Reflexão sobre sexismo nas propagandas, por Raphael Tsavkko
Mais uma análise crítica de Raphael Tsavkko que admirei muito — a primeira foi sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, que a perversa direita tenta sabotar de todo jeito.
Duas coisas tenho a dizer sobre a análise dele:
a) aplaudo de pé;
b) sobre os comerciais, CONAR na cabeça!
Brastemp e Machismo: O lugar das mulheres é na cozinha.
por Raphael Tsavkko Garcia, do Blog do Tsavkko
Eis a propaganda da discórdia. Mas poderia ser qualquer outra que fale de eletrodomésticos. Esta é a cara da Brastemp, mas também de todas as demais.
Em toda propaganda do tipo vemos o direcionamento à dona-de-casa, à mulher. Algumas, ao menos, já aceitam que a mulher pode ser algo além de dona-de-casa, que tem uma vida e não passa o dia a cuidar dos filhos, é alguém. É pouco.
Tudo se resume à mulher que limpa, passa, lava e cozinha. No máximo, “administra” o lar e comanda sua(s) empregada(s). A cozinha é seu lugar.
Alguém conhece propaganda de eletrodoméstico direcionada ao homem ou que seja neutra? Nunca vi.
É um machismo descarado e aceito pela sociedade. Silenciosamente aceito, compreendido e replicado. E os protestos são raros, poucos, não incomodam.
Talvez ainda pior seja a propaganda gringa com péssima dublagem que consiste num macho inútil e com cara de sono (ou mesmo de imbecil) que ao ir até a privada nota que acabou o refil daquele treco que limpa e tira mau cheiro da mesma (morro e não lembro do nome). Ao se deparar com o fato não se move para trocá-lo, grita pela esposa, submissa, que sai em sua ajuda.
A propaganda é, no mínimo, odiosa e estereotipada. Machista ao extremo e intragável.
Já é hora de pôr um fim neste tipo de atrocidade cometida contra as mulheres, colocando-as como submissas donas do lar ou, em outros casos, como mulheres ativas mas que, no fim do dia, se limitam a serem perfeitas esposas que cuidam da casa enquanto o marido bebe cerveja na sala.
Mas, felizmente, existem os (as) que se mexem. Mariana Parra (@mariana_parra), graduanda em Relações Internacionais e que estuda as questões feministas (e, felizmente vem a ser minha namorada), mandou uma mensagem certeira à Brastemp sobre a situação. Eis a mensagem e a “resposta” da empresa:
De: ————————
Para: faleconosco@brastemp.com.brAssunto: Fale Conosco (crítica*Outros)
Classificação: crítica
Assunto: Outros
Nome: Mariana Parra
Email:—————————
Mensagem: Gostaria de fazer uma reclamação a respeito da propaganda vinculada na televisão
da lava-louça brastemp. A propaganda se mostra extremamente machista e reproduz uma
ideologia a respeito da mulher muito degradante, ao mostrar como a mulher pode economizar seu
tempo tendo a lava-louça, e apenas a mulher. Por que não o homem também nao economiza seu
tempo? Hoje em dia o serviço doméstico não é realizado, felizmente, somente pelas mulheres,
porém grande parte da mídia continua reproduzindo esta imagem, que nos nossos dias agrava-se
mais ainda, já que a mulher conquistou o mercado de trabalho, e se recair todo trabalho doméstico
nela, como infelizmente em alguns casos acontece. Sugiro que a empresa torne-se pioneira nesta
questão e tenha esta fundamental preocupação de responsabilidade social e respeito com a
igualdade de gênero na hora de fazer suas propagandas
E a resposta, que não diz nada mas talvez faça alguém da empresa pensar:
Olá Mariana,
Recebemos seus comentários como críticas construtivas, esse motivo nós os enviamos ao
conhecimento de nossa área responsável, que os levará em consideração em estudos futuros.Em caso de outras dúvidas, estaremos à disposição.
Atenciosamente,
Maria Ferreira,
Central de Relacionamento Brastemp.
Sim, apenas isto. Nada. E, notem, a resposta veio de uma mulher. Como será que ela se sente? Ou apenas repete e reproduz?
Sugiro que mulheres e homens façam o mesmo, demonstrem seu repúdio a estas propagandas machistas e preconceituosas que perpetuam o estereótipo da mulher submissa e cordial.
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Concordo totalmente que muitíssimas propagandas são EXTREMAMENTE machistas e colaboram para reproduzir a visão de que a mulher é apenas um objeto à serviço do homem – seja o serviço doméstico ou “sexual”. A última propaganda que eu vi e me deixou perplexa, foi uma propaganda dos Correios em que uma mulher após ter a sua camiseta autografada pelo Falcão(jogador de futsal), tira a mesma para enviá-la imediatamente por correio à sua irmã. O jogador usa seu casaco para vesti-la, o que causa protestos de meninos que o estavam acompanhando – tudo na maior naturalidade, como se fosse legal, engraçado, corriqueiro, inocente até!
TOTALMENTE ABSURDO!!!!!! Principalmente se levarmos em conta que é uma propaganda de uma Instituição pública!