Arauto da Consciência

Sensacionalixo (Parte 2: o tsunami do JC)

Postado em 09/03/2010 à/s 12:34

Pela segunda semana seguida um jornalão pernambucano traz uma quase-barriga (barriga é uma notícia não confirmada ou simplesmente falsa) extremamente sensacionalista assustando as pessoas. Depois da Folha de Pernambuco e as "extraordinárias" alterações na duração dos dias e no eixo da Terra, agora é a vez do Jornal do Commercio mandar um bicho-papão sensacionalista.

Nordeste não está livre de tsunami (link apenas para assinantes do JC)

O ano começou marcado por catástrofes naturais nos quatro cantos do planeta. Agora, como se não bastasse, cientistas fazem prognóstico de ondas gigantes na costa do País.

Enchentes em Angra dos Reis, São Paulo e Ilha da Madeira, terremotos no Haiti, Taiwan e Chile. Não bastasse tanta calamidade no início de 2010, agora pesquisadores anunciam um tsunami no Oceano Atlântico. O alvo brasileiro: Fernando de Noronha e a costa do Nordeste acima da Paraíba.

A formação da onda gigante depende da erupção do Cumbre Vieja, prevista pelo cientista americano Steven Ward, da Universidade da Califórnia. O vulcão, localizado na Ilha La Palma, no arquipélago das Ilhas Canárias, perto da costa africana, entrou em atividade pela última vez em meados do século 18. “E seu ciclo é de 250 anos”, avisa o especialista em riscos geológicos da Universidade Federal da Paraíba Paulo Roberto de Oliveira Rosa. Ou seja, o gigante adormecido está perto de acordar de novo.

Não seria só a lava, mas também as paredes do vulcão, a causa do cataclismo. É que na última erupção cientistas registraram o aparecimento de uma grande fissura na parte oeste da cratera vulcânica, que fica posicionada virada para o Atlântico.

“Caso ocorra uma erupção de maiores proporções, acredita-se que um volume considerável de rochas e material da cratera deslize em direção ao oceano. Nesse caso, haveria um deslocamento da água do mar, vertical e para cima, de igual volume ao do material do deslizamento”, explica o coordenador do curso de Geologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), João Adauto de Souza Neto.

Segundo o pesquisador, numa escala de milhares de anos há a probabilidade de ocorrer novos deslizamentos em direção ao Oceano Atlântico, provocando a formação de ondas.

O pesquisador recomenda às defesas civis se prepararem para o possível tsunami. “Temos que ter um serviço de informações eficiente para a população. O tempo de antecedência com que se conhece um fenômeno é o principal fator. O serviço de informações poderia ser ao estilo do meteorológico. Isso é o que ocorre em outros países do mundo”, justifica.

Para João Adauto, a defesa civil deve informar à população, o mais rapidamente possível, a possibilidade de erupção iminente nas Ilhas Canárias. “Para isso, precisa passar a acompanhar a atividade desse vulcão, a partir do contato com os pesquisadores que o monitoram.”

Quanto mais rápido for conhecida a iminência de uma erupção, diz o geólogo, melhor. Rápido, nesse caso, são dias ou horas. “A população do Nordeste que habita as áreas costeiras de relevo mais baixo deveria se deslocar para áreas mais elevadas das cidades litorâneas ou do interior. O recomendado é que fiquem em altitudes superiores às alturas das ondas do mar.”

Antes de alcançar Fernando de Noronha, a onda gigante atingiria os Estados do Ceará, Piauí, Maranhão e litoral norte do Rio Grande do Norte. “Paraíba está mais susceptível que Pernambuco”, acredita Paulo Rosa. A onda viajará, prevê João Adauto, numa circunferência crescente e em todas as direções, seguindo para a costa leste dos Estados Unidos e Canadá, Caribe, México e América do Sul.

SEM ALARDE

À frente da Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe), o tenente-coronel Ivan Ramos garante que nunca ouviu falar sobre o Cumbre Vieja, tampouco sobre um tsunami. “É preciso ter cautela para não alardear a população”, adverte. Revistas de circulação nacional, no entanto, publicaram a notícia, assim como redes de TV a cabo exibiram recentemente documentários.

Na Flórida, informa Paulo Rosa, já há plano de evacuação para esse tsunami e os prédios estão sendo segurados. Enquanto o Estado americano se encontra a 4.500 quilômetros do epicentro da possível catástrofe, o Nordeste está a 4.200 quilômetros, isto é, mais perto ainda.

