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fev10

Terra não aguenta o carnivorismo da humanidade

Obs.: o carnivorismo do título significa “consumo de carne”, não a dieta exclusivamente à base de carne de felinos.

Terra é incapaz de acompanhar ritmo atual de consumo de carnes e pescado

No topo absoluto da cadeia alimentar, os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca massiva está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosferao que precisa fazer com que mudemos de hábitos.

Alimentar a humanidade – nove bilhões de indivíduos atpé 2050, segundo as previsões da ONU – exigirá uma adaptação de nosso comportamento, sobretudo nos países mais ricos, que precisarão ajudar os países em desenvolvimento.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), publicado nesta quinta-feira, a produção mundial de carne deverá dobrar para atender à demanda mundial, chegando a 463 milhões de toneladas por ano.

Um chinês que consumia 13,7 kg de carne em 1980, por exemplo, hoje come em média 59,5 kg por ano. Nos países desenvolvidos, o consumo chega a 80 kg per capita.

“O problema é como impedir que isso aconteça. Quando a renda aumenta, o consumo de produtos lácteos e bovinos segue o mesmo caminho: não há exemplo em contrário no mundo“, destacou Hervé Guyomard, diretor científico em Agricultura do Instituto Nacional de Pesquisa Agrônima da França (INRA), responsável pelo relatório Agrimonde sobre “os sistemas agrícolas e alimentares mundiais no horizonte de 2050”.

Atualmente, a agricultura produz 4.600 quilocalorias por dia e por habitante, o suficiente para alimentar seis bilhões de indivíduos.

Deste total, no entanto, 800 se perdem no campo (pragas, insetos, armazenamento), 1.500 são dedicadas à alimentação dos animais – que só restituem em média 500 calorias na mesa – e 800 são desperdiçadas nos países desenvolvidos.

Por outro lado, o gado custa caro ao meio ambiente: 8% do consumo de água, 18% das emissões de gases causadores do efeito estufa (mais que os transportes) e 37% do metano (que colabora para o aquecimento do clima 21x [Corrigido por mim. Não é 21%, mas 21 vezes mais!] mais que o CO2) emitido pelas atividades humanas.

E, mesmo que seja fonte essencial de proteínas [como tod@ vegetarian@ sabe, isso é mentira], a carne bovina não é “rentável” do ponto de vista alimentar: “são necessárias três calorias vegetais para produzir uma caloria de carne de ave, sete para uma caloria de porco e nove para uma caloria bovina“, explicou Guyomard.

Desta maneira, mais de um terço (37%) da produção mundial de cereais serve para alimentar o gado – 56% nos países ricos – segundo o World Ressources Institute.

Seria o caso, então, de reduzir o consumo de carne e substitui-lo pelo peixe? [A resposta está abaixo, desagradável para @s onívor@s.]

Os oceanos não podem ser considerados uma despense inesgotável, estimou Philippe Cury, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD).

O número de pescaodres é duas a três vezes superior à capacidade de reconstituição das espécies.

No atual ritmo, a totalidade das espécies comerciais haverá desaparecido em 2050.

Pouco preciso falar mais para complementar, ainda assim digo: esse é só mais um alerta global indicando que o consumo de carne em grande escala como acontece hoje é completamente insustentável.

Muito mais vai ser necessário para convencer a população de que comer carne faz mal em todos os sentidos. A alienação alimentar onívora é mais resistente que as muralhas de Constantinopla. Assim sendo, a campanha vegetariana de conscientização precisará ser poderosa como os canhões turcos que as derrubaram.

imagrs

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renate marianne perez

dezembro 4 2015 Responder

Está de parabens quem lançou este blog com informações tão coerentes, explicativas e de facil
compreensão até para alguem que nunca tenha ouvido falar no assunto.
Eu sou vegetariana desde os anos 80 e nunca me arrependi, nunca senti falta da carne em mo-
mento algum. Não deixei de comer carnes de qq. espécie animal e seus derivados por motivos
de saúde. 0 meu único motivo foi a compaixão pela via crucis que enfrentam os animais até que entram nos famigerados frigorificos e dentro deles o horror inominavel para o qual não
há termos em nosso vocabulario para uma devida descrição.
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Vão em frente, minha gente e publiquem o que se passa nos matadouros, por favor!

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