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mar10

Professor de zootecnia afirma que pecuária não é um ecocâncer de verdade

Pesquisador minimiza relação entre consumo de carne e aquecimento

Comer menos carne não reduzirá o aquecimento global, e aqueles que sustentam essa teoria desviam a atenção da sociedade sobre as verdadeiras causas das mudanças climáticas, afirmou na segunda-feira (22) um especialista americano.

“Está claro que podemos reduzir nossa produção de gases nocivos, mas não consumindo menos carne ou leite”, afirma Frank Mitloehner, especialista em qualidade do ar da Universidade da Califórnia-Davis durante uma conferência da American Chemical Society, na Califórnia.

No estudo, Mitloehner insiste em desmetir certos informes, incluindo um publicado em 2006 pelas Nações Unidas, que supervaloriza o papel dos animais no aquecimento global.

Recentemente, uma campanha europeia com forte apoio do ex-Beatle Paul McCartney, ativista vegetariano, defendia o slogan “Menos carne = menos aquecimento”.

“McCartney e os demais têm boas intenções, mas não possuem bons conhecimentos nas complexas relações entre as atividades humanas, a digestão animal, a produção de alimentos e a química atmosférica”, declarou Mitloehner.

Os países em desenvolvimento “teriam que adotar modos de lidar com o gado mais eficazes, ao estilo ocidental, para produzir mais alimentos com uma menor produção de gases de efeito estufa”, acrescentou o cientista.

“Produzir menos carne e leite levará apenas mais fome aos países pobres”, concluiu.

A FAO afirma que vai fazer um novo estudo. Seria uma amarelada ou uma intenção de, dando critérios mais difíceis de se refutarem, confirmar que a pecuária realmente é um câncer ambiental?

Após críticas de ‘exagero’, FAO vai rever impacto da indústria da carne no clima

Um relatório de 2006 concluiu que a produção de carne é responsável por 18% das emissões de gases nocivos ao ambiente. Pelo relatório, a indústria da carne polui mais do que o setor de transporte.

O relatório vem sendo citado por ativistas e celebridades que fazem campanha por dietas mais baseadas em vegetais, como o ex-beatle Paul McCartney. No ano passado, o músico lançou uma campanha com o lema “Menos carne = menos calor”.

Mas uma nova análise, apresentada em um encontro científico nos Estados Unidos, afirma que a comparação com o transporte é equivocada.

Mais fome

Reduzir a produção e o consumo traria benefícios menores ao meio ambiente do que o que se acreditava, afirma o cientista Frank Mitloehner, da Universidade da Califórnia em Davis (UCD).

“Pecuária mais inteligente, não menos pecuária, é igual a menos calor”, disse ele na conferência da Sociedade Americana de Química, em San Francisco.

“Produzir menos carne e leite só vai significar mais fome em países pobres.”

Algumas figuras centrais no debate sobre mudanças climáticas – como o diretor do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), Rajendra Pachauri – têm citado o índice de 18% produzido pelo relatório como um motivo para as pessoas reduzirem seu consumo de carne.

O relatório de 2006 – intitulado A Grande Sombra do Gado, publicado pela FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura – chegou ao índice de 18% somando todas as emissões de gases nocivos ao ambiente associados à produção de carne, desde a fazenda até a mesa.

Isso inclui a produção de fertilizantes, técnicas para abrir campos, emissões de metano da digestão dos animais e uso de veículos em fazendas.

Transporte

No entanto, o professor Mitloehner afirma que os autores do relatório não calcularam as emissões do setor de transporte da mesma forma, se limitando a usar dados do IPCC que só incluem queima de combustíveis fósseis.

“Essa ‘análise’ tendenciosa é uma clássica comparação de ‘maçãs com laranjas’, que realmente confundiu o assunto”, disse ele.

Um dos autores do relatório da FAO, Pierre Gerber, disse à BBC que aceita a crítica feita por Mitloehner.

“Eu tenho que dizer que, sinceramente, ele tem razão em um ponto – nós analisamos tudo na produção de carne, e não fizemos a mesma coisa com transporte”, disse ele.

“Mas o resto do relatório eu creio que não foi realmente contestado.”

A FAO está preparando agora uma análise mais abrangente de emissões do setor de alimentos, disse Gerber.

O relatório será concluído até o final do ano e deve permitir comparações mais precisa entre diferentes tipos de dietas – tanto com carne como vegetarianas.

Organizações usam métodos diferentes para alocar emissões entre setores da economia.

Em uma tentativa de capturar tudo que é associado com produção de carne, a equipe da FAO inclui contribuições, por exemplo, de transporte e desmatamento.

A metodologia usada pelo IPCC separa emissões de desmatamento em uma categoria diferente, mesmo que algumas árvores tenham sido derrubadas para contribuir para a agricultura. O mesmo acontece com o transporte.

Por isso, para alguns analistas, o índice de 18% de emissões produzidas pela indústria da carne no relatório da FAO é tão elevado.

A maioria das emissões relacionadas à indústria da carne vem da abertura de campos – feita por desmatamento – e das emissões associadas à digestão de animais.

Outros cientistas argumentam que a carne é uma fonte necessária de proteína em algumas sociedades com pouca diversidade de alimentos, e que em regiões do leste africano e do Ártico não há possibilidade de plantas sobreviverem. Nesses lugares, a dieta baseada em carne é a única opção.

Mitloehner afirma que em sociedades desenvolvidas, como nos Estados Unidos – onde as emissões do setor de transporte chegam a 26% do total, comparado com 3% da pecuária – a carne é o alvo errado das campanhas de redução de ambições.

Eu pessoalmente prefiro esperar que este relatório seja publicado na internet. Quero analisá-lo direitinho, saber os critérios desse que é professor de zootecnia (eufemisticamente chamada de “ciências animais”).

O fato de ele ser professor de zootecnia, a ciência do mal, já me desperta sério ceticismo em relação às conclusões dele, mas prefiro analisar seu trabalho antes de tirar minhas conclusões e criticar essa que pode ser uma investida do setor pecuarista de recuperar credibilidade e continuar matando mais e mais animais sem ser incomodado pelo ativismo ambientalista.

Não é porque eu fiquei sem argumentos perante o “glorioso” artigo em questão, mas prefiro vê-lo primeiro antes de lançar conclusões.

Mas uma verdade eu já digo: mesmo que ele diga que a pecuária só emite 0,5% dos gases-estufa, isso não torna a pecuária mais ética, pois lembre-se que ela não existiria se não existisse a exploração animal, se o ser humano não derramasse sangue de seres inocentes.

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