Onda levaria seis horas para atingir região (link apenas para assinantes do JC)

Seis horas: esse seria o tempo que o tsunami, uma vez formado na costa oriental da África, levaria para alcançar o Nordeste brasileiro. Antes passaria por Fernando de Noronha, onde ondas de quatro metros, chamadas de swell pelos surfistas, quando não empurram carros estacionados perto do porto e quebram píeres, levam à suspensão dos passeios de barco e do desembarque de navios em cruzeiro, por causa do mau tempo. O tsunami seria mais de 12 vezes superior a um swell.

O administrador do distrito estadual de Fernando de Noronha, Romeu Batista, afirma nunca ter ouvido falar sobre o fenômeno, mas demonstra interesse pelo assunto. “Vou procurar saber. É muito importante esse tipo de informação para quem lida com a administração pública.” A própria ilha principal, uma das 19 que compõem o arquipélago, é o topo de uma elevação da Cordilheira Atlântica, de origem vulcânica.

Na Paraíba, onde mais de 40 pesquisadores da universidade federal estudam as vulnerabilidades do litoral desde 1998, a situação de desconhecimento do fenômeno não é diferente da de Pernambuco. “Produzo conhecimento, concedo entrevistas e faço palestras, mas até agora não há um plano estadual para proteger a população do tsunami”, reclama o geógrafo da UFPB Paulo Roberto de Oliveira Rosa, professor do Departamento de Geociências.

O pesquisador defende a instalação de um marégrafo, equipamento para medir a amplitude da maré, nas capitais do Nordeste. “João Pessoa, que se situa na porção mais ocidental do Brasil e tem sofrido com a erosão costeira, só dispõe de régua, que faz uma medição muito menos precisa.”

Ele destaca a importância de um plano de evacuação para Fernando de Noronha, a apenas 3.700 quilômetros do epicentro do possível tsunami. “O Havaí, que fica a 7.500 quilômetros da costa do Chile, onde teve terremoto semana passada, ficou em estado de alerta e emitiu informes à população. A onda chegou lá com pouco mais de dois metros. Aqui os dirigentes pensam que vamos continuar para sempre deitados em berço esplêndido.”

Paulo Rosa revela que entregou ao Ministério da Ciência e Tecnologia projeto de pesquisa para estudar os possíveis riscos do tsunami na Paraíba. “Os estudos disponíveis são feitos por cientistas americanos e, claro, estão voltados para os riscos nos Estados Unidos.” Ele, no entanto, não teve recursos liberados.

O especialista diz que a defesa civil se coloca distante da academia. “Não é nossa função orientar a população sobre o que fazer. Produzimos conhecimento. Cabe ao poder público utilizá-lo na prática.”

Enquanto o tsunami não chega nem a defesa civil se posiciona sobre a possibilidade do fenômeno, Paulo Rosa se mantém afastado do litoral. “Moro no Jardim Cidade Universitária, que está num terreno 40 metros acima do nível do mar. Mudar para a praia nem pensar.”

O jornal não procurou saber o lado cético sobre esse caso. Tomou o tsunami como fato futuro quase inevitável -- pelo menos é assim como a notícia soa. A ameaça de tsunami de La Palma, se não é um mito, foi exagerada pelo referido jornal. O site http://www.lapalma-tsunami.com/ explica didaticamente por que tal ameaça não procede e, em vez de relatar algo real e certo, alimentou-se de modo a se tornar a menina-dos-olhos da mídia sensacionalista e de diversos setores econômicos interessados em catástrofes naturais.

Abaixo está o trecho inicial da página principal do site que citei acima, traduzido por mim:

Três cientistas dizem que metade de La Palma cairá dentro do mar e causará um tsunami que varrerá grande parte da população do litoral oriental dos EUA.

Eles estão errados.

La Palma não vai deslizar para o mar.

Mesmo se deslizasse, não causaria um tsunami que alcançaria os EUA [e, por tabela, o litoral brasileiro].

Por que eles estão dizendo que isso vai acontecer?

Quase certamente para obter financiamento para seus próprios projetos de pesquisa.

Especialistas científicos ao redor do mundo mostraram que a "pesquisa" de Ward [Olha ele aí, o citado pelo JC]/Day/McGuire está incorreta, carente de provas e selvagemente exagerada no programa Horizon [da BBC] e em entrevistas subsequentes. Não é baseado em fatos científicos.

