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Os verdadeiros Strogg somos nós

Imagem muito boa preparada por Fabio Chaves do Vista-se. Valeu, Fabio!

Artigo escrito em novembro de 2008

AVISO: Este artigo pode conter spoilers sobre Quake 2 e 4. Se você não quer saber o que vai enfrentar caso queira jogá-los, leia este artigo só depois que chegar em determinadas partes da ação.

(Strogg: raça de semi-cyborgs alienígenas inimigos dos humanos, nos jogos Quake 2 e Quake 4. Habitam o planeta Stroggos e seus processos de manipulação de prisioneiros terráqueos são de extrema crueldade, incluindo processamento de corpos esquartejados e conversão em cyborgs orgânicos com amputação de pernas e injeção de controles cerebrais. Só conhecendo esses jogos mesmo para ter noção de tudo de que eles são capazes.)

Convido todo aquele que sabe quem são os Strogg (acima um pequeno explicativo) a pensar em como nós nos equiparamos a eles quando o assunto é nossa relação com o restante do Reino Animal. Se ligarmos os pontos corretamente, perceberemos que somos tão cruéis como esses extraterrestres que controlam, mutilam, torturam ou esquartejam seus prisioneiros. Porque, afinal, também controlamos suas vidas, os mutilamos, promovemos tortura e esquartejamos seus corpos depois de tudo. Só não instalamos ainda membros cibernéticos nem bebemos corpos moídos em liquidificador. Por enquanto.

Nosso sistema equivalente ao planeta Stroggos é composto de centros de pesquisa científica mais as fazendas, granjas e matadouros onde condenamos de milhões a bilhões de animais a vidas miseráveis e breves. Abaixo eu faço uma comparação que, em última análise, dá a idéia de que a idealização da raça Strogg e seus feitos diabólicos pode ter sido inspirada no lado brutal e antiético da própria humanidade.

EXPERIÊNCIAS CIENTÍFICAS: Tanto os Strogg quanto os humanos reais promovem experimentações muito cruéis em seus laboratórios, como eletrocução, mutilação, testes de mortalidade, cirurgias sem anestesia e estresse ambiental. A única diferença é que os alienígenas estudam os corpos humanos para fazê-los se tornarem cyborgs orgânicos, e nós apenas procuramos soluções para nossas doenças e distúrbios.
TORTURAS: Tanto a raça ET como a humana promovem dolorosas torturas nos seres estudados, como os já citados choques e operações invasivas sem anestesia.
MUTILAÇÃO: Fazendas e granjas humanas mutilam dos animais os chifres, a cauda (de ovinos e caprinos), parte do bico (de pintinhos), dentes (de porcos) e testículos (de animais de porte médio, como bodes). Mesmo que sejam partes periféricas, ao contrário dos Strogg que mutilam pernas e braços, nunca deixa de ser algo bastante cruento.
INSANIDADE: Animais presos em gaiolas, cochos de criação intensiva e granjas lotadas não raramente apresentam comportamentos estranhos e fora de sanidade, como andar em círculos, autoflagelação, cacoetes e até insanidade mental consolidada, igual aos humanos prisioneiros das instalações Strogg.
GRITOS E APELOS DAS VÍTIMAS: Em Quake 2, algo muito ouvido são gritos de dor ou clamores como “Let me out!” (algo como “me tire daqui!”) ou “It hurts!” (“isso dói!”). Os equivalentes terráqueos são os gritos dos animais a serem mortos, como mugidos dos bois e guinchadas dos porcos. Nenhuma das duas raças algozes manifesta piedade de tais demonstrações de sofrimento.
ESQUARTEJAMENTO: Também em Quake 2 vemos alguns lugares onde membros de humanos esquartejados são levados por tubos e despejados em fossas. Pedaços de corpos orgânicos são transportados para o processamento do fluido “stroyant”, o qual serve como combustível para os cyborgs. Do quase mesmo jeito, os humanos reais se alimentam de animais retalhados. Só não há ainda o consumo humano de corpos liquidificados… ou já há, em forma de patês!
TECNOLOGIA BÉLICA: Parece não se encaixar no tema animal, mas é de se relevar que ambas as raças investem maciçamente em máquinas militares, não importando em nada o sofrimento de quem será atacado. Aliás, seria George W. Bush a versão humana do Makron, o líder Strogg?
DESTRUIÇÃO AMBIENTAL: Tanto os Strogg como os humanos promoveram severa devastação no ambiente onde vivem, causando a extinção de grande parte das espécies animais e vegetais de seus planetas graças à poluição e à destruição de ecossistemas.

Só é possível ter a idéia de toda a frieza e brutalidade da raça Strogg se jogarmos Quake 2 e 4. Mas a da raça humana pode ser vista em quase todos os lugares da Terra. Não somos menos piores que eles quando o assunto é relação com outras espécies animais, tanto que às vezes tem-se a impressão de que essa raça cyborg alienígena foi inspirada em ninguém menos que nós mesmos, de uma espécie dotada de inteligência sofisticada mas que não consegue usá-la para erradicar seu lado bruto e sanguinário.

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