Frase da semana (28/03-03/04)
“Publicar gente que prega veganismo, vegetarianismo, abduções socio-econômicas e outros que tais? Tenha santa paciência…” Comentário (cuj@ don@ não vou identificar) encontrado em um blog multitemático (que, por motivo de bom senso, também não vou dizer qual foi, mas digo que não foi aqui)
Não vou criticar quem escreveu isso, até porque não é minha política criticar as pessoas. Mas sim faço uma reflexão sobre o pensamento que vigora em grande parte da população, a ridicularização da nova consciência.
Schopenhauer já dizia no século 19: “A verdade passa por três estágios: primeiro, é ridicularizada; segundo, sofre oposição violenta; terceiro, é aceita como autoevidente.” E de fato ele estava certo. O veg(etari)anismo, os direitos animais, a utopia do terceiro sistema econômico, o não-teísmo (ateísmo e agnosticismo) cético, entre tantos outros valores e ideologias que são ainda novidades “esquisitas” para a população, vêm sendo tratadas com desdém por muita gente, seja na fase da ridicularização (direitos animais, veg[etari]anismo e outros), seja na da oposição violenta (ateísmo, alvo da intolerância de gente que não admite que existam pessoas que não compartilham de sua fé).
Não culpo as pessoas por isso. Elas são levadas a atos absurdos de reprovação de valores e ideias que destoem dos paradigmas vividos como padrão pela sociedade pela força do que Durkheim chama de fatos sociais. O onivorismo, a exploração animal, a religião não lúcida, o materialismo* capitalista, o padrão de comportamento masculino “se você não gosta de catar mulé uma atrás da outra, você é um pateta”, todos esses fenômenos têm um poder de coerção tal que as pessoas se mobilizam para reprovar e reprimir quem pensa e age diferente.
Não digo que eu mesmo poderia ridicularizar o vegetarianismo em outras épocas porque sempre tive, desde criança, uma suscetibilidade a ser mexido por ideias “forasteiras” plausíveis. Mas, digamos, fui cristão até a adolescência, e eu poderia muito bem criticar algum/a colega ateu/ateia, convidando-@ a “aceitar Jesus” ou tentando convencê-l@ de que o ateísmo seria perigoso (pela lógica da Aposta de Pascal). Enfim, eu cristão e as pessoas que seguem os comportamentos e valores nocivos esta(áva)mos pres@s na Caverna de Platão, atad@s a crenças e valores nada saudáveis e resistentes a ver a luz do mundo real. Não posso culpar @s pres@s por seu encarceramento numa caverna que só lhes mostra ilusões e preconceitos sobre o que é bom e ruim para o mundo, a natureza e os seres sencientes.
Saber como tirar essas pessoas dessa caverna das ilusões, fazê-las começar a pensar racionalmente em seus comportamentos, é um desafio que anima @s sociólog@s, e essa é uma das maiores motivações para eu estar no curso de Ciências Sociais.
A saber, sempre que enfatizam que eu e o Arauto defendemos o veg(etari)anismo, somos verdes e descrentes, defendemos ideias muito diferentes do que a sociedade hoje “pensa”, tais colocações me caem como um elogio.
*O materialismo a que me refiro é o comportamento capitalista de apego máximo a bens materiais cuja obtenção e posse se tornam objetivos de vida.
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O que diabos seriam “abduções socio-econômicas”?
Creio que sejam reflexões sobre o capitalismo que os materialistas mais alienados não conseguem enxergar. Ou melhor, onde só conseguem enxergar borrões sem forma e sem sentido.