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Megadesmatamento em Suape: um ecocídio em nome do progresso

Publicado originalmente em 30/03/10, às 13:21

Uma verdade estabeleceu-se nesses últimos dias: quem tem medo de Blairo Maggi e da bancada ruralista é porque não conhece Eduardo Campos.

Segundo o blog de meio ambiente do JC Online noticiou semana passada e o site da Assembleia Legislativa de Pernambuco confirma, o governador quer destruir nada menos que 1.076 hectares de vegetação nos arredores de Suape com o fim de “ampliação e modernização” do porto, além da instalação de novos empreendimentos, numa investida típica da velha tradição de destruir verde em prol de um progresso cinzento.

Pelo visto, fez lógica a secretária de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente Luciana Santos não ter respondido às minhas perguntas sobre desmatamento no bate-papo no blog Acerto de Contas. Ela evidentemente sabe que seu governo não dá a mínima para o meio ambiente, pelo menos em termos de desmatamento em prol do “progresso”, só não quis confessar isso abertamente, já que não tinha respostas para justificar ou capacidade de discordar da política do governo que integra.

São mais de mil campos de futebol de vegetação, no que pode ser o maior desmatamento da história pernambucana moderna. Não bastou para o governo Eduardo Campos destruir mata atlântica para duplicar a BR-408, destruir mangue no Rio Jaboatão para construir uma ponte, pemitir a construção de grandes resorts por cima de vegetação litorânea no litoral sul e ser conivente com o desmatamento em Aldeia, Porto de Galinhas e Maracaípe. Ele quer desmatar mais e mais, quer dar progressão ao triste e nada orgulhoso histórico pernambucano de destruição ambiental o qual reduziu a mata atlântica do estado a cerca de 5% de sua cobertura original e vem derrubando a caatinga.

É nessas horas que entra o dilema da questão do progresso. Será que realmente vale a pena destruir a natureza de forma tão implacável, violando o direito do meio ambiente de existir e ser preservado, em prol de um progresso econômico que, embora supostamente melhore a vida de muitas pessoas, tem uma altíssima probabilidade de provocar a própria morte da humanidade – e de grande parte da biosfera – num futuro não tão próximo mas não tão distante?

É ético que, numa época em que se discute arduamente o paradigma do desenvolvimento sustentável e a elevação à supremacia da necessidade de se preservar o que ainda temos hoje de ecossistemas e áreas verdes, Eduardo Campos e seu governo insistam em ir na contramão da história e, para desalento dos ambientalistas, promover esse verdadeiro ecocídio?

Para os defensores do progresso incondicional, a expansão de Suape é uma maravilha inquestionável. Para os mais respeitadores do meio ambiente, por outro lado, começa a se tornar preocupante. Não apenas pela presença da refinaria, cujo anúncio foi em sua época uma verdadeira ode ao desenvolvimento movido a energia suja, mas também pelo que o governo está intencionando fazer contra a natureza para que o porto e seu complexo industrial sejam ampliados.

Os jornais exclamam que Pernambuco está em vias de se tornar o “Tigre Asiático” Brasileiro, mas estamos começando a ver o preço desse salto: a destruição massiva de diversos ecossistemas – em especial manguezais, que são berçários de muitas formas de vida. Vale mesmo a pena que a nova “Cingapura Brasileira” seja inaugurada a todo custo mesmo que todo o verde seja varrido do mapa? Ou deveria-se discutir como essa “cingapurização” deveria respeitar o meio ambiente em sua integridade, num esforço de transformar Suape em referência de economia sustentável e gestão ambiental?

A hora é essa de discutirmos a urgência de se rever os planos de transformar Suape num centro de referência desenvolvimentista, de modo que deixe de ser um vetor de desmatamento e passe a respeitar a integridade do já rarefeito ambiente natural. A verdade é que não podemos tolerar o jeito que as coisas estão andando.

Precisamos unir os blogs pernambucanos, as ONGs ambientalistas, os políticos que ainda têm algum respeito pelo meio ambiente e a população para que esse verdadeiro ecocídio histórico não aconteça e os planos de ampliar Suape, em vez de causar essa tragédia, sejam repensados de modo que sejam adaptados ao paradigma da sustentabilidade e da valorização ética do verde.

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Alysson

abril 19 2010 Responder

É importante para o convencimento de todos que apoiemos ideias de preservação da natureza com base em proposta de modelos sustentável. Sugiro que seja adicionado a esse debate modelos que possam ser aplicados a suape. Mesmo que custem caro, mas certamente não existe preço para continuarmos vivos!!!

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