Nova York [e o Nordeste brasileiro] não tem nada o que temer de La Palma. A ilha é estável. Só um aumento substancial em altura poderia causar-lhe uma instabilidade e, no atual ritmo de crescimento, isso tomaria pelo menos dez mil anos para acontecer.

Essa notícia espolia a diversão para a mídia, alimentadores de desastre e a indústria de reparação de danos, mas felizmente, para as supostamente potenciais vírimas e para o povo das Ilhas Canárias, não há nada a temer sobre La Palma.

O conteúdo do programa de TV Horizon, da BBC, foi desmentido por cientistas da área e mesmo a própria BBC publicou uma retratação parcial sob o título "Ameaça de onda gigante 'superexagerada'".

Leia os fatos sobre a situação aqui:

***

FATO: A Tsunami Society acusa corretamente Ward/Day/McGuire de plantar medo

A Tsunami Society divulgou um relatório para remediar o efeito das divulgações plantadoras de medo.

Sua meta é corrigir informações malconclusivas ou inválidas lançadas ao público sobre esse desastre.

A Tsunami Society explica sobre o programa da Discovery Channel [erro do site, na verdade se referiam à BBC]:

"Gostaríamos de parar a fomentação de medo dessas divulgações infundadas."
Fonte: Tsunami Society

ELES DIZEM: "O bloco cedeu 4 metros em 1949!"

A sugestão de que "o bloco" de rocha (25km de comprimento, 2-3 de profundidade e 15-20 de largura) repentinamente afundou quatro metros em 1949 é uma mentira absurda. Apenas uma olhada nas vilas costeiras de Puerto Naos, Tazacorte, El Remo, Bombilla e Playa Nueva é suficiente para refutar essa ridícula mentira. Essas vilas estão situadas pouco acima do nível do mar e teriam desaparecido sob o mar.

O bloco não afundou, as vilas não afundaram. Algumas das áreas com mais de 10 mil habitantes teriam noticiado isso se tivesse acontecido.

Ward/Day/McGuire sugerem que o bloco inteiro moveu-se 4 metros verticalmente em relação ao resto. Se isso fosse verdade, o bloco teria deixado uma falha vertical de deslocamento muito visível. Essa evidência simplesmente não existe.

O que os verdadeiros cientistas reportaram foi uma fissura na superfície, de 2,5km de comprimento. Uma fissura NÃO é um deslocamento vertical. Os verdadeiros cientistas disseram que não havia evidências para indicar que aquela fissura nada mais era que um fenômeno superficial localizado criado pelos fluxos de lava próximos.

Se "o bloco" tivesse cedido em 4 metros, então deveria haver uma rachadura superficial ao longo dos dois lados. Essas rachaduras NÃO EXISTEM. Não há linha de falha. A sugestão de que o bloco caiu é uma deliberada falsidade. Eles encontraram "uma rachadura na pintura", mas Ward/Day/McGuire clamam que "a parede inteira está para cair"!!!

Ou seja, a reportagem do JC nada mais fez do que assustar a população com um sensacionalismo apocalíptico irresponsável. Transformou uma possibilidade remota, cujas evidências são muito questionáveis, em ameaça iminente para a qual todo mundo deveria se preparar.

É fato, os jornais de todo o Brasil estão decaindo em qualidade e credibilidade. Parecem estar perturbados com algum medo nervoso ou raiva dos blogs e da mídia alternativa, que proveem notícias 100% gratuitas (algo que a versão virtual do JC [não confundir com o JC Online] NÃO faz, uma vez que as notícias do JC acima não têm acesso livre e só tive acesso a elas porque me passaram por e-mail) e democráticas, já que contam com amplíssima contribuição popular e permitem livre e ilimitado feedback d@s leitoræs. Aliás, é mais que relevante que grande parte dessas notícias gratuitas e democráticas os jornalões jamais publicariam, tal como prisão de parentes dos donos dos jornais, iniciativas contrárias aos interesses dos patrocinadores desses jornais, violência dentro de shoppings pertencentes aos donos dos jornalões etc.

Abalados pela queda da credibilidade e da vendagem, estão começando a enveredar para o sensacionalismo apocalíptico, aquele que faz criancinhas chorarem e deixa mesmo gente adulta -- pelo menos aquelas pessoas que não têm disposição ou condição de pesquisar a veracidade de tais notícias -- muito aflita. Sensacionalismo alarmista, por notícias exageradas que anunciam supostos perigos iminentes à vida, atrai leitoræs muito mais fácil do que notícias devidamente analisadas ou tratadas com ceticismo. Aproveitam-se de que um alarme apocalíptico é tratado pelas pessoas como algo que deve ser lido a todo custo, como meio de salvar suas vidas e bens materiais numa hipotética situação de catástrofe.

