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maio10

Cartaz sobre tubarões expõe a hipocrisia do governo pernambucano

Campeão em hipocrisia e demagogia, conforme dois dos meus artigos mostram, o Governo de Pernambuco vem, há algumas semanas, exibindo cartazes nos ônibus alertando para o perigo dos tubarões na costa de Recife, Jaboatão e Cabo (praia do Paiva).

Abaixo, devidamente “rabiscado”, o cartaz (clique nele para ampliar):

Primeiro, o alerta sobre ataques de tubarões incita a pesquisar sobre a origem dos mesmos. Fábio Hazin, professor da UFRPE, nos diz que:

Um outro fator de grande importância foi o impacto ecológico causado pela construção do Porto de Suape, incluindo a destruição de vastas áreas de manguezal, aterros e até mesmo o desvio do curso de dois rios, o Ipojuca e o Merepe. Como essa área era relativamente virgem, era provavelmente freqüentada por fêmeas do tubarão cabeça-chata como área de parto, já que é comum o hábito nesta espécie de parir os seus filhotes em regiões estuarinas. A partir da degradação ambiental verificada, é provável que um número maior de fêmeas dessa espécie tenha passado a se deslocar para o estuário mais próximo, o do rio Jaboatão, localizado ao norte, o qual desemboca exatamente nas praias da região metropolitana do Recife, onde ocorreram todos os ataques, ou seja, Paiva, Candeias, Piedade, Boa Viagem e Pina. A captura de fêmeas prenhes de cabeça-chata, com seus filhotes a termo, no estuário do Jaboatão parece confirmar esta hipótese.

Nicole Vergueiro nos diz também que:

talvez uma das causas mais graves, ainda não totalmente esclarecida pelos cientistas, tenha sido a construção do Porto de Suape, 55 km ao sul do Recife. A obra resultou em um grande impacto ambiental e acarretou o aumento no tráfego marítimo. Para André Olinto, gerente costeira da Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Pernambuco (conhecida pela antiga sigla CPRH), na época da construção de Suape, em 1979, não eram produzidos Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto de Meio Ambiente (EIA-RIMA). A CPRH realizou uma avaliação ecológica da área e constatou que 600 hectares de mangue foram destruídos para a construção do porto e dois rios, o Merepe e o Ipojuca, foram estrangulados, desviando as áreas estuarinas (onde os rios se encontram com o mar) para Gaibu, praia vizinha ao porto. Essas áreas estuarinas servem de berçário para os tubarões fêmeas da espécie cabeça-chata na época do nascimento de filhotes. “Quando foi realizada essa avaliação, outras questões ambientais foram levantadas, mas não a vida marinha do tubarão”, revela a especialista em vias costeiras.

A mudança do curso dos rios levou os tubarões a procurar outras praias para procriar. Os locais escolhidos pelos animais para a procriação foram as praias do Pina e Boa Viagem, no Recife. “É provável que um número maior de fêmeas do cabeça-chata tenha passado a se deslocar para o estuário mais próximo, o do Rio Jaboatão, localizado ao norte do porto. Esse rio desemboca exatamente nas praias da Região Metropolitana do Recife, onde ocorreram todos os ataques, ou seja, Paiva, Candeias, Piedade, Boa Viagem e Pina”, ressalta Fábio Hazin. A captura de fêmeas prenhes da espécie cabeça-chata no Estuário do Jaboatão parece confirmar esta hipótese. A CPRH está estudando a viabilidade de recolocar os rios em seu curso original. O Porto de Suape aguarda o resultado dessa avaliação para se posicionar a respeito.

Mesmo que a construção do Porto de Suape, com o desvio das áreas estuarinas, não tenha sido uma causa direta do crescimento do ataque de tubarões, o início das atividades no porto certamente está associado ao fenômeno. Elas começaram em 1992, exatamente o ano em que os ataques tornaram-se freqüentes. O biólogo Marcelo Szpilman, em seu livro Tubarões no Brasil (editora Aqualittera), explica: “Além da degradação ambiental em uma área original de manguezais, houve também, com a ampliação do tráfego de navios, um estímulo para o aumento da agressividade dos tubarões da região – os dejetos dos navios, jogados ao mar, atraem os tubarões para a região do porto para daí seguirem as correntes para as praias próximas ao norte do porto.”

Hoje o governo quer piorar o cenário de desequilíbrio ecológico. Talvez não mais desorientando o nicho ecológico dos tubarões, que já se afastaram de Suape, mas prejudicando o nicho de muitas outras espécies. Ou melhor dizendo, é até possível que mais um aumento na população de tubarões entre o Pina e o Paiva figure entre as consequências ainda imprevisíveis da destruição de mais 583 hectares de mangue e do aterro de outra grande parte do estuário da Bacia do Ipojuca.

E, lá embaixo, acima apenas dos logotipos (entre os quais figura o do nosso “querido” governo ecocida), uma mensagem indiscutivelmente hipócrita: Preserve o meio ambiente. Como é que um governo que destrói bons punhados de vegetação para construir ou duplicar pontes e estradas e ainda ameaça um gigantesco desmatamento em área estuarina ainda nos pede para preservar o meio ambiente? Ao melhor estilo Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço, o governo destila toda a sua hipocrisia e demagogia, nos orientando a ter uma atitude que ele mesmo se recusa a adotar.

Essa é mais uma amostra de por que devemos dizer NÃO a Eduardo Campos e a qualquer um de seus deputados e deputadas, que votaram a favor do trágico ecocídio que ameaça o estuário que o Porto de Suape invadiu.

Um outro fator de grande importância foi o impacto ecológico causado pela construção do Porto de Suape, incluindo a destruição de vastas áreas de manguezal, aterros e até mesmo o desvio do curso de dois rios, o Ipojuca e o Merepe. Como essa área era relativamente virgem, era provavelmente freqüentada por fêmeas do tubarão cabeça-chata como área de parto, já que é comum o hábito nesta espécie de parir os seus filhotes em regiões estuarinas. A partir da degradação ambiental verificada, é provável que um número maior de fêmeas dessa espécie tenha passado a se deslocar para o estuário mais próximo, o do rio Jaboatão, localizado ao norte, o qual desemboca exatamente nas praias da região metropolitana do Recife, onde ocorreram todos os ataques, ou seja, Paiva, Candeias, Piedade, Boa Viagem e Pina. A captura de fêmeas prenhes de cabeça-chata, com seus filhotes a termo, no estuário do Jaboatão parece confirmar esta hipótese.
imagrs

2 comentário(s). Venha deixar o seu também.

ernane da praia de boa viagem recife

dezembro 17 2014 Responder

Por favor sr.ª Ednalva Freitas, não existe nenhuma vítima na lista oficial CEMIT/UFRPE/PROTUBA com sobrenome “Freitas”, a senhora pode dar mais detalhes como nome da vítima, data e local do ataque?

EDNALVA FREITAS

abril 20 2011 Responder

O QUE SEI E QUE PERDI MEU FILHO AOS 21 ANOS VITIMA DE UM ATAQUE DE TUBARÃO.O ANIMAL NÃO TEM CULPA ELE ESTAR EM SEU HABITAR,O SER HUMANO É RUIM TENTA TIRAR TUDO DO LUGAR ONDE DEUS DEIXOU.MEU FILHO ERA MINHA OUTRA METADE ,PARTE DE MIM E HOJE ESTAR DIFICIL SEM ELE.

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