página inicial do blog ontem, com 1.388 pageviews contra 1.219.

A intolerância do apresentador sensacionalista e preconceituoso terminou tornando o Arauto bem mais conhecido entre os ateus e ateias brasileir@s. Mesmo não criticando mais as religiões com a frequência de antes, eu como ateu e cidadão tenho o dever de usar o blog para denunciar a discriminação que acomete as minorias brasileiras -- negr@s, mulheres, ateus e ateias, homossexuais e outras --, como parte da sua missão de desafiar o atual zeitgeist ético-moral brasileiro, repleto de valores violentos e discriminatórios, e preparar a sociedade para um novo paradigma pautado na paz, no respeito aos seres sencientes (humanos ou não) e ao meio ambiente, na igualdade moral entre os seres humanos e entre os humanos e os animais não-humanos, e no exercício ativo da cidadania em todos os âmbitos (político, socioambiental, cultural, ético etc.).

Aproveitando meu discurso, dou boas vindas a tod@s @s nov@s leitoræs que ganhei nas últimas 48 horas, e convido-@s para conhecerem os demais posts deste blog, que se pautam em quatro grandes assuntos, ligados ou não entre si: direitos animais, vegetarianismo/veganismo, meio ambiente e humanidades.

Há dois tipos de ateus, que classifico pela facilidade em questionar e/ou assimilar ideias e paradigmas não-religiosos: os ateus questionadores e progressistas, mais suscetíveis a compreender a lógica ética dos direitos animais, do veg(etari)anismo e do ambientalismo - e subsequentemente aderir à filosofia de respeito aos seres não-humanos -, e os relutantes e conservadores, que, de tão resistentes a assimilar a filosofia e ética não antropocêntrica, praticamente repudiam as ideias de parar de comer pelo menos carne e se opor à experimentação científica em animais - podendo manifestar uma resistência e reação comparáveis às de religios@s que não querem abandonar sua fé mesmo perante fortíssimos argumentos racionalistas e céticos.

Conto com aquelæs que se incluem na primeira categoria, para que possam voltar sempre para visitar o Arauto, debater saudavelmente comigo e com outr@s comentaristas e, quem sabe, ajudar a divulgar este blog e as ideias que por ele defendo.

A saber, eu, o autor do blog, publico artigos de opinião e/ou conscientização também na ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais (seja por notícias, seja pela coluna Zeitgeist Moral), no blog Acerto de Contas e no site-rede vegetariano Vista-se, além de diversos outros sites especializados em publicar artigos, como o Artigos.com.

Obrigado a tod@s os ateus e ateias que vieram ao Arauto da Consciência e continuarão vindo! Visitem outros posts - recomendo os Posts em destaque - e/ou voltem sempre.

P.S: as arrobas e os "æ" pertencem ao chamado Português com Inclusão de Gênero, que procura tornar o português menos androcêntrico. O feminismo também está incluído no tema humanidades do blog.

P.S.2: aguardem para hoje um artigo incitando os ateus brasileiros a aproveitarem o momento para se mostrarem, como categoria possuidora de direitos e dignidade, à sociedade brasileira. Será uma incitação à cidadania, em prol do respeito à minoria ateísta.

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Protestos de ateus contra a intolerância de Datena (Parte 2) (CALA BOCA DATENA)

Postado em 28/07/2010 à/s 19:11

O vídeo abaixo, o segundo da série, é o segundo desabafo não exaltado de ateu a ser publicado no YouTube contra a explosão de intolerância do apresentador José Luiz Datena.

Mantenho o "(CALA BOCA DATENA)" nos títulos dos posts referentes ao episódio para que os ateus e as ateias mantenham sua mobilização no Twitter (que é postar "Cala Boca Datena" e/ou "#CalaBocaDatena" de modo a tentar elevar a repercussão do episódio) pra mostrar para @s teístas que nós merecemos respeito, que somos pessoas de bem que foram severamente ofendidas por um senhor que, arrogando-se a "voz do povo", comporta-se como um arauto do sensacionalismo e promotor do showbiz da violência.