Sobre os podres que os jornalões e a mídia televisiva vêm cometendo, leia muito e muito mais no site do Observatório da Imprensa. E conheça o outro lado da mídia que por muito tempo ficou escondido de você.

P.S: Para quem duvida do site que referenciei e pede fontes científicas idôneas para o desmascaramento da ameaça de megatsunami tal como o JC alardeou, trago os links:
http://tsunamisociety.org/Symposium2Program.html
http://www.drgeorgepc.com/TsunamiMegaEvaluation.html
http://www.lapalma-tsunami.com/mader_lapalma.pdf

Além de uma notícia relativamente antiga da BBC relevando que a ameaça do tsunami foi exagerada:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/3963563.stm

Também entrei em contato com o prof. João Adauto, citado pelo JC, de quem espero uma resposta sobre como verá o site lapalma-tsunami.com. Já o prof. Paulo Rosa não está disponível nem por e-mail (seu e-mail do LABEMA não funciona) nem por telefone (ninguém atende ao telefone que consta no seu currículo Lattes).

Atualização (15/03/10, 19:13): O professor Joaquim Mota, inclusive em nome do prof. João Adauto, corroborou minhas informações de que a ameaça de tsunami foi exagerada, me dizendo por e-mail:

Sr. Robson
A tsunami representa um perigo real desde que  ofereça condições científicamente verdadeiras as quais, permite que aconteça tal fenômeno.
Mesmo em presença destes fatores, os mesmos podem ou não serem responsáveis pelo evento.
No caso do vulcão La Palma existe várias contradições que retiram o crédito e a seriadade da notícia:. de acordo com  simulações e testes executados pos centros de estudos intenacionais como a Tecnical University of Delft que simulou um modelo usando os dados  fornecidos pelos autores da proposta, obtiveram um stunami bem menor que o proposto . Outro argumento é que a quantidade de rocha proposta não seria suficiente para causar tal efeito. Por favor leia o site  http://www.lapalma-tsunami.com/tsunami.html no item " argumentos contrários." . Esta notícia já tinha sido dada em 2001 sem  que nada tenha sido feito, principalmente pelos Estados Unidos.  O filme que tratada tsunami é uma montagem cinematográfica exagerada e que não retrata a real situação colocando apreenção  nas pessoas.
Não tenho dados alem destes sobre este assunto, porem, de a cordo com os comentários e considerações críticas feitas no ítem "The counter arguments" como verdadeiras, deixa claro que este evento não poderá acontecer da forma proposta.,  Complementando a lista de argumentos contrários eu adicionaria a questão da dispersão de energia da tsunami ao longo do seu trajeto resultando em um evento pouco significativo ,.
Este assunto conforme comentado anteriormente,está parecendo um golpe publicitário para inflacionar preços ( seguros) e/ou montar campanha negativa contra La Palma.
Atenciosamente,
Joaquim

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Comentários (14) Trackbacks (0)
  1. Será que ainda, mesmo com alarde, ninguém percebeu qual a intenção de determinadas notícias?
    O Brasil não é preparado nem p/ conter a básica violência, piorou os grandes fenômenos (com alguma execeção da região sul que, por necessidade, melhorou a “vigilância” nos mares).

  2. Acho que é muito reducionismo “desmascarar” a matéria do JC citando uma única fonte.

    O fato, pelo que andei pesquisando, não é de todo um absurdo.

    Seria muito mais interessante fomentar um debate entre os pesquisadores que acham o tsunami possível e os que não acham.

  3. Aguardemos, então, a resposta dos professores.

    Como eu disse, o debate é bom.

    O que não pode é existir é o sectarismo científico.

    Principalmente neste momento em que o planeta mostra que está passando por uma crise climática e geológica.

  4. Hoje, o Diário de Pernambuco anunciou na capa uma palestra de um geólogo da UFPE para esclarecer a população de Candeias a respeito da “remota” (adjetivo usado pelo jornal) possibilidade do tsunami de La Palma atingir o Nordeste.

    O que é “remoto”, caro amigo, é dificil, mas possível de acontecer.

    E então, o que você acha?

    É mais um “sensacionalixo” da imprensa esse do DP?

    E o geólogo da UFPE é mais um charlatão?

