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jun10

Breve reflexão sobre petróleo e tragédias ambientais

Animais sofrem com o maior desastre ambiental dos EUA

O presidente dos Estados Unidos visitou pela terceira vez a área atingida pelo vazamento de petróleo no Golfo do México. Barack Obama cobrou mais rapidez da empresa British Petroleum para indenizar as famílias afetadas pelo desastre ambiental.

A operação aconteceu a 1.600 metros de profundidade. Uma cúpula de metal amarelo com o formato de um grande sino ligado a um tubo foi feita para vedar o poço e funcionar como uma espécie de aspirador gigante, levando o petróleo para os porões de um navio. A peça foi encaixada na ponta do cano com a ajuda de robôs. Mas o vazamento não foi totalmente contido. De cada cem litros de petróleo que continuam se espalhando no mar, apenas cinco estão sendo sugados pelo equipamento e armazenados na superfície.

Os técnicos da Britsh Petroleum disseram que o óleo ainda vaza por válvulas que serão fechadas aos poucos. Se desta vez tudo der certo, eles esperam chegar a recuperar 90 de cada 100 litros que escapam do poço danificado.

Na superfície, a mancha já é tão grande que seria capaz de cobrir todo o estado do Rio de Janeiro e ainda uma pequena parte de São Paulo e de Minas Gerais.

Nesta sexta-feira (4), o presidente Barack Obama voltou ao estado de Louisiana para visitar comerciantes e moradores que estão tendo prejuízos com o desastre ambiental. Ele disse que ainda é cedo para ser otimista com relação ao fim do vazamento.

O óleo já chegou a várias reservas ambientais da costa do estado da Lousiana. Hoje, agentes do governo responsáveis pelo resgate de animais estiveram em um santuário de pelicanos atingido pela maré negra do petróleo.

Quase não dá para ver os animais debaixo de tanto óleo. Alguns respiram com dificuldade. Dezenas de pássaros foram resgatados. Mas, segundo os técnicos, pelo menos um terço deles não vai sobreviver.

A culpa por desastres de vazamento de óleo não é necessariamente de quem consome, até porque somos reféns de um sistema econômico e tecnológico que ainda não conhece fontes de energia limpas e renováveis que substituam integralmente o petróleo. Mas vale refletir como se vem ainda exaltando a produção de petróleo, mesmo em época que vem demandando o estudo urgente de novas fontes de energia.

O maior exemplo, praticamente um exemplo ultimate, é o pré-sal brasileiro. Antes da descoberta dessas reservas muito profundas de petróleo, o governo falava muito e muito da expansão da produção de etanol e biodiesel. Mas, quando o