O vídeo que posto agora é de Helleno de Carvalho, dono de um canal no YouTube onde posta diversos discursos irreligiosos.

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Protestos de ateus contra a intolerância de Datena (CALA BOCA DATENA)

Postado em 28/07/2010 à/s 16:12

A partir de hoje, durante talvez algumas semanas, vou trazer aqui posts com protestos de ateus, individuais ou coletivos, contra o abjeto ato de intolerância religiosa de seu José Luiz Datena visto ontem em rede nacional. Tod@s nós, desde já, falamos à nossa maneira: CALA BOCA DATENA!

O primeiro vídeo, este abaixo, é de Åsa Heuser, ateia veterana e conhecida na internet, dona do blog Uma Ateia de Bom Humor.

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Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 49)

Postado em 28/07/2010 à/s 14:57

Estudo desvenda ação do veneno em picada de jararaca

Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros identificou o mecanismo de ação do veneno das cobras da família das jararacas. Além do efeito tóxico que atinge o corpo todo e é combatido pelo soro antiofídico, o veneno das cobras botrópicas tem uma ação específica no local da picada que pode causar inflamação, hemorragia e, em alguns casos, levar à necrose e à amputação da parte atingida.

A proteína envolvida no efeito local, a jararagina, acumula-se junto aos vasos sanguíneos, danificando-os e precipitando a hemorragia, explica Cristiani Baldo, do Laboratório de Imunopatologia do Instituto Butantã, principal autora da pesquisa. A descoberta pode apontar o caminho para novos tratamentos.

A jararagina havia sido isolada em 1991, mas só agora sua ação foi comprovada. "Injetamos a proteína, marcada, em camundongos e vimos que ela se localiza bem perto do vaso sanguíneo e o degrada."

Uma possibilidade de tratamento aberta pelo estudo, publicado no site PLoS Neglected Tropical Diseases, seria o uso de inibidores de metaloproteinase, a classe de proteínas a que a jararagina pertence, em combinação com o soro antiofídico. "Mas é preciso estudar qual o inibidor mais adequado, ver se não teria um efeito ruim na saúde", alerta a pesquisadora.

Em 2008, o Ministério da Saúde registrou 26,9 mil casos de picadas por cobras venenosas, sendo mais de 70% por cobras da família das jararacas. Desses casos, em 10% houve sequelas por causa de complicações locais.

Não bastou envenenar os animais. Eles foram mortos depois de 15 minutos de dor incessante por inalação de gás carbônico, segundo a própria pesquisa.

E para agravar a coisa, a pesquisa não foi uma descoberta de cura, mas o estudo do efeito nocivo de um veneno.

Na Folha.com, que omitiu a tortura e assassinato dos camundongos, 4 dos 6 comentários deram parabéns à pesquisa, tudo indicando que seus autoræs desconheciam a metodologia dela.

A pesquisa se mostra como um avanço científico importante, mas eticamente o que vemos é mais um atentado à vida animal. Será que essa pesquisa seria tão aclamada se os indivíduos envenenados e assassinados fossem, digamos, bebês humanos? Será que nesse caso o fim justificaria os meios?

Em suma, mais um episódio da bicentenária novela da tortura de animais em nome da ciência. E ainda foi feita sob a vigência da Lei Arouca, que supostamente "protege" os animais "de laboratório". O dito desconexo d@s vivisseccionistas não engana ninguém.

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Crítica ao atual paradigma de jornalismo ambiental

Postado em 28/07/2010 à/s 12:00

Do Observatório da Imprensa, um artigo que importa muito para o Arauto, já que trata de como o jornalismo ambiental ainda não atende às necessidades da conscientização - tivemos um exemplo agora sobre Suape, no qual a mídia fez uma cobertura para lá de desprezível - em certo caso, um jornalismo antiambiental - sobre o progresso do ecocídio liderado pelo governo Eduardo Campos.