    • O DP, ao contrário do JC, não tratou o tsunami como algo iminente como o JC fez. Não foi sensacionalista e ainda deu espaço a uma argumentação que desarma o alarmismo gritado pelo outro jornal:

      Sobre a possibilidade de um tsunami na orla de Jaboatão dos Guararapes, o professor tranquiliza os moradores. “Existe uma hipótese de que um vulcanismo muito intenso, nas Ilhas Canárias (Espanha), pudesse gerar um deslocamento de massa de água (tsunami) e atingir toda a costa. Mas isso é uma coisa que acontece a cada 20 mil, 30 mil anos. É uma chance muito remota”, explicou. Ele disse ainda que se de fato ocorresse algo assim, não seria de repente. “Se acontecesse, haveria tempo hábil para comunicação e para se tomar providências. Ninguém precisa deixar de dormir por causa disso. Saberíamos com horas de antecedência”, afirmou.

      E o geólogo em questão ameniza o risco, em vez de lhe dar um caráter apocalíptico e iminente como fizeram pelo JC.

  5. No próprio domingo da matéria do JC, o DP descartou a hipótese de haver tsunami no Nordeste. Nem citou a “remota” possibilidade do Cumbre Vieja.

    Depois, quarta-feira, já diz que é possível e descobre o vulcão das Ilhas Canárias.

    Então, o que temos: “sensacionalixo” de um e desinformação de outro.

    O que é pior?

    Para arrematar, insisto que é preciso ouvir os dois lados.

    Não se pode desprezar o trabalho de um cientista baseado em páginas da internet.

    Para a ciência, o que vale são artigos científicos indexados em publicações respeitáveis.

    Por isso, caro Robson Fernando, seja ágil e traga para sua página a opinião dos professores Paulo Roberto de Oliveira Rosa, João Adauto de Souza Neto, citados na matéria do JC, e Gorki Mariano, citado na matéria do DP.

    Queremos gente real, preparada e fundamentada em fatos científicos documentados, e não páginas virtuais sem nenhum valor científico.

    • Com João Adauto já entrei em contato e ele prometeu falar com outro professor. Paulo Roberto está incomunicável — seu e-mail divulgado na internet não funciona e ele não respondeu à minha pergunta no blog pro qual ele colabora. Já Gorki, eu vou procurar saber sobre ele.

      E, como você especificou, os dois jornais erraram, o que concordo.

  6. putis……acho bem dificil ou complicado comenta sobre um assunto tão importante…quanto a um tsunamy..
    qual seria o real sentido de acredita ou desacredita numa descoberta sulrreal..como essa….

    • O que está em jogo nessa notícia são alegações científicas, que refutam a pesquisa em que o jornal se baseou e minimizam a ameaça de tsunami, e o sensacionalismo apocalíptico do jornal, que ignorou existirem tais fontes científicas e alardeou a ameaça como máxima e quase iminente.

  7. Robson,
    São pessoas como você e aqueles que se julgam capacitados a falar sobre determinado assunto, contrariando especialistas e estudiosos que acabam tendo que engolir afirmações diante de acontecimentos reais e provas contundentes. Adimito que a imprensa seja sensacionalista, mas quando se trata de um “possível” acontecimento catastrófico todo alarme e precaução é pouca, pois é pra que as pessoas tenham a real noção das proporções do problema, para que não digam que não foram avisadas. Temos sorte de termos essa informação, mesmo que seja de uma possível tsunami, antes dela passar e vitimar milhares, como ocorrido em 2004. Lembro também de “estudiosos e cientistas” que afirmavam e faziam palestras contrariando os especialistas que tentavam alertar, a décadas, o aquecimento global as mudanças climáticas e todas as calamidades causadas pelo uso inadequado dos recursos naturais, esses “especialistas” hoje não possuem mais nenhuma credibilidade, fruto de afirmações infundadas e contrarias a uma realidade presente que para alguns significa prejuízo econômico e para a grande maioria que sofre com as conseqüências, é essencial para uma mudança no estilo de vida que levam e nas decisões que tomam.

    • Paulo, isso não justifica levar esses assuntos ao nível de sensacionalismo, tal como o JC fez e a Folha também fez (com assunto diferente) em http://consciencia.blog.br/2010/03/sensacionalixo.html .

      Aliás, leia as provas que deixei no final do post. A ameaça do tsunami pode existir, mas não da forma apocalíptica como foi anunciado.

      Antes fazer um jornalismo responsável, bem informado e comedido do que partir pro sensacionalismo tornando certo e iminente algo que sequer se sabe se vai acontecer e causando um pânico desnecessário e infundado.


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