Arauto da Consciência

O mal do excesso de leituras obrigatórias na universidade

Postado em 28/02/2010 à/s 14:00

Artigo escrito em agosto de 2009

Cursos de ciências humanas, desde sempre, requerem muita leitura. A maioria dos/as professores/as deixam disponíveis para cópia trechos de livros e artigos contendo o que devemos estudar para aprender e estudar para avaliações. A leitura obrigatória é mais que fundamental nesses cursos, mas muitas vezes somos pegos por avalanches de conteúdo. A carga é tanta que não temos quase nenhum tempo livre para outras realizações, inclusive acadêmicas, e isso é um problema.

É certo que, sem leitura do conteúdo indicado pelo/a docente, é bastante difícil acompanhar as aulas, aprender tudo que elas trazem de pertinente e ter bom desempenho em notas. Professores/as que arriscam não determinar leituras disciplinares têm a qualidade da ministração de sua disciplina deteriorada. Esses cursos são indissociáveis do conteúdo a ser lido. Mas deve-se perceber que o programa de estudo de não poucos/as professores/as beira ou passa do limiar do excessivo.

Tem mestre que passa conteúdo novo a cada aula, podendo ser de um até quatro textos diferentes a serem abordados num só dia, o que toma uma enorme carga horária dos/as estudantes. Estes/as ficam numa situação bastante difícil: ou estudam tudo aquilo ou correm o risco de obter notas baixas nas provas e seminários.

Tendo-se tanto para ler, sacrifica-se o tempo que poderia ser investido em atividades independentes não-universitárias de crescimento intelectual, como a leitura de livros importantes a gosto da pessoa, a dedicação a pesquisas acadêmicas, a participação em grupos de estudo, trabalhos não remunerados como escrever blogs de interesse público, entre outras variadas ocupações.

Para conseguir salvar um tempo significativo para tais afazeres, o/a estudante tem que adotar estratégias às vezes mirabolantes para se manter em dias com tantos estudos, como xerocar os resumos de um/a colega de turma ou procurar no trecho literário os pontos anotados no quadro-branco da sala em vez de lê-lo inteiramente. Pior ainda é para quem tem emprego: praticamente não sobra mais tempo, uma vez que o dia está dividido em trabalhar, ir à universidade, comer, estudar e dormir.

O corpo docente deveria compreender melhor que atividades independentes a visar enriquecimento acadêmico e pré-profissional são muito úteis para a progressão do/a estudante, e que, mesmo sendo indispensável para o aprendizado, a leitura obrigatória deve ser determinada de forma moderada, de modo a não sacrificar uma parte muito grande do tempo livre da pessoa.

Passar conteúdo demais, em vez de ser algo bom, atrapalha bastante. Se o/a professor/a quer que leiamos bastante, que assim seja, mas não exorbitantemente.

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