Falta diálogo com a sociedade
Por Washington Araújo, para o Observatório da Imprensa

Em junho de 1992, o Brasil sediou a Cúpula da Terra, o mais importante evento promovido pelas Nações Unidas para tratar do meio ambiente no planeta. Durante quase um mês, centenas de organismos não-governamentais foram ao Rio de Janeiro e nos dias mesmo da Cúpula tivemos cerca de 180 chefes de Estado presentes.

O Aterro do Flamengo celebrou a força do movimento ecológico. Ainda não se falava do superaquecimento com o fervor com que hoje se fala; buraco na camada de ozônio aterrorizava mais pelo desconhecimento que por suas consequências práticas; derretimento das calotas polares era tema restrito aos círculos de cientistas. Enfim, éramos muito mais idealistas e muito menos práticos. E não existia ainda de maneira consolidada o jornalismo ambiental. Quem cobria catástrofes naturais, cobria meio ambiente; quem cobria a cena internacional, cobria a ação.

O jornalismo ambiental – mesmo que ainda, a meu ver, incipiente no Brasil – precisa mudar por várias razões. Em primeiro lugar, não se pode praticar o jornalismo ambiental sem compromisso, apostando numa pretensa neutralidade, objetividade etc. Em segundo lugar, o jornalismo ambiental não se pode focar apenas no aspecto técnico porque o importante, se quisermos efetivamente trabalhar para a solução dos problemas, é perceber as conexões entre o meio ambiente, a economia, a cultura, a política, a saúde e a sociedade.

Esta perspectiva fragmentada, que vem a reboque da cobertura de grandes catástrofes, não contribui para fortalecer o jornalismo ambiental, apenas o coloca na agenda, sem se comprometer com um debate sério, abrangente, como deve ser. Finalmente, o jornalismo ambiental deve atentar para os grandes interesses que rondam essa área e ter em mente que existe na prática a chamada praga do marketing verde.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Links)

Postado em 28/07/2010 à/s 8:30

Aqui os links das quatro partes do artigo FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais:

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4

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Pode a ciência que se utiliza de animais ser considerada ética? (por Sérgio Greif)

Postado em 27/07/2010 à/s 23:38

O biólogo Sérgio Greif contribuiu para a reação da categoria defensora dos direitos animais à campanha do governo e de organizações científicas de "conscientização" em prol da experimentação animal com esse simples e bem explicativo artigo.

Pode a ciência que se utiliza de animais ser considerada ética?
por Sérgio Greif, biólogo

Em sua tentativa de tornar a experimentação animal algo mais aceitável pelo público os defensores da vivissecção frequentemente recorrem a argumentos de ordem ética. Informam, por meio de sua propaganda, o quanto a ciência dos animais de laboratórios evoluiu nos últimos tempos, a ponto dos laboratórios de hoje em nada lembrarem as câmaras de tortura de outrora, que tanto proporcionaram em termos de material fotográfico para as campanhas anti-vivissecção.

A alegação, em verdade uma agressão à inteligência do público, quer fazer as pessoas crerem que os ratos de laboratório levam, atualmente, vida de reis. Cientistas graduados precisam usar de subterfúgios para convencer o público de que aquilo que eles fazem não é errado. E os argumentos são os mais pobres possíveis “Ratos de laboratório recebem ração balanceada e água limpa à vontade. É muito mais do que ratos em vida livre recebem; Ratos de laboratório vivem vidas confortáveis, em ambientes limpos, forrados com serragem e em condições de temperatura controlada.” Há ainda o argumento emotivo pseudo-racional “Se não forem usados animais serão usados o que? Você preferiria que se utilizassem crianças?”

