Gripe ou “griphe” suína? Entenda quem é contra a vacinação e contra o Tamiflu
Antes de tudo, ignoro totalmente a baboseira de "Nova Ordem Mundial" e outras teorias folclóricas de conspiração. A questão aqui é relacionada a interesses econômicos de grandes laboratórios farmacêuticos em torno de uma ameaça de pandemia que não se consolidou -- mas foi exagerada pela mídia.
Primeiro, um vídeo legendado que mostra o esquema do Tamiflu e como a gripe suína não é tão "pandêmica" quanto a mídia alardeou durante meses (e já parou de alardear, só voltando a tocar no assunto depois que o governo brasileiro anunciou a vacinação em massa):
E, em seguida, abaixo estão uma postagem do blog Acerto de Contas mais uma notícia, do início deste ano, do Valor Econômico Online, ambas as quais vão fazer você ficar ainda mais pensativ@ sobre essa campanha.
Leia as duas notas abaixo, junte as informações com as do vídeo e tire suas conclusões.
Gripe Suína: uma “griphe” bem sucedida
Nunca antes na história deste planeta um víru$ foi tão mercadologicamente bem sucedido quanto o influenza A (H1N1). Depois que o ex secretário da defesa dos EUA e membro do conselho diretor da indústria farmacêutica Gilead Sciences, Donald Rumsfeld, faturou seus bilhões de dólares vendendo o Tamiflu (não viu? confira aqui), chegou a vez da vacina produzida pela empresa suíça Novartis ser revendida aos países de terceiro mundo.
E quem colabora com mais 1 Bilhãozinho nessa loteria política e econômica? Acertou quem pensou no país governado pelo homem do ano do Le Monde, o Brasil.
O Ministério da Saúde brasileiro pagará mais de R$ 1 Bilhão à França e aos EUA por 83 milhões de doses de vacinas contra o víru$ da griphe suínam (leia aqui). E isso acontece no exato momento em que a França cancelou a compra de 50 milhões de doses – mais da metade de todas as que havia encomendado (leia aqui). E olha que não foram poucas.
Pressões políticas internas na França, tanto do partido socialista, quanto de membros do Nouveau Centre e também do partido do governo, pedem uma investigação parlamentar para apurar acusações relativas às negociações entre o Ministério da Saúde francês e a indústria que produz a vacina, a Novartis.
A França comprou 94 milhões de doses, mas apenas 5 milhões de pessoas tomaram a vacina da griphe suína. Assim como outros países europeus, a França também está se livrando das sobras das doses que havia comprado. Os compradores da vez são países como o México, o Qatar, o Egito, a Ucrânia e, agora, o Brasil.
Mas não é só a França que se livra dessa carga. Também a Alemanha, a Holanda e o Reino Unido pretendem cancelar as compras da Novartis e/ou vender o estoque que têm (leia aqui).
Estão fazendo qualquer negócio pra se livrar desses entulhos bilionários. Pouco importa se a gripe comum mata mais gente do que essa griphe suína. O lance é dar segmento ao filão de mercado da vacina.
Esse negócio que o governo brasileiro está aderindo (em muito devido à própria espetacularização da mídia) parece ser ainda pior do que quando compramos aqueles patins de gelo da Inglaterra, no século XIX.
É possível que a próxima griphe seja um víru$ do peixe. Mas eu ainda apostaria numa griphe da cabra…
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OMS está sob suspeita de laços com laboratórios na gestão da gripe A
(Assis Moreira | Valor Econômico Online)
SÃO PAULO - A Organização Mundial da Saúde (OMS) está sob pressão crescente de governos e entidades na Europa, sob suspeita de colusão com a indústria farmacêutica no caso da gripe A (H1N1). Graças à venda maciça de vacinas para combater uma pandemia, os laboratórios podem obter até US$ 10 bilhões de lucros suplementares.
Enquanto a pandemia chega ao seu fim, sem os estragos previstos por especialistas, os governos acumulam medicamento e a ira aumenta sobre os gastos. França, Alemanha, Espanha, Holanda, Estados Unidos tentam revender seus excedentes ou romper os contratos feitos com os laboratórios farmacêuticos.
A situação chegou agora a tal ponto que o Conselho da Europa, que reúne 47 países do Velho Continente, abriu uma investigação excepcional sobre a influência que teria exercido a indústria farmacêutica sobre a OMS, que decretou a pandemia e a elevou ao nível mais elevado de grau de alerta, fazendo os governos se prepararem para o pior.
Na segunda-feira, o Conselho da Europa iniciará a investigação. Na quarta-feira, os laboratórios Sanofi Pasteur, Novartis, GlaxoSmithKline e Baxter serão interrogados no Senado francês. O Parlamento russo (Duma) também abriu uma investigação por "corrupção" e chegou a ameaçar se retirar da OMS.
As denúncias contra a OMS começaram a se propagar depois que um membro da comissão de saúde do Conselho da Europa, o médico e epidemiologista alemão Wolfgang Wodarg, não hesitou a fazer uma denúncia sobre "um dos maiores escândalos médicos do século". "Os laboratórios farmacêuticos organizaram essa psicose". Ele questiona "laços incestuosos" entre a OMS e os laboratórios. Segundo ele, "um grupo de pessoas na OMS está associado de maneira muito estreita com essa indústria".
Para Wodarg, tudo começou com a gripe aviária de 2005-06, quando a indústria farmacêutica se comprometeu a produzir rapidamente uma vacina em caso de alerta. "Isso deu lugar a negociações entre as firmas e os governos. De um lado, os laboratórios se comprometiam a estar prontos. De outro, os governos asseguravam que comprariam tudo. No final, os laboratórios não assumiam nenhum risco economico." De acordo com o jornal Tribune de Genève, um estudo do banco americano JP Morgan estima que a venda de vacinas A (H1N1) vai permitir a Glaxo, a Novartis e a Sanofi um lucro suplementar de US$ 7,5 bilhões a US$ 10 bilhões.
A diretoria da OMS promete uma avaliação sobre a maneira como administrou a pandemia. Os trabalhos começam na segunda-feira. Mas Keiji Fukuda, conselheiro especial da OMS, tratou de reagir.
"Não, não superavaliamos os riscos do perigo do vírus. Não, não mudamos de definição da pandemia unicamente para agradar aos laboratórios farmacêuticos. Não, não estamos sob influência. Nós dispomos de medidas internas para evitar conflitos de interesse," Outro problema é o vinculo entre a OMS e o ESWI, grupo de trabalho científico europeu sobre a gripe, que é financiado pelos mesmos laboratórios que são interrogados no Senado francês.
O próprio modo de financiamento da OMS, metade privado, metade público, está sendo questionado por suposta opacidade.
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abril 11th, 2010 - 01:31
Leia coisa que preste, como os blogs Rainha Vermelha e RNAm, que são escritos por CIENTISTAS e não por jornalistas com analfabetismo científico. Se jornalista serve pra algo, então o Sabino é Deus e a Veja é o Templo da Sabedoria. Quantos erros de jornalistas você quer que eu relacione aqui? Só o que eu já postei no Cet.net é suficiente para vermos o quão distante do conhecimento esta raça está.
Pesquise antes de escrever qualquer bobagem sem embasamento científico. Consulte especialistas e não fofoqueiros alarmistas.
abril 11th, 2010 - 14:26
Não falei aqui de perigo à saúde, mas do interesse de grandes farmacêuticas por trás das vacinas (embora o vídeo tenha falado um pouco sobre efeitos do Tamiflu) e da paranoia que se instaurou.