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Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 31)

A Parte 30 da sequência Mais uma perversão de cientistas torturadores está no Consciência Efervescente: http://conscienciaefervescente.blogspot.com/2009/12/mais-uma-perversao-de-cientistas_27.html

Parkinson e coração

As causas da doença de Parkinson ainda não são completamente conhecidas. Sabe-se que essa desordem degenerativa é caracterizada pela disfunção dos neurônios secretores de dopamina (mediador químico importante para a atividade normal do cérebro) e afeta regiões cerebrais responsáveis pelo controle muscular, provocando tremores, rigidez nos músculos e diminuição de mobilidade

Novos estudos têm indicado também a associação da doença com problemas no coração, como se viu no 18th WFN World Congress on Parkinson’s Disease and Related Disorders, realizado em Miami, nos Estados Unidos, em dezembro último.

De acordo com as pesquisas, sintomas cardíacos podem anteceder os sintomas motores causados pela doença de Parkinson, e pode haver uma independência entre os sintomas cardíacos e os motores da doença em pacientes humanos.

Segundo o estereologista Antonio Augusto Coppi, responsável pelo Laboratório de Estereologia Estocástica e Anatomia Química (LSSCA) do Departamento de Cirurgia da Faculdade de MedicinaVeterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo (USP), que apresentou no congresso de Miami um trabalho relacionando os efeitos da doença no coração, os estudos recentes ressaltam novas formas de manifestação clínica da doença de Parkinson.

“Antes, quando se falava em Parkinson, havia uma clara referência ao indivíduo com dificuldade de tirar a carteira do bolso em um supermercado ou que não conseguia atravessar a rua. Ou seja, eram apenas sintomas motores. Hoje, já se sabe que o paciente pode também apresentar sintomas generalizados, como os cardíacos. Mas se esses sintomas antecedem os motores, sucedem ou se eles ocorrem simultaneamente, ainda é uma incógnita”, disse Coppi à Agência FAPESP .

O docente coordena a pesquisa intitulada “Caracterização comportamental, funcional e morfológica das cardioneuromiopatias tóxicas (MPTP) e geneticamente induzidas em camundongos com alta expressão de alfa-sinucleina humana”, apoiada pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, na qual se busca adequar modelos (químico e genético) eficazes para estudar a doença de Parkinson.

A equipe de Coppi induziu a doença de Parkinson nos animais por meio do uso do 1-metil-1-4-fenil-1,2,3,6-tetrahidropirimidina (MPTP), de modo a analisar seus efeitos no miocárdio, na inervação do coração e nos neurônios do sistema nervoso central.

Segundo o pesquisador, a manifestação clínica do Parkinson tem mudado muito. “A pesquisa procura entender de que forma a doença afeta o coração. Investigamos se a droga MPTP causa alteração no coração e, simultaneamente, no encéfalo. O objetivo é ver se o MPTP pode ser um bom modelo para se quantificar os efeitos da doença de Parkinson no coração”, explicou.

Nos resultados preliminares, o grupo de camundongos que recebeu a droga apresentou, à análise morfológica estereológica estocástica tridimensional, uma atrofia do ventrículo esquerdo do coração e “uma tendência ao aumento do número de núcleos de fibras cardíacas (cardiomiócitos) desse mesmo ventrículo, o que é sugestivo de uma proliferação compensatória dessas fibras”, disse Coppi.

Além disso, os animais apresentaram taquicardia (sem aumento da pressão arterial) e diminuição global da inervação cardíaca, incluindo distúrbios da inervação simpática. Os dados foram corroborados pelo decréscimo nas concentrações de neurotransmissores (catecolaminas) no coração –dopamina e noradrenalina.

“Quando o coração apresenta redução no seu suprimento nervoso, tem também menos capacidade de se contrair e atuar como bomba propulsora na distribuição do sangue para o resto do corpo”, explicou.

O caráter inovador do projeto reside no fato de se usar estereologia estocástica tridimensional para quantificar “associadamente” o músculo cardíaco, a inervação cardíaca e os neurônios do sistema nervoso central e ver como isso pode estar conjuntamente afetado pela doença de Parkinson.

“Se a droga causar lesões no cérebro e, simultaneamente, no coração, é um bom indício de que o MPTP possa ser um bom modelo químico para se estudar a forma cardíaca do Parkinson. Embora a droga já fosse utilizada na literatura para induzir a doença de Parkinson em camundongos e em primatas, os estudos sempre enfocaram o cérebro, mas sem abordar o aspecto morfoquantitativo do coração”, destacou Coppi.