A verdade é que a experimentação animal não é nem pode ser uma ciência com ética. Primeiramente porque, embora a experimentação animal seja praticada no contexto acadêmico, ela não pode ser defendida em termos científicos. Em segundo lugar, não há nenhuma racionalidade em argumentar que, porque animais experimentais são melhor tratados hoje do que eram 10, 20, 30 anos atrás, hoje eles recebem tratamento ético.

Diferente da ética envolvendo a experimentação com seres humanos, animais vivos jamais se oferecem para participar de experimentos. Animais não podem se candidatar a participar de experimentos, eles não podem ser informados em relação aos riscos envolvidos nem podem desistir de participar da pesquisa a qualquer tempo. Pelo contrário, sua participação é forçada e invariavelmente resulta em prejuízos para o animal, senão durante os procedimentos, ao fim, com sua morte.

Em uma comparação com seres humanos, animais de laboratório são tão vitimas quanto o foram as vitimas dos experimentos nazistas, ou das pesquisas sobre sífilis envolvendo negros americanos, ou qualquer outro experimento que utilizou seres humanos sem considerar seus interesses individuais.

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Estudo revela que experimentação animal é falha e ineficiente

Postado em 27/07/2010 à/s 23:30

Estudo revela a ineficiência dos testes em animais

Existem várias razões para não se testar em um animal: é desumano, cruel, caro, e modelos animais não podem responder pelo organismo humano. Agora, foi descoberta mais uma razão para se acrescentar à lista: as gaiolas em que os ratos são mantidos alteram seu cérebro.

De acordo com reportagem da Animals Change, um dos argumentos para provar que testes em animais não funcionam, além do fato de que humanos têm fisiologia diferente de camundongos ou chimpanzés, é que a condição estressante dos laboratórios pode alterar o resultado de um experimento. O estresse causa uma série de reações físicas que mudam a reação do corpo a drogas ou outros estímulos. Em outras palavras, o ambiente artificial de um laboratório não diz nada sobre como um animal responderia a diversos fatores no mundo real, é ainda mais distante de mostrar algo útil para a sociedade humana.

Cientistas do mundo todo criaram experimentos que envolvem ratos. Acabar com tais experimentos daria um prejuízo grande. Mas um novo estudo da Universidade do Colorado mostra que os efeitos do ambiente de teste não apenas modificam o psicológico do animal – modificam fisicamente o cérebro.

Os cérebros dos roedores são extremamente sensíveis ao ambiente que os cerca. Diferentes fatores alteram seu senso olfativo ou nível de agressividade, por exemplo. Diego Restrepo, que recentemente publicou um artigo sobre o assunto, disse: “isso poderia explicar por que existem tantas falhas em repetir descobertas laboratoriais e por que tantos dados conflitantes são publicados em diferentes laboratórios mesmo quando camundongos geneticamente iguais são usados.”

Portanto qualquer coisa que aconteça em laboratório, por definição, não tem como ser um “processo natural”.

Essa pesquisa pode ser usada para o bem ou para o mal. Num mundo ideal, os cientistas reconheceriam as implicações desse estudo: modelos animais não funcionam.

Essa constatação é um tapa na cara d@s organizadoræs da campanha de "conscientização" em prol do uso de animais em laboratório. É uma das evidências de que é falho o seu argumento de que o modelo animal deve continuar sendo usado por ser funcional.

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Datena destila preconceito violento contra ateus (CALA BOCA DATENA)

Postado em 27/07/2010 à/s 18:53

Até pouco tempo atrás, a Band estava veiculando tudo o que há de mais imundo em se tratando de preconceito e intolerância religiosa.

Seu José Luiz Datena, em mais um de seus pitis sensacionalistas, associou os ateus e a descrença em Deus a tudo o que não presta. Segundo ele, ateus não têm limites morais, os crimes mais brutais que acontecem são ligados à "falta de Deus no coração", entre outros impropérios. Havia até uma enquete telefônica, para a audiência ligar, sobre quem acredita ou não no deus dele.

