Sensacionalixo
Dando uma de Cloaca News, mostro um caso explícito e bastante ridículo de sensacionalismo apocalíptico.
Com vocês, a Folha de Pernambuco avisando, com letras garrafais, que vamos ter algo como dias de 20 horas, eixo terrestre "doido" e continentes violentamente afastados:
Como dizia o finado Bussunda, fala sério, aê.
Não sendo suficiente, uma notícia bastante confusa, embora mostre os verdadeiros e nada exorbitantes números do terremoto chileno:
Terremoto deixa os dias mais curtos
O terremoto que abalou o Chile, no último sábado, não causou somente destruição e mortes, mas também mudou o eixo da Terra e encurtou os dias [Dá a impressão de que teremos dias de 22 horas e o eixo mudou vários graus de modo a causar uma devassa no planeta]. A informação foi divulgada por cientistas do Laboratório de Propulsão da Agência Espacial Americana (Nasa). O estudo realizado pelo pesquisador Richard Gross e seus colaboradores confirma que o tremor de 8,8 graus na escala Richter alterou a rotação do planeta em cerca de oito centímetros e fez com que o dia passasse a ter 1,6 microssegundos a menos (um microssegundo equivale a um segundo dividido por mil) [Aqui já se esclarece que as alterações não foram nenhum pandemônio como a capa do jornal deixou aparente. Ainda assim, tem um erro: um microssegundo é um milionésimo de segundo, não um milésimo!]. O dia é o tempo que a Terra leva para concluir um período de rotação. O dia planetário terrestre possui 86,4 mil segundos, ou 24 horas.
De acordo com chefe do Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Joaquim Ferreira, terremotos de grandes magnitudes como o que aconteceu no sábado podem provocar mudanças na Terra. “A explicação é simples. Quando ocorre um grande terremoto, acontece também uma redistribuição da massa da Terra. No caso específico do Chile, a placa Nazca mergulhou para baixo da placa Sul-americana, então, uma massa foi empurrada para baixo e outra para cima, o que gerou a mudança na duração do dia. Mas é uma mudança muito pequena, que não é percebida”, revelou o especialista, acrescentando que os tremores de grande magnitude podem acelerar a rotação do planeta, quando pressionam a massa mais próxima ao eixo da Terra, ou desacelerar, quando o abalo sísmico redistribui a massa para longe do eixo.
Com relação ao eixo da Terra - sobre o qual a massa do planeta se mantém equilibrada e que é diferente do eixo Norte-Sul, de polo a polo - os cientistas chegaram à conclusão de que ele mudou em 2,7 milissegundos (cerca de oito centímetros) [Mais uma vez, é revelado que a mudança do eixo não foi nenhum pandemônio. Considerando que a Terra possui mais de 40 mil quilômetros de circunferência, oito centímetros são praticamente nada.]. “Não é a primeira vez que terremotos mudam a distribuição da massa da Terra causando a mudança do eixo e da rotação. Um exemplo recente foi o do terremoto que atingiu a ilha Sumatra, na Indonésia, em 2004, e que provocou aqueles tsunamis”, destacou Ferreira.
O abalo da ilha Sumatra de 9,1 graus reduziu os dias em 6,8 microssegundos e o eixo do planeta sofreu uma redução de 2,32 milisegundos - cerca de sete centímetros. Esses valores foram obtidos, segundo o pesquisador da Nasa, Richard Gross, através dos mesmos métodos de avaliação usados no Chile. Gross afirmou que apesar de o terremoto no Chile ter sido menor do que o da Indonésia, provocou mais alteração no eixo terrestre por ter ocorrido mais longe da linha do Equador e porque a falha geológica na qual aconteceu o terremoto chileno foi mais profunda.
MOVIMENTAÇÃO
O movimento que causou o terremoto do Chile revela uma situação curiosa: a América do Sul está se afastando da África e “engolindo” o Oceano Pacífico. [Até parece que esse afastamento foi enorme no terremoto, quando na verdade foi parte ínfima de um processo que durará várias dezenas de milhões de anos.] “A placa tectônica Sul-americana está se movendo na direção contrária do continente africano e passando por cima da placa Nazca, dessa forma, o Pacífico está ficando menor. É como se ele estivesse entrando embaixo da América do Sul”, detalhou Joaquim Ferreira.
Isso é jornalismo de qualidade? Definitivamente não. É sensacionalismo dos mais escrotos. E o pior, um sensacionalismo apocalíptico. Se eu fosse uma criança de sete anos hoje, ficaria terrivelmente assustado com esse ato sem-noção e irresponsável da Folha de Pernambuco.
Posts relacionados:









março 4th, 2010 - 09:22
gostei do site…já nos favoritos.
o Brasil em especial passa por um período triste quando o assunto é ciência e aprofundamento dos problemas seja na mídia ou nas escolas.
triste.
março 4th, 2010 - 15:48
Obrigado pela preferência =)
Abs