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mar10

Trilha da Denúncia 6: convite à reflexão sobre animais comercializados e aprisionados

Depois de dez meses sem denúncias fotográficas, a Trilha da Denúncia está de volta, em sua sexta edição.

Dessa vez são fotos tiradas dentro de um pet-shop em um shopping da cidade (por bom senso, não digo qual shopping é), visitado nessa semana. Ao contrário das outras Trilhas, não é bem uma denúncia pedindo providências de autoridades ou protestos. É um convite à reflexão sobre como nossa sociedade trata animais como mercadorias e prisioneiros.

Vou na política de “uma imagem vale mais que mil palavras”, acrescentando mais algumas palavras à imagem. Em vez de trazer um artigo sobre o assunto, trago fotos para você refletir.

A gaiola de vidro estava vazia, mas continua estampado o emblema da mercantilização dos animais. Chinchila por 198 reais. Tem até uma especificaçãozinha: é chinchila escura, e chinchilas escuras certamente satisfazem o desejo de algumas pessoas.

Desejosas então, as pessoas compram a chinchila escura, por 198 reais. Compram-na como se fosse um brinquedo, muito embora seja uma vida.

Diz-se muito que o valor da vida humana não pode ser estimado em quantia de dinheiro. Uma vida humana não se compra, por ser uma vida inteligente, um ser com sentimentos, desejos e vida, um ser que não pode ser propriedade de ninguém. Por que então se tratam animais assim, como mercadorias, como brinquedos caros, como objetos passíveis de propriedade?

E se fosse “bebê branco por R$500,00”? Você com certeza se revoltaria. Por que não se revolta com a “chinchila escura por R$198,00”?

Esses peixes estão condenados a passar boa parte de suas vidas presos nesses aquários. Para quem os compra, o direito deles à liberdade pode ser reduzido a um aquariozinho bonitinho com muito menos de meio metro quadrado de área. Ou mesmo a esses mesmos aquários minúsculos.

Para quem compra esses peixes, eles, além de mercadoria, são meros objetos de decoração. O diferencial é que são vivos e requerem um cuidado com alimentação e limpeza. Suas vidas não têm um sentido que não seja decorar uma casa e no máximo ser brevemente acariciado pel@ seu/sua comprador/a. É assim que o pet-shop em questão e @ comprador/a veem esses bichinhos.

Pássaros em gaiola. Liberdade zero. Valor, algumas dezenas de reais. Ficarão toda a vida numa gaiola vedada por cadeado, servindo de objeto de decoração e entretendo seus/suas “don@s” com seus bonitos piados.

Fora a diferença entre as capacidades racionais entre esses pássaros e os seres humanos, quais as outras diferenças que não permitem a você comparar esses bichos com, digamos, uma criança violinista aprisionada numa gaiola e obrigada a tocar durante toda a sua vida?

Esses cãezinhos, disse a caixa do pet-shop, são de pelúcia. Considerando que estão em posição igual, em caminhas parecidas e sem nenhum pote de água ou caixinha de areia, acredito sim que são de pelúcia, embora respirem. Mas que são muito realistas, são.

Esse gatinho, por sua vez, tenho quase certeza de que é real. Você que gosta de cães e gatos deve achar isso um absurdo. Um gatinho preso numa gaiola de vidro, exposto como um objeto qualquer numa prateleira. Um provável apelo ao resgate por parte do pet-shop, algo do tipo “esse gatinho só sairá dessa condição miserável de prisioneiro se alguém comprá-lo. Salve-o dessa situação o mais rápido possível comprando-o por x reais!”

Com certeza, concordo com o que você provavelmente está pensando agora, que isso é uma desumanidade total. Aproveito então para perguntar: você também acha a comercialização desse bichinho algo desumano, né? Se não, por que não acha?

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Pense bem nessas características que a sociedade impõe a animais domésticos: mercadoria, objeto de decoração, brinquedo, propriedade. Você não acha abominável que tratem assim seres dotados de vida, de senciência e de toda uma vontade de viver?

Desejo a você uma boa reflexão.

imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Lindalva

setembro 5 2010 Responder

Essas fotos foram tiradas do pet shop “Cão Q Ri”

Carolina

março 16 2010 Responder

Bom, quanto aos cãezinhos nas caminhas eles são de pelúcia sim e mais, podem estar na lista dos brinquedos mais macabros!
Cuidado com a origem desses brinquedos, pois os provenientes da China podem ser resultado do massacre de cães e gatos nesse país.
Testes de dna realizados, confirmam a veracidade do fato!
Para quem quiser se informar melhor: http://arquivoconfidencial.blogspot.com/2007/02/brinquedo-macabro.html
Abraços!!!

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