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mar10

Vergonha 2: países não querem preservar ursos polares

Rejeitada proposta americana de banir comércio do urso polar

A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (CITES), entidade das Nações que regula o comércio de espécies da vida selvagem ameaçadas, rejeitou nesta quinta-feira uma proposta, apresentada pelos Estados Unidos, de proibir o comércio internacional de ursos polares, durante conferência da instituição, celebrada em Doha.

Os Estados Unidos queriam uma “abordagem preventiva”, destacando que para a CITES, a espécie é considerada “vulnerável”, com um declínio de 30% de suas populações nos últimos 45 anos.

Jane Lyder, chefe da delegação americana, afirmou que até 700 ursos polares são mortos ilegalmente ao ano, em particular na Rússia.

Estima-se que haja entre 20 e 25 mil ursos polares vivendo entre Canadá, Groenlândia, Noruega, Rússia e o estado americano do Alasca. Eles são mortos, sobretudo, por causa de sua pele, dos dentes e dos ossos, ou são usados como troféus de caça.

Mas a maioria dos países participantes da conferência da CITES na capital do Qatar concordou em que o derretimento das geleiras, provocado pelo aquecimento global, é a principal ameaça ao animal.

O Canadá argumenta que apenas 2% dos ursos polares “são comercializados a cada ano” e que este número se mantém estável. [E ainda diz “apenas”?! O que achariam se o regime chinês decidisse exterminar “apenas” 2% de sua população a cada ano para conter a superpopulação?]

Cerca de 300 ursos polares são comercializados internacionalmente a cada ano, sobretudo por povos indígenas, 210 deles por comunidades inuits do Canadá. A Groenlândia impôs uma proibição total às exportações de urso em 2008.

O urso polar está inscrito desde 1975 no Apêndice II da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Flora e da Fauna Selvagens, que permite um comércio controlado.

A inclusão no Apêndice I, como queriam os Estados Unidos, teria proibido totalmente as exportações da espécie.

“Foi uma oportunidade perdida, a última chance para responder às ameaças que o urso polar enfrenta”, disse Jeff Flocken, diretor do grupo conservacionista Fundo Internacional para o Bem-estar dos Animais (IFAW, sigla em inglês).

A CITES, da qual fazem parte 175 países, celebra até 25 de março uma conferência, durante a qual serão votadas dezenas de medidas a respeito do comércio de marfim, tubarões e corais, entre outras plantas e animais.

A CITES envergonhou o mundo duas vezes num só dia (a notícia acima é datada de ontem, assim como a rejeição da preservação do atum-vermelho).

Estou vendo que essa convenção vai, tal como a Conferência de Copenhagen, decepcionar profundamente o mundo trazendo ainda mais vergonhas, já que ainda vai votar medidas a respeito da preservação de tubarões, elefantes, corais e outros animais — e é capaz que rejeite mais solicitações de proibição de comercialização de cadáveres de animais.

São essas ocasiões que mostram que o respeito à vida animal não é nenhuma prioridade para diversos países, que querem continuar matando mais e mais animais silvestres — e fomentando essa matança — até que eles desapareçam do planeta.

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