03

fev10

Desmatamento: o governo de Pernambuco deve satisfação

Agora há pouco, estava acontecendo no blog irmão de consciência Acerto de Contas um chat com a secretária pernambucana de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente Luciana Santos. Como cheguei em casa em torno de meio-dia, deu tempo de fazer apenas uma pergunta. Mas essa pergunta foi, posso dizer, ácida:

Olá, Luciana. O governo de Eduardo Campos vem tendo vários êxitos se comparado aos mandatos de Jarbas. Mas não estou vendo essa quase-maravilha na parte de meio ambiente. Pelo contrário, o que estou vendo é descaso atrás de descaso para com o ambiente em Pernambuco.

Bons(?) exemplos disso são:
– a ameaça de destruição de um bom pedaço de vegetação litorânea em Maracaípe e Porto de Galinhas para construção de resorts;
– a ameaça de destruir parte do mangue do Rio Jaboatão em prol da ponte que vai ligar Barra de Jangada ao Paiva;
– a destruição de uma significativa área de mata atlântica na beira da BR-408;
– a conivência com o desmatamento em Aldeia e em vários outros pontos de Pernambuco;
– a falta (ou subdivulgação) de providências para salvar a Caatinga dos fornos da indústria gesseira;
– a falta (ou subdivulgação) de uma política ambiental direcionada a fomentar a produção de energia limpa, a redução de gases-estufa e a educação ambiental dos pernambucanos;
– a total ausência de compromisso em se criar uma legislação voltada para animais.

O que vossa senhoria tem a dizer sobre esses pontos?

Abs

Ela respondeu à minha pergunta, três minutos antes do encerramento do chat (também pudera, porque, como eu disse, postei depois de meio dia) — e, ao contrário d@s demais perguntantes, ela não se referiu a mim pelo nome:

Quanto à destruição de alguns biomas importantes que caracterizam Pernambuco, de fato você tem razão num dos aspectos que eu considero que é central, que é a matriz energética das principais cadeias produtivas de Pernambuco, que não é somente p´lo gesseiro, mas é també da moda, das padarias. Pra enfrentar isso, o governo tem sim tomado medidas estruturantes, seja do ponto de vista repressivo, seja do ponto de vista de políticas que mudem a matriz energética, como é o esforço para levar gás ao agreste e sertão, como alternativa e o fortalecimeno da CPRH, como por exemplo os mais de 300 novos técnicos que entraram por concurso desde o ano passado. [resposta ao quinto ponto]

Quanto aos gases do efeito estufa, ao contrário do seu comentário, Pernambuco tem sido destaque nacional no debate do Plano de Enfrentamento às Mudanças Climáticas, a ponto do nosso Secretário Executivo Helvio Polito ter sido escolhido pelo Fórum Nacional de Enfrentamento ás Mudanças Climáticas para falar em nome dos estados para o presidente Lula antes do encontro de Copenhage. [resposta 1 de 3 ao sexto ponto]

E nesse momento estão acontecendo consultas públicas para que o governador envie projeto de lei com o objetivo de traduzir nas políticas públicas medidas de enfrentamento ao aquecimeno global. [resposta 2 de 3 ao sexto ponto]

Quanto às energias limpas, Pernambuco tem sido pioneiro por exemplo na energia eólica. Fernando de Noronha foi a primeira experiência da América Latina e agora nós estamos desenvolvendo estudos na área de energia solar. [resposta 3 de 3 ao sexto ponto]

Quanto aos animais, historicamente as políticas de proteção têm sido desenvolvidas eminentemente pelos municípios, o que não impede que o Estado interaja com tais iniciativas. O maior exemplo de educação ambiental e da fauna do Estado o nosso zoológico, que tem o objetivo de ser não só uma área de visitação e de lazer, mas de pesquisa e de educação. [resposta ao sétimo ponto]

Ela não respondeu aos quatro primeiros pontos, relativos ao desmatamento da Mata Atlântica e da vegetação litorânea em vários pontos de Pernambuco.

O governo de Eduardo Campos nos deve muitas satisfações sobre sua política ambiental que vem desprezando a importância de se preservar a Mata Atlântica (aliás, importância também, porque o meio ambiente deveria ser sempre tratado e respeitado como um fim em si mesmo) e negligenciando ou até promovendo o desmatamento da já rarefeita vegetação tropical pernambucana.

Luciana Santos, você está devendo satisfações, e vou fazer o possível para que você responda a essas perguntas pendentes que não são só minhas, mas de tod@s @s pernambucan@s.

imagrs

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