O modelo desenvolvido é análogo ao que desenvolve em outra pesquisa relacionando a doença de Huntington (desordem neurodegenerativa hereditária que afeta principalmente o sistema nervoso central) e efeitos no coração, também apoiada pela FAPESP.


Caráter sistêmico

A grande mudança de paradigma nas novas pesquisas, de acordo com Coppi, é que a doença de Parkinson pode se iniciar pelo sistema nervoso periférico. “E, a partir daí, pode afetar os órgãos que são inervados por esse sistema periférico e sem qualquer relação com os neurônios do cérebro”, disse.

“Até então se achava que a doença de Parkinson começava no sistema nervoso central e, depois, poderia evoluir para um quadro periférico, afetando outros órgãos. Agora, novas hipóteses são formuladas de que pode ocorrer algo periférico primeiro, ou seja, algo não cerebral, e depois evoluir para o cérebro”, reforçou.

Sobre os sintomas motores da doença, o professor da FMVZ-USP, destaca que o estudo comportamental está sendo conduzido com resultados muito interessantes. “Os animais induzidos com MPTP apresentam diminuição acentuada da locomoção (mobilidade) quando comparados aos animais sadios”, disse.

A próxima etapa do estudo será comparar o modelo químico (MPTP) com o modelo genético. Animais geneticamente modificados que já possuem o gene para a doença de Parkinson estão sendo importados. “Queremos ver se no animal transgênico ocorrerão alterações similares às observadas no modelo químico. Esperamos encontrar resultados robustos que nos ajudem a entender a evolução do Parkinson em pacientes humanos”, disse.

Coppi enfatiza o caráter interdisciplinar do estudo, que contempla análise morfológica, comportamental, funcional e bioquímica, ao destacar a participação na pesquisa de docentes colaboradores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP: Maria Dagli e Frederico da Costa Pinto; da Universidade Federal de São Paulo: Monica Andersen e Dulce Casarini; e da Escola de Educação Física e Esporte da USP: Patrícia Brum.

Uma crueldade vivisseccionista com indução ao Mal de Parkinson já foi divulgada por aqui (na época do Consciência Efervescente). E a perversidade dessa laia de cientistas continua a mesma. Animais sendo induzidos a tremer, tendo seus movimentos  propositalmente comprometidos e sofrendo distúrbios cardíacos. Esse é o paradigma científico que nos obrigam a aceitar como salvadora de nossas vidas: torturando e matando uns para salvar outros.

Nem mesmo @ vegan@ mais próxim@ do veganismo absoluto tem o luxo de dispensar a dependência dessa crueldade. Qualquer um/a de nós pode sofrer uma doença grave fora do alcance do poder preventivo da alimentação livre de crueldade, e, assim sendo, nos é imposto um trágico dilema quando estamos com nossa vida em risco: ou aceitamos os remédios que custaram o sofrimento intenso e a vida de tantos animais não-humanos ou nós estaremos a caminho da morte.

Destaco também a frase: Animais geneticamente modificados que já possuem o gene para a doença de Parkinson estão sendo importados. Animais são tratados como mercadoria e comercializados com o único fim de sofrer e morrer nas mãos de Mr. Hydes e Dr. Frankensteins prontos para torturar, provocar dor e sofrimento intensos e derramar muito sangue em nome da ciência.

Feliz será o dia em que o ativismo de direitos animais será grande o suficiente para comprometer a continuidade dessa ciência do terror e obrigar a comunidade científica a desenvolver métodos éticos de pesquisa.

ALF, socorro!!!!

imagrs

6 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Wagner Montalvão

fevereiro 8 2010 Responder

Gostaria de manifestar minha opinião de biologo e cientista em defesa da vida e da ciência, com o seguinte ditado “não se faz omelete sem quebrar alguns ovos”, e com isso não defendo cientistas antiéticos que representam apenas os interesses burgueses nos quais a ciencia moderna está inserida, pois há sim muitos abusos, mas não podemos ser reducionistas e “ecoestéricos” ao ponto de achar que a ciência exista sem experimentação animal, pois os grandes avanços da medicina dependem disso.
E se algum dia um ente querido depender de celulas tronco ou de algum tratamento para doenças degenerativas, Lembrem-se o conhecimento de tais mecanismos foi conhecido graças à experimentação animal e tenho certeza seriamos os primeiros a apoiar tal “matança e crueldade” como assim alguns preferem chamar.

