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Kátia Abreu e o “desejo de paz”

Flagrante de mais uma pilhéria da Sarah Palin brasileira, feito pelo blog da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária:

Kátia Abreu contra todos

A senadora Katia Abreu (Arena/PFL/DEM-TO) participou ativamente de um seminário organizado pelo jornal da oligarquia brasileira O Estado de S. Paulo, na semana passada, para debater os problemas da região centro-oeste do país.

A latifundiária foi enfática ao expor que o principal problema da região e do país atualmente é a “relativização do direito de propriedade”, em declaração publicada na reportagem do jornal Insegurança jurídica é principal ameaça.

Nada de falta de escolas e hospitais, moradias inadequadas para a sobrevivência, saneamento básico nas periferias, desemprego, violência… Nada disso.

Muito menos a concentração de terras, que está acima da média nacional no Centro-Oeste e em tendência de alta.

Bem interessante para quem quer ser vice na chapa de José Serra à Presidência da República.

Relativização que às vezes vem disfarçada de ambientalistas, sem-terra, índios e negros, com a destruição do nosso desejo de paz e tranquilidade”, afirmou a latifundiária-senadora.

Ou seja, com exceção dos 0,91% dos proprietários (menos de 50 mil) que concentram mais de 43% das áreas agricultáveis (cerca de 146 milhões de hectares) no Brasil, todos representam uma ameaça à “paz e tranquilidade”.

Como disse a insuspeita jornalista Míriam Leitão, em sua coluna no jornal O Globo, a senadora merece de fato o título de “Rainha Medieval do Brasil”.

Hipocrisia e cinismo poucos são bobagem. Vejo que a “paz” de Kátia Abreu é aquela em que ricaç@s latifundiári@s tomam seu banho de sol num “Boa Viagem Exclusive Beach”, cercado de muros e seguranças particulares prontos para levar para a delegacia o primeiro indivíduo pobre e malvestido que ousar passar perto do lugar.

Ou então aquela “paz” em que o marajá do latifúndio anda de Hilux por sua ensolarada propriedade de 80 mil hectares, ganha como espólio da guerra da bancada ruralista contra a Amazônia e o Cerrado, dos quais 40 mil são improdutivos e 40 mil são reservados a gado bovino, sem preocupação nenhuma com aquelæs camponesæs sem-terra from hell que quererão “roubar” sua terra inaproveitada.

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Samory Pereira Santos

maio 17 2010 Responder

Bah, é claro que patrimônio/propriedade privada é um bem jurídico relativizado. Até a vida humana é relativizada (vide as possibilidades de você matar um humano sem ser punido, a exemplo de aborto e legítima defesa). Isso é bobagem por parte dela. Pode haver uma insegurança jurídica sim, mas não tem nada ver com a relativização do patrimônio.

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