Entre as ofensas de preconceito extremo, posso listar essas:

- Quem comete um crime bárbaro é porque não tem Deus no coração
- Ateus, sem a coerção da crença religiosa e achando-se o "próprio Deus", não tem limites morais
- Quem votou "NÃO" na enquete sobre crer em Deus devia estar votando de dentro da cadeia
- Quem não crê em Deus é capaz de cometer os piores crimes
- Quem não crê em Deus não devia nem assistir ao programa dele
- Quem tem Deus no coração não comete "barbaridades", ao contrário de quem não tem.
- As pessoas que estavam votando "SIM" na enquete representavam o bem, e quanto mais elas votassem dizendo que acredita em Deus, mais o bem prevaleceria (na contrapartida do mal de quem não crê)

Não assisti inteiramente a esse triste episódio da história da intolerância religiosa no Brasil, e espero poder ver pelo menos grande parte da verborreia de Datena no YouTube em breve.

Aposto com fé (hehehehe) que Datena vai levar processo por intolerância religiosa, e será obrigado a dar lugar temporariamente a um programa de direito de resposta, tal como aconteceu com João Kleber há alguns anos por ofensa a homossexuais.

Mais informações em breve, nos blogs ateístas de todo o Brasil.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 4 e final)

Postado em 26/07/2010 à/s 9:00

Mensagem na porta de um laboratório no CCS/UFPE. Foto tirada por mim em 2009.

Esta parte é o final do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.

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10. Que doenças evoluíram seu tratamento, em razão das pesquisas?
São várias, podemos citar duas: o câncer e a fibrose cística. No caso do câncer, por exemplo, pode ser realizado atualmente a terapia gênica, onde são retiradas células do tumor, inserido um gene que reage contra o câncer e reinjetado as células no paciente. Desse modo, as células geneticamente modificadas irão “ensinar” ao sistema imunológico do paciente a reconhecer as peculiaridades de suas células cancerígenas e destruir o tumor. Atualmente, esse tipo de pesquisa vem alcançado avanços significativos em ratos e camundongos e, certamente, poderão salvar várias vidas, inclusive as dos seres humanos.
No tratamento da fibrose cística, foi desenvolvido um modelo animal que reproduz a doença humana. Essa tecnologia permitiu que novos testes fossem realizados no combate a essa terrível doença genética, que acomete principalmente o pulmão de crianças em todo o mundo. Contra essa doença, está sendo realizada também a “terapia gênica”, onde as pesquisas com animais são extremamente relevantes.
Devemos lembrar também dos coqueteis anti-aids, um conjunto de medicamentos que já salvou e ajuda a prolongar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Nessa resposta, revela-se que a experimentação animal, cujos autores dizem prezar pela “responsabilidade, ética e respeito aos animais”, causou sofrimento crônico em animais que foram submetidos ao mais diversos tipos de câncer e à fibrose cística, descrito pelos próprios autores do FAQ como uma “terrível doença genética”.

Se a fibrose cística é terrível como dizem esses cientistas, imaginemos como seria estar na pele dos animais que foram induzidos a nascer com essa doença e passaram toda a sua vida sofrendo com ela. Essa questão 10 mostra como falta o mínimo de senso de alteridade e empatia interespecíficas nas pessoas que exploram animais em suas experiências e defendem a continuidade desse tipo de método de pesquisa. É uma demonstração de que esses indivíduos são incapazes de se pôr imaginariamente na pele dos animais que exploram.

É isso que os idealizadores da campanha de “conscientização” vivisseccionista querem? Que “terríveis doenças” continuem sendo induzidas em animais não-humanos para que seres humanos sejam salvos – e não possam optar por viver sem depender de remédios resultantes desse tipo de violência?