    Robson Fernando

    fevereiro 8 2010 Responder

    mas não podemos ser reducionistas e “ecoestéricos” ao ponto de achar que a ciência exista sem experimentação animal, pois os grandes avanços da medicina dependem disso.

    A medicina ainda depende da crueldade porque não avançou o suficiente. Pelo menos em termos de objetos de pesquisa.

    E se algum dia um ente querido depender de celulas tronco ou de algum tratamento para doenças degenerativas, Lembrem-se o conhecimento de tais mecanismos foi conhecido graças à experimentação animal e tenho certeza seriamos os primeiros a apoiar tal “matança e crueldade” como assim alguns preferem chamar.

    Não, jamais vou apoiar a vivissecção, mesmo que eu dependa dela numa questão de vida ou morte. Numa hipotética eventualidade infeliz dessa, terei sim a convicção de que sou, mais do que nunca, refém da ciência cruel. Ninguém pode declarar independência da biomedicina sangrenta que temos hoje.

Samory Pereira Santos

fevereiro 7 2010 Responder

Se você paga imposto no Brasil, você está financiando a matança de animais.
Se você faz compras no supermercado não-vegano, você está financiando a matança de animais.
Se você paga pelo serviço de um profissional creófilo, você está financiando a matança de animais.
A lista continua.

O “verdadeiro veganismo” é inatingível. Mas fazer o menor dano possível, é atingível, e é o “verdadeiro veganismo”. Por isso que não existe meio-vegano, 90% vegano, vegano nas terças… existe vegano e creófilo. Fim.

Mara Costantin, doutora em Ciências

fevereiro 7 2010 Responder

Impossível ser vegano na totalidade em um mundo antropocêntrico. Por exemplo, profissionais da área da saúde não oferecem nenhuma opção vegana. “Doutor, por favor, durante minha cirurgia, não use aquela técnica que aprendeu em cães, eu também quero receber anestesia, analgésico e quimioterápicos que não foram testados em animais humanos e não humanos.”
Qual é a dificuldade dos pesquisadores e docentes do 3 grau em acatar a ética na pesquisa e ensino respectivamente? A Lei Arouca bem que merece o epíteto de hipocrisia da ciência biomédica brasileira. Muito pior do que ganhar título de dr frankenstein é estar na pele de um animal usado em pesquisa, pois ele é forçado a doar sua vida, tão importante para ele e tão desprezada pela maioria dos seres humanos. Afinal de contas, a pesquisa é realizada em animais justamente porque nós, humanos, não queremos passar pelo sofrimento que eles passaram, passam e infelizmente ainda vão passar.

SILVIA

fevereiro 6 2010 Responder

Admiro e me junto aos defensores da vida, aos promotores do bem-estar, aos protetores dos animais contra abusos sem sentido, aos veganos por opção, apesar de não ser uma adepta desta ideologia. Porém, não considero justa e cabível aos que defendem tão nobres causas, atitudes como agressões inconsistentes a nomes que, visto por outros ângulos são lutadores em causas semelhantes.
Arautos da consciência, onde permanece a consciência ao tratarem temas delicados olhando apenas sob uma perspectiva? Atrelada à irresponsabilidade?
Pesquisem mais, informem-se mais antes de fazerem quaisquer ataques. Aliás, não é somente com agressões físicas que se impinge sofrimento a qualquer espécie, indivíduos ditos humanos são grandes mestres em devastações veladas.
Aos que defendem a imparcialidade e anseiam por ela leiam a respeito do citado “cientista pervertido, torturador, Dr. Frankenstein” em http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=8138 , o artigo intitulado “sem sacrifício animal”, entre outras informações relevantes. Aos que mesmo assim permanecem com suas convicções, convoco-os a assumirem a condição de um vegano em sua TOTALIDADE, se assim o conseguirem, ou a repensarem sobre uma palavra: “hipocrisia”.

    Robson Fernando

    fevereiro 6 2010 Responder

    Silvia, em momento algum chamei especificamente aos responsáveis pela vivissecção a que a notícia se refere, mas sim a todos os vivisseccionistas, que de fato promovem ciência pela tortura de animais.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo