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Bancada ruralista maior e mais poderosa? Diga NÃO!

Bancada ruralista pretende dobrar de tamanho com doações de cooperativas

por Mauro Zanatta
do Valor Econômico

Um exército de 2 milhões de produtores ligados a sindicatos rurais, federações de agricultura e cooperativas iniciou um amplo movimento político de mobilização para dobrar o tamanho da influente bancada ruralista no Congresso Nacional.

Autorizadas pela nova lei eleitoral a doar recursos para campanhas, as cooperativas já preparam listas de candidatos que devem ser eleitos em outubro. “Vamos apoiar gente de todos os partidos. Não interessa a cor, mas o credo na doutrina cooperativista”, resume o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas. Aprovada em setembro de 2009, a Lei nº 12.034 permitiu a doação de até 2% do faturamento bruto desse grupos a campanhas eleitorais. “Porque uma empresa podia e uma cooperativa não?”, questiona Freitas.

Em São Paulo, as cooperativas farão, nesta semana, três seminários estaduais para pregar o voto em candidatos do segmento. “Mais do que doação financeira, nossa força estará nos votos”, diz o presidente da Ocesp, Edivaldo Del Grande. “Temos que fazer o lobby saudável e eleger uma bancada com os nove milhões de votos potenciais de que dispomos”. Na Assembleia Legislativa, 14 dos 94 deputados fazem parte da bancada cooperativista. No Congresso, 26 dos 70 deputados federais são ligados ao setor.

Dona de uma base composta por mais de um milhão de produtores, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) incorporou a meta de apoiar e buscar doações a campanhas de parlamentares ligados ao setor. “É lobby, sim. Mas é lobby positivo. Vamos nos organizar financeiramente para que nossos candidatos sejam apoiados”, diz a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), pré-candidata ao governo estadual [Se a Sarah Palin Brasileira for eleita lá, os ecossistemas de Tocantins estarão sob situação tão desesperadora quanto os de Mato Grosso sob Blairo Maggi, o Máquina de Free Willy Brasileiro]. “Como não podemos doar, as empresas do agronegócio serão procuradas para contribuir com os candidatos do setor”.

A CNA mantém um arsenal institucional a serviço dos parlamentares ruralistas. De pesquisas e informações econômicas, passando por assessoria técnica, até mesmo sugestões de redação de projetos de lei. “Política tem que ser essencial para os produtores tanto quanto comer e dormir”, filosofa Kátia Abreu, uma das mais aguerridas lideranças ruralistas do Congresso. “Mas temos que participar não só das eleições de 2010?.

Batizada oficialmente como Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) [O Greenpeace a batizou como Bancada da Motosserra. Eu a batizo como a Bancada do Terror da Terra.], a bancada ruralista tem hoje 266 deputados e senadores filiados. Mas a “tropa de choque” efetiva se resume a 90 congressistas. A Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) reúne 227 congressistas, mas apenas 30 membros têm atuação decisiva nas disputas de bastidores. Ou seja, o movimento politico dos ruralistas poderia aumentar essa “tropa de choque” para até 240 parlamentares. “Se dobrar mesmo, será ótimo [MWAHAHAHAHAHAHAHA!!!!].  Mas os eleitos têm que se comprometer com as demandas do setor”, diz Kátia Abreu.

No Senado, onde a bancada é mais reduzida, os líderes ruralistas esperam o reforço de candidatos de peso, como o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), e dos deputados Abelardo Lupion (DEM-PR), Waldemir Moka (PMDB-MS) e Dagoberto Nogueira (PDT-MS), além da jornalista Ana Amélia Lemos (PP-RS). Na Câmara, o reforço deve vir de presidentes e dirigentes de sindicatos rurais. As novas estrelas podem ser o ex-vice-governador Rogério Salles (PSDB-MT), o megaprodutor rural Eduardo Moura (PPS-MT) e o presidente da federação de Goiás, José Mário Schreiner (PP).

O reforço na mobilização dos ruralistas reflete, em boa medida, as ferozes disputas da bancada contra militantes ambientalistas do Congresso. As brigas pela reforma das leis ambientais converteram um grupo maior de produtores para a luta política. “Essa luta ambiental se espalhou por todo o Brasil”, diz o presidente da FPA, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC). Pré-candidato ao governo do Paraná, o senador Osmar Dias (PDT-PR) atribui as dificuldades em aprovar a reforma do Código Florestal ao tamanho reduzido da bancada ruralista. “Mas o setor despertou [Mumm-Ra acordou de seu caixão! Tremam, árvores e animais da selva!], entendeu que o Congresso interfere na vida diária dos produtores”, diz. “As cooperativas também acordaram que, sem representantes, perdem espaço econômico e político. Por isso, vão nos ajudar”, afirma o senador ruralista.

Eleito deputado federal com 100 mil votos em 2006, na esteira do movimento ruralista de Mato Grosso, o presidente da federação estadual de Agricultura Homero Pereira (PR) prevê o reforço da bancada estadual com a mobilização das bases rurais e as doações de cooperativas. “É importante porque podemos apresentar mais candidatos”, diz. “Precisamos ter, aqui em Mato Grosso, uma participação política no mesmo nível da nossa fatia na economia”, afirma Pereira, também vice-presidente da CNA.

Está nas mãos de nada menos que o povo o destino do meio ambiente e dos animais rurais brasileiros. Se a população optar por manter ou ampliar o poder político dessa gentalha, o meio ambiente vai sofrer. Os rodeios e vaquejadas terão mais força. A pecuária explorará e matará ainda mais animais e destruirá ainda mais os ecossistemas brasileiros.

Se você NÃO quer que:
– a Amazônia, o Cerrado e outros biomas se tornem apenas memória dos livros de geografia e biologia
– os animais silvestres passem a existir apenas em zoológicos
– a pecuária se torne um demônio ainda mais poderoso e sedento de sangue do que já é
– os direitos animais continuem tendo um imenso obstáculo no Brasil
– o agrocriminegócio assuma um controle ainda maior da economia brasileira
– a legislação ambiental seja mutilada e reduzida à impotência
– os rodeios e vaquejadas ganhem poder a ponto de explorar e torturar ainda mais animais (lembre-se que esses pseudoesportes são mancomunados com muitos dos mais poderosos pecuaristas do Brasil)
– os movimentos sociais que lutam pela verdadeira Reforma Agrária sejam ainda mais demonizados, desmoralizados e reprimidos violentamente
– a pequena agricultura seja deixada de lado nas políticas públicas em prol dos latifúndios
– a Reforma Agrária se torne uma utopia distante
– os jagunços e pistoleiros continuem matando mais e mais pessoas de bem que lutam pelos nossos biomas e pelo direito d@s mais humildes à terra
– o trabalho escravo em latifúndios seja acobertado e a luta contra o mesmo seja prejudicada
– a concentração de renda piore ainda mais, com uma porcentagem crescente da renda da população brasileira na mão de grandes agropecuaristas
– entre outras tantas consequências extremamente perversas

NÃO vote em nenhum/a deputad@, governador/a ou senador/a ligad@ à bancada ruralista! Diga NÃO à continuidade (ou mesmo ao aumento) do poder político dessa turma que não se importa em acabar com o verde no Brasil e derramar o sangue dos animais rurais.

Divulgue essa campanha pela consciência contra a Bancada do Terror da Terra!

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7 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Dijalma

outubro 3 2014 Responder

Pela manha você se alimenta , foi um produtor rural, seu filho bebe leite , foi um trabalhador na maioria um pequeno produtor rural , você almoça , você janta , você se veste , você abastece carro com álcool ,
que polui o rio é que mora na cidade, quem não protege as nascentes é na cidade,
nos produtor rural trabalhamos pelo amor ao verde , plantamos sem ter a certeza da colheita,
o mundo precisa comer .

José de Arimatéa dos Santos

março 25 2010 Responder

Essa eleição é uma das mais importantes do Brasil. Primeiro, por que o povo brasileiro, espero que não dê ré e olhe pra frente. Segundo, que na eleição para o Congresso se analise friamente o passado e presente do candidato. Se são candidatos com pensamento progressista e o que vai defender no parlamento. Vamos fazer tudo para reduzir essa bancada da morte.

    Robson Fernando

    março 25 2010 Responder

    É disso que precisamos mesmo, de candidatos progressistas e de consciência popular.

    O perigo, no entanto, é a cambada ruralista utilizar de artifícios demagógicos e alienantes pra persuadir a população do interior do Brasil a votar nela.

      José de Arimatéa dos Santos

      março 27 2010 Responder

      Aqui na amazônia “o bicho pega” por que boa parte da bancada de deputados e senadores fazem parte desse bloco conservador e que joga aos quatro ventos que privilegiam(órgãos ambientais e ongs) o bicho em detrimento ao homem. É engraçado. É como se o ser humano não fizesse parte do conjunto meio ambiente. Sei que isso é pano de fundo pra desmatar e aumentar área de criação de gado e plantação de soja.
      Procurarei mais ainda tentar ajudar as pessoas procurarem candidatos que defendam os trabalhadores e que tenham uma visão ecohumanista.
      Seguirei este blog e o colocarei como link em meu blog(peço permissão).
      Obrigado!
      Abraços!

        Robson Fernando

        março 27 2010 Responder

        Obrigado, Arimatéa, e é claro que eu autorizo =)

        Abs

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