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Frase da semana (25-31/07)

Postado em 25/07/2010 à/s 23:09

"pq *** nao bate com a carro.. cai de moto..e quebra uma perna..
rompe algum ligamento.. o cruzado anterior ou o posterior.. ou os dois logo.
PQPPPPPPPPPPPPPPPPPPP e muito ruim!!!"
Torcedor de um time de futebol (time cujo nome não vou revelar), descarregando sua raiva no Orkut, furioso com um jogador (também cujo nome não revelo) atualmente muito execrado entre a torcida de seu time por estar jogando muito mal

É impressionante como um mero jogo de bola, como o futebol, consegue despertar tanta raiva, a tal ponto que um indivíduo torcedor passa a desejar todo o mal do mundo para um esportista em má fase.

De sua realidade original, como um divertido esporte onde atletas jogavam em clima de confraternização, com a torcida bem-vestida levando seus filhos e filhas, em jogos nos quais mesmo a maior goleada terminava em paz entre as torcidas e o sentimento nas mesmas de que "Que bom que meu time ganhou (ou que pena que o meu time perdeu), mas tudo bem, é só um jogo"...

...a uma transtornada realidade onde cada jogo desperta emoções enlouquecidas para o bem ou para o mal, onde o jogador que joga mal invoca na torcida as mais violentas imagens mentais, onde perder diversas vezes seguidas é considerado um crime hediondo e ser rebaixado de divisão (no campeonato estadual ou nacional) é uma tragédia quase comparável à morte.

Fala-se hoje de "jogo de vida ou morte", "jogadores guerreiros", "Batalha dos Aflitos" (a partida em que o Náutico perdeu para o Grêmio em 2005 e por isso permaneceu mais um ano na Série B), "guerra"... Tudo isso para um jogo de bola besta, mas com simbologias culturais extremamente infla(ma)das. E ainda tem gente que leva os jargões bélicos usados no futebol ao pé da letra, o que origina a violência entre torcidas, seja dentro, seja fora dos estádios.

O futebol deixou de ser um esporte de entretenimento e passou a ser um exaltador cultural de emoções explosivas. E isso infelizmente é parte integrante da sociedade brasileira (e de diversos outros países, até de europeus, onde há ou havia torcidas violentas como os hooligans ingleses e os racistas de alguns países de lá) de hoje.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 3)

Postado em 25/07/2010 à/s 9:00

Gaiolas de camundongos transgênicos, segundo o site de origem (natalneuro.org.br)

Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.

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7. De onde vêm os animais utilizados em experimentos?
Todos são produzidos
[sic] e criados em biotérios (ambiente de criação de animais destinados exclusivamente para pesquisa). Os pesquisadores podem comprar [sic] os animais, desde que tenham projetos aceitos por Comissões de Ética, criados nesses biotérios licenciados ou criá-los em biotérios próprios.

Se considerar que os interessados pela vivissecção estão praticamente em pé de guerra contra a defesa dos direitos animais, na “batalha” de argumentos eles perdem feio. Nesta questão eles deixam claro que tratam os animais como coisas, como objetos industrializados que podem ser produzidos numa fábrica (biotério), tal como um microscópio ou um computador, e vendidos como mercadorias para o primeiro cientista disposto a explorá-los de forma violenta numa experiência.

Trata-se, nessa atitude, de alhear os animais não-humanos de sua dignidade como seres sencientes,  dotados do interesse de viver bem e livres, nascidos como fins em si mesmos – em vez de como meios para fins de outrem. E transformá-los em objetos passíveis de ser fabricados, comercializados e usados, tal como qualquer produto industrializado cuja existência é condicionada a interesses humanos.

Isso ser feito com pessoas – transformar em produtos industrializados comerciáveis e usáveis por exploração violenta – seria considerado a pior e mais diabólica das agressões aos direitos humanos, mas, como quem é coisificado e explorado são “apenas animais”, isso é livre, é permitido pela lei, é incentivado pelos governos, tal como a campanha de “conscientização” deixa escancarado.

Está visível a violência moral promovida, mesmo sem perceber, por quem deseja a perpetuação da experimentação animal.

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Planeta Bizarro do G1 (Globo.com) trata sofrimento animal como curiosidade

Postado em 25/07/2010 à/s 3:06

Por diversas vezes no Consciência Efervescente denunciei ao leitorado o fato de o G1, portal de notícias da Globo.com, não levar a sério eventos que envolvem sofrimento animal, crueldade contra bichos e até morte de animais. Sua seção Planeta Bizarro, a despeito de todas as minhas denúncias e reclamações, continua sendo o lugar reservado para transformar o bizarro-mau em bizarro-curioso.

Fui inspirado a voltar a protestar via blog contra essa atitude depois que vi que foi publicada ontem essa notícia lá:

Vegan tatuado é acusado de incêndio que destruiu fábrica de lã de ovelha

Não envolveu diretamente sofrimento animal e crueldade agressora, mas praticamente caçoou do veganismo, exibindo-o como nada mais que uma dieta (quando quem sabe o que é veganismo sabe que ele vai muito além da dieta vegetariana-completa) adotada por gente esquisita tatuada e tendente ao terrorismo e ignorando a sua motivação ética.

Como vegano que sou, ainda que não tatuado nem praticante das chamadas ações diretas nem vegano apenas de dieta, denuncio aquele que é mais uma demonstração de como há na mídia brasileira, ainda que esta esteja em evolução ética no que tange a abordar notícias sobre animais, pessoas que teimam em continuar tratando com gozo as adversidades que promovem exploração e/ou causam sofrimento em animais não-humanos.

Abaixo uma lista das 25 mais recentes notícias bizarras-ruins transformadas pelo PB/G1 em bizarras-curiosas, desde 16 de junho passado:

Urso é flagrado com cabeça entalada em frasco de plástico no Canadá

Cadela é confundida com coiote e acaba solta na natureza nos EUA

Polícia encontra burro forçado a voar de parapente

Donos usam cães para pedir esmola nas Filipinas

Coelho ‘dentuço’ passa por cirurgia para corrigir problema

Para atrair turistas, burro salta de paraquedas na Rússia

Mundial de corrida de caracol define novo campeão

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 2)

Postado em 24/07/2010 à/s 9:00

Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.

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4. Quais as alternativas ao uso de animais em pesquisa científica e por que os animais não podem ser inteiramente substituídos por modelos alternativos?
Para os cientistas, ainda não existem hoje métodos que substituam inteiramente o uso de animais nas pesquisas na área biológica. Em algum momento das pesquisas, os testes com animais são necessários. ?Em alguns procedimentos, os pesquisadores podem usar culturas de células e tecidos bem como modelos computacionais. Porém, tais métodos, não substituem totalmente o uso de animais. Há pesquisas na área da fisiologia, comportamento, biomedicina e da nutrição que exigem o organismo vivo para segurança da pesquisa que está sendo realizada.
Os modelos alternativos têm por objetivo reduzir o número de animais utilizados e isso é um grande avanço. São métodos eficientes para serem usados na fase inicial da pesquisa. O teste final, no entanto, tem de ser feito em animais, pois os efeitos de um novo procedimento, medicamento ou vacina podem ser completamente diferentes e até arriscados quando testados em um organismo completo vivo. Mesmo a tecnologia mais sofisticada não pode imitar as interações complexas entre as células, tecidos e órgãos que ocorrem nos seres humanos e animais. Os cientistas precisam entender essas interações antes de introduzir um novo tratamento ou uma substância em animais, sejam eles humanos ou não.
Às vezes, os estudos dos seres vivos mais simples, tais como bactérias, leveduras, vermes e moscas de fruta podem fornecer uma boa visão nos processos biológicos. Estudos com estes seres têm fornecido conhecimentos específicos sobre como alguns genes funcionam, por exemplo. Estas informações podem ser muito úteis, uma vez que muitos genes similares também estão presentes nos seres humanos e em outros mamíferos.
Mas os órgãos de nosso corpo e dos nossos sistemas biológicos interagem de forma sofisticada. Esses processos não podem ser plenamente compreendidos em organismos simples, em moléculas isoladas ou células e, em algum momento deverão ser testados em mamíferos.
É por isso que é importante estudar os processos em animais e isso também incluem os testes em seres humanos.?Devido às muitas e variadas interações entre os órgãos do corpo humano e sistemas, não só doenças, mas também novos medicamentos, vacinas e técnicas cirúrgicas devem ser estudados em animais para garantir sua segurança e eficácia.
Alguns cientistas não consideram, no entanto, a cultura de células de tecido como um método alternativo, mas um possesso de refinamento da pesquisa, evitando que um número desnecessário de animais seja utilizado. Mesmo as pesquisas com células exigem o uso de animais para a produção e extração dessas células.

Bota-se areia em todas as alternativas de pesquisa citadas, ignora-se o fato de que muitas descobertas da medicina – a exemplo da penicilina, da aspirina e de cirurgias diversas – não precisaram de cobaias. Faz-se isso na tentativa de superestimar a dependência da ciência biomédica das pesquisas com cobaias. E em momento nenhum fala-se de qualquer perspectiva de se substituir os animais nas pesquisas no futuro, mesmo daqui a décadas.

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FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 1)

Postado em 23/07/2010 à/s 9:00

A campanha do governo para “conscientizar” a população sobre a alegada importância de se promover a pesquisa com cobaias está aí. Não há apenas os comerciais televisivos, mas também um site (www.eticanapesquisa.org.br) feito exclusivamente para “esclarecer” os fundamentos do uso de animais em pesquisas. Nesse site, há depoimentos, vídeos e um FAQ (frequently asked questions – perguntas frequentes) sobre o tema.

No entanto, o próprio FAQ mostra como são frágeis e incoerentes os argumentos dos vivisseccionistas (cientistas que realizam a vivissecção, a pesquisa com cobaias vivas) perante a verdadeira ética dos direitos animais. É fácil derrubá-los, bastando comentar as respostas dadas às perguntas listadas pelos criadores do site.

Abaixo, e nas próximas partes deste artigo, comento a resposta dada a cada pergunta, desmontando a argumentação usada por quem está interessado em continuar explorando e matando animais em laboratórios.

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1. O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações que beneficiarão o próprio homem [sic]? E como ficam os direitos dos animais?
Deve ficar claro que uso de animais em pesquisas não só beneficia o ser humano, mas também outros animais. Quase todos os grandes avanços na área da saúde durante o século XX utilizaram animais em suas pesquisas.
Sobre o que se convencionou chamar de “direito animal”, entendemos que é obrigação da sociedade assegurar o bem-estar animal através de Leis claras que regulamentem a prática. Sem essa segurança respaldada na Lei, os animais estarão desprotegidos. O Brasil está fazendo sua parte e, desde 2008, tem uma Lei que regulamente a utilização de animais para propósito científico e didático em todo Território Nacional. Aos que infringirem a Lei, punições estão asseguradas.

Em primeiro lugar, a pergunta “O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações...?” não foi respondida. Preferiu-se enrolar o “questionador” recorrendo aos alegados benefícios científicos rendidos pela vivissecção ao ser humano e, através da medicina veterinária, aos animais domésticos. Hoje ainda é preferido, mesmo recorrendo-se à hipocrisia, omitir a multicentenária visão antropocêntrica e utilitarista dada pela comunidade científica à vida animal – de que a humanidade é moralmente a espécie superior e, por isso, pode determinar que certos animais não-humanos nasçam para servir perpetuamente aos interesses humanos e não tenham valor algum fora essa utilidade servil.

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