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mar10

E viva o colapso viário urbano (Parte 4)

Carro zero em falta no Recife

Faltando menos de 15 dias do fim do IPI reduzido na indústria automobilística, os veículos de modelos mais populares já estão faltando nas concessionárias do Recife. Em algumas delas, os estoques de carros novos já estão desfalcados em mais de 50%. Para quem não quer perder a oportunidade de comprar com o desconto, a alternativa pode ser se contentar com um modelo menos procurado.

Na Italiana (Fiat), já estão faltando Siena, Punto e Doblò. O estoque de Uno está reduzido. “Da última semana para cá, a movimentação aumentou mais de 20%”, conta a gerente de veículos novos, Gilvana Elias. “Queria um Linea, mas desisti de procurar. Para aproveitar o desconto do IPI resolvi me contentar com o Idea Adventure, que é mais ou menos na mesma faixa de preço”, revela o aposentado Edson Rodrigues, 57 anos.

Para o senso comum, é ótimo que o comércio de carros novos esteja explodindo. É um alento para a economia, um sinal de que estamos começando a crescer economicamente. Mas, para uma visão ambiental e urbana, já falei outras vezes, isso é um péssimo sinal.

É uma radicalização da cultura de ter um carro. As pessoas correm atrás de carros novos para terem direito àquilo que o transporte público caro, ineficiente, lotado e muito aperreante lhes nega. Fogem dos ônibus, que estão muito longe de dar conta do recado.

É também uma ameaça ao meio ambiente, com a proximidade da exaustão de recursos minerais (incluindo petróleo e minérios), a piora da poluição e o agravamento da concentração de gases-estufa na atmosfera. Fumaça e mais fumaça poluem nossas já combalidas cidades e ameaçam o clima de todo o planeta.

E, finalmente, é o caos nas ruas. As avenidas e ruas do Brasil paralisam-se, o sistema viário se aproxima do colapso. Os engarrafamentos tornam-se constantes.

Enquanto isso, o governo adora ver os carros se multiplicando pelas ruas, pois é um sinal de que sua política econômica está conseguindo fazer o país crescer. Mas, em contrapartida, despreza o sistema de transporte público. Desde as ameaças de cortes de investimentos no fim da CPMF, lá no final de 2007, não tenho mais ouvido falar em qualquer política pública, estadual ou nacional, de transporte coletivo urbano. Anunciam vias e mais vias a serem construídas, mas nada de ferrovias (salvo poucas exceções que não incluem o Recife), subsídios ou compromissos obrigatórios — como disponibilizar ônibus suficientes, diminuir superlotações, diminuir o intervalo entre ônibus.

Como disse Sérgio Santos do blog Sujeito Médio: três vivas para o colapso viário das cidades brasileiras!

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