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abr10

Irmã/o/s de consciência denunciam pistolagem na cidade de Lagoa dos Gatos (Parte 2)

Mais uma denúncia relacionada a Lagoa dos Gatos, vinda por e-mail de irmã/o/s de consciência.

A opressão vista de perto

Nenhuma teoria, por mais revolucionária que seja, me deu ou dará o ímpeto de lutar e permanecer na luta além de qualquer coisa do que a visita a Lagoa dos Gatos, interior de Pernambuco, para ver de perto o assentamento da LIGA DOS CAMPONESES POBRES e sua realidade. Há mais ou menos duas semanas atrás não só eu como outros companheiros fomos avisados pelo o que estão passando os assentados, que tem como único objetivo repartir a terra igualmente e nela plantar, de forma equânime para que todos, sem exceção, compartilhem de uma vida mais digna. O que de fato está ocorrendo lá nada mais é do que o reflexo da face mais perversa de nosso país, latifundiários, possuidores de vastas terras, ocupantes de cargos legislativos e com contas no exterior, estão oprimindo da forma mais visceralmente cruel indivíduos que nada, alem dos braços e pernas, possuem de seu.

Embasados em sua luta, por um destino menos dependente, tomaram a fazenda da família Da Fonte, influente não só no nosso estado mais também em todo Brasil, tendo, inclusive um dos seus como representante legitimo e democrático no poder, o Sr. Eduardo da Fonte, deputado federal pelo PP. Lá iniciaram um trabalho árduo na arte de plantar, agoar e colher batatas, milho, macaxeira, coentro, para a sua subsistência e troca em outras mercadorias, tudo isso pra sobreviver. Pois bem, os companheiros lá estavam instalados e prosperando, quando em meados de março os donos legítimos de fato e direito, entraram armados ate os dentes respaldados pela policia, bombeiros e toda espécie de homem armado para retirar aqueles invasores, com tratores destruíram tudo sem deixar um pó sequer das plantações ou das casas de barro e madeira que estavam sendo construídas para acolher as quase cem famílias que ali estavam, inclusive que abrigava a escola popular. Os companheiros foram então obrigados a instalarem-se à margem do latifúndio, este protegido e guardado por pistoleiros traficantes de crack naquela área. Não podemos afirmar, entretanto que a presença destes senhores, que vem ameaçando, amedrontando e matando gente, está sob o julgo dos proprietários, só podemos afirmar que o Sr. Mauricio da Fonte, esteve lá no dia do despejo e mais nada. De resto, só nos cabe a especulação fundamentada em relatos de moradores da região e dos despejados.

Pois bem, não satisfeitos em expulsar, os pistoleiros a mando do excelentíssimo “ninguém pode afirmar quem foi” mataram um companheiro da LCP, o Nanal, que nem assentado era, era somente aliado à causa, foi morto quando estava cumprindo o seu oficio, entrega de leites logo pela manhã na cidade; o objetivo dos pistoleiros? Amedrontar todos os companheiros e fazê-los recuar em sua luta, o que de fato não aconteceu, no dia da morte do companheiro, houve uma passeata, que por sinal já estava marcada, para denunciar as barbaridades que estavam e estão sendo praticadas e para propagar a luta. Nenhum dos órgãos competentes tomou uma posição sequer, a policia  não investigou a morte de Nanal que, além de companheiro de luta, já teve passagens pela policia, ou seja, investigar pra quê? Pobre miserável e bandido não faz nem falta, dá-se é graças a deus por que foi morto um homem desses.

O clima de lá, companheiros, é de ameaça, constrangimento e terror, todos os camponeses não só os expulsos, da região de Peri-Peri, mas os da região de Riachão(assentamento visitado, próspero, ativo e legitimo do povo) vivem sob ameaças dos pistoleiros, que inclusive a noite, dão tiros para o ar como sinônimo de sua ordem, conseqüência do descaso de uns, mais isso, não podemos afirmar que há um excelentíssimo mandante, somente afirmar que há um desmando e descaso sério por parte daqueles escolhidos para defender a população, seja ela negra, branca ou camponesa e que sabem o que ocorre por lá. Os nossos irmãos de raça, cor e sangue estão lá sendo ameaçados cotidianamente e sem outra opção de vida, até a presidente do sindicato dos trabalhadores rurais não pode falar e dar seu testemunho pois teme por sua vida, ajuda aos assentados como pode, por debaixo dos panos, pois caso contrário terminará como o companheiro Nanal. Além dos ameaçados e mortos, tem os presos injustamente, como é o caso do companheiro Fabio, preso com base em acusações infundadas, sempre por porte ilegal de armas, enquanto os pistoleiros dão tiros pro céu.

Por isso companheiros, veio fazer desse escrito uma carta de denuncia dos desmandos e falta de assistência e ineficiência do nosso estado, que se diz de direito. Não podemos nos calar e nos omitir diante de uma situação tão grave quanto essa, que, companheiros não subjuga somente aos amigos de peri-peri e riachão mas a todos que lutam por uma vida mais digna e igual, e por essa luta não podem pagar o preço que pagam por falta de apoio. Junte-se a nós em pró da revolução e, caso você não acredite em revolução, envie esta carta, pelo menos tenha sensibilidade por aqueles que morrem da forma mais vil que um ser pode morrer, lutando para sobreviver.

imagrs

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Denise Bomfim

junho 22 2010 Responder

Fantástico o seu Blog, parabéns e força para continuar na luta!
Quando puder, visite o meu Blog.
Muita Paz!

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