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fev10

Reflexão sobre a campanha #GoVegetarian no Twitter

O último 20 de fevereiro foi um dia em que o Twitter foi palco de uma bonita militância conscientizadora. Nesse dia, como previamente combinado entre internautas vegetarianos, o termo #GoVegetarian foi incluído entre os “trending topics” (lista de palavras mais utilizadas no Twitter) brasileiros daquele site e permaneceu com esse status por 16 horas seguidas. A consciência vegetariana mostrou que pode fazer muito barulho de agora em diante no Brasil – pelo menos na internet brasileira.

Posso dizer que foi a primeira atuação da militância vegetariana brasileira com envergadura nacional bem-sucedida. Parafraseando Lula, “nunca antes na história deste país” as ideias que fundamentam o vegetarianismo foram expostas de forma tão aberta e pública. Pela primeira vez uma grande população, estimada no mínimo em centenas de milhares, foi exposta pelas mais que diversas mensagens de conscientização que a tag #GoVegetarian acompanhava.

Estas foram bastante diversas: frases de efeito, citações de vegetarianos famosos, links para páginas de sites veg(etari)anos e respostas aos contra-argumentos dos onívoros foram os mais frequentes tipos de mensagens que puderam ser distribuídas, vindas de vegetarianos.

Era manifesto o desejo não de fazer a população brasileira do Twitter adotar o vegetarianismo imediatamente tal como um cristão prega para que o interlocutor se converta sem reflexão racional, mas de convidar as pessoas à reflexão sobre os males que a alimentação onívora traz ao mundo – animais, meio ambiente, saúde humana e questões sociais.

Por outro lado, muitos dos próprios onívoros ajudaram, involuntariamente, a propagar o #GoVegetarian e deixá-lo entre os “trending topics” brasileiros. Um verdadeiro tiro no pé, considerando que suas reações negativas à onda vegetariana do Twitter tornaram o assunto ainda mais popular e divulgado.

Observando-se o nível das respostas reacionárias, foi uma oportunidade sem precedentes de se reparar para um detalhe inquietante: a maioria das pessoas não tem argumentos racionais para continuar comendo carne. Dos onívoros que não apoiaram o #GoVegetarian, a grande maioria respondeu com birras do tipo “vou comer aquela picanha sangrando…”, provocações como “plantas são amigas, não comida” e até uma nova tag, a “#GoCarnivore” – que, ao contrário da vegetariana, não alcançou os “trending topics”.

A conclusão de que grande parte dos onívoros não acompanha sua alimentação com o devido pensamento racional é corroborada pela escassez de contra-argumentos sérios que defendessem o consumo de carne. Os poucos que argumentaram contra o vegetarianismo terminavam facilmente refutados.

Vários vegetarianos deixaram-se provocar pelas reações dos onívoros discordantes, mas outros tratavam de aconselhá-los para que não caíssem no jogo de quem queria vê-los incitados à raiva. Foi, além de uma iniciativa massiva de conscientização, um exercício para muitos, que tiveram a chance de melhorar suas habilidades argumentativas e diplomáticas.

Várias lições puderam ser aprendidas do último 20 de fevereiro. As principais foram: a população vegetariana, em crescimento constante, está alcançando uma numerosidade tal que já começa a fazer a diferença no Brasil – pelo menos na internet –; uma vez bem articulada e preparada, a blogosfera mais a população vegetariana do Twitter poderão arquitetar muitas ações nacionais periódicas em prol da consciência vegetariana, e farão toda a diferença nos dias de tais eventos; diplomacia e jogo-de-cintura são tudo em se tratando de levar adiante atos de conscientização sem correr o risco de atrair antipatia ou de cair na armadilha de onívoros que querem ver os vegetarianos comportando-se mal e queimando sua própria causa.

Parabéns a todos os vegetarianos que uniram suas forças e fizeram o #GoVegetarian ser o que foi: uma forte e reverberante voz a plantar sementes de consciência, mostrar às pessoas uma realidade que elas até então pouco ou nada conheciam e incitar a reflexão. A cada evento, teremos mais e mais força para desarmar os velhos mitos e fracos argumentos pró-carne e induzir a população brasileira a pensar profundamente nas consequências, boas ou ruins, do seu prato.

imagrs

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Mariana

fevereiro 25 2010 Responder

Olá Robson,
Gerencio uma pequena empresa que fabrica alimentos vegetarianos (www.mrveggy.com) e gostaria de saber se você possui uma sugestão de quem podemos seguir no twitter para ficar por dentro desses movimentos.
Abs!
Mariana

Marcelo Freitas

fevereiro 23 2010 Responder

Perdi esse dia, só to passando a me integrar ao twitter recentemente, ainda me perco um pouco.

Mas como dito no texto, não existem argumentos éticos que sustentem o consumo de carne, por isso a reação dos carnívores é apelativa e de baixo nível.

Zeus

fevereiro 23 2010 Responder

Cara, excelente o seu post, eu participei do movimento #GoVegetarian no twitter, principalmente no período da noite, e vi de perto os argumentos trolls, sem nenhum fundamento, cheio de uma raiva inexplicável, que os onívoros lançavam e retwitavam como se fossem “O Argumento” contra-vegetariano.

Pelo menos eu achei uma oportunidade em tanto de argumentar, esclarecem e conscientizar as pessoas.

Gostaria de colocar em prova também um artigo a favor do consumo de carne, e saber da opinião de vocês sobre o conteúdo dele.

“É por causa da carne” – http://www.umaoutravisao.com.br/artigos2/culpacarne.html

    Robson Fernando

    fevereiro 23 2010 Responder

    Valeu pela apreciação =) Sobre o texto, ao meu ver basta observar que a Fundação Weston A. Price é cheia de parceiros pecuaristas. Isso já faz a idoneidade de seu trabalho pró-carne ser algo desconsiderável.

    Abs

      Samory Pereira Santos

      fevereiro 24 2010 Responder

      Basta olhar a bibliografia também, tudo estudo antigo. O próprio artigo tem 10 anos, enquanto a posição da ADA, editada ano passado, confirma boa parte das “desmentidas” acusações.

      No mais, o autor do artigo é simplesmente do contra. Até “carne magra” ele é contra!

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