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fev10

População do Recife é ambientalmente alienada, mostra pesquisa do Akatu

Atualização (08/03, 10:16): como visto aqui, a pesquisa não foi feita em conjunto com a Globo. A emissora só fez divulgar o resultado da pesquisa no Fantástico.

Obs.: Essa foi uma reportagem do lado bom e aproveitável do jornalismo da Globo, aquele que mostra fatos confiáveis e não promove manipulação sociopolítica. E só assisti à reportagem porque me chamaram para ver na TV, eu não vejo mais TV por conta própria, salvo pouquíssimos momentos excepcionais.

Umas semanas atrás, antes do Carnaval, eu estava na praia de Boa Viagem e fui surpreendido por um stand onde se divulgava um suposto projeto de edifício residencial que seria construído em cima da areia. A aberração se chamava “Exclusive Beach Boa Viagem”, e teria atrações como piscina natural no mar com tela contra tubarões, seguranças em jet-ski e reserva de uma área da praia para divertimento particular.

Hoje confirmei que o projeto era mesmo uma pegadinha. Tratava-se de uma pesquisa sobre consciência ambiental popular, se a população aprovaria obras semelhantes que representassem agressão óbvia ao meio ambiente e ao patrimônio público.

Infelizmente a maior parte d@s recifenses entrevistad@s aprovou tal bestialidade imobiliária. Veja o trecho que falava de Recife na reportagem do Fantástico de hoje:

Brasileiros aceitam empreendimentos em cartões postais

(…)

No Recife, o prédio também foi projetado para uma praia. Seria erguido nas areias de Boa Viagem, com direito à piscina com água natural e com proteção contra tubarões. “Pra que ter vista da praia, se a gente pode morar na praia?”, diz o ator que se passa por vendedor. E, como no Guarujá, a maioria – 61% – aprovou o empreendimento.

“No nordeste do Brasil, não temos um projeto de alto nível como esse que só encontramos nos Emirados como Dubai ou até mesmo Doha ou Barein. Como eu já estive por lá, eu acho interessante esse projeto“, argumenta o estudante Juscelino Getúlio.

“Eu acho que, realmente é muito arrojo. É muita ousadia”, fala um ‘cliente’. de Borba.

Dezessete por cento das pessoas não se manifestaram e apenas 22% criticaram a ideia. “Eu achei um absurdo completo. É privatização de área pública, do lazer público, do pouco lazer que ainda resta para a população pernambucana. Querem cobrar preços altíssimos para privatizar o mar”, comenta o estagiário de Direito Diogo dos Santos.

“Nunca vi um projeto em cima da areia. Não sei como a prefeitura, os órgãos ambientalistas permitiram uma construção dessa?”, questionou o veterinário Hilton Paranhos.

“Sou totalmente contra, se tiver um protesto, estou dentro”, defendeu a pedagoga Elaine Barconi.

“É isso que nós queremos mostrar: todo consumo tem impacto. Alguns são óbvios, como o caso do impacto de um apartamento em uma praia. Outros não são tão óbvios. Mas não existe nenhum ato de consumo de produto ou de serviço que não tenha impacto sobre a sociedade, sobre o meio ambiente, sobre a economia”, constata o presidente do Instituto Akatu, Helio da Matta.

(…)

Se eu soubesse mesmo do que se tratava, se eu tivesse sido perguntado sobre se eu aprovava ou não a ideia, eu teria feito parte dos 22% de pessoas manifestamente conscientes. Mas reconheço também que eu não tinha conhecimento da legislação ambiental que proíbe esse tipo de construção em áreas absurdas (é, grande parte do meu aprendizado em Gestão Ambiental, curso que reneguei, foi para o ralo).

Mesmo eu não tendo respondido a essa pesquisa, ficou carimbado a absurda alienação ambiental de grande parte da população recifense, que realmente deseja que um monstro daquele ocupe a praia e engula um pedaço de nossa natureza e patrimônio público natural.

Como diz Boris Casoy: isso, é, uma… vergonha.

O vídeo da reportagem completa que foi divulgada hoje está aqui abaixo.

imagrs

3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

priscila

maio 4 2010 Responder

adorei saber dessas coisas q eu nem imaginava bjsssssssssss

    lais

    outubro 9 2012 Responder

    Ofensa contra comentadora apagada. Me pareceu brincadeira de amigas (mas pode não ser), mas esse tipo de brincadeira não é permitido por aqui.
    RFS

Samory Pereira Santos

março 1 2010 Responder

Que eu me lembre, não se pode privatizar a parte da areia da praia. Essa é pública, é da União, é da Marinha. Se eu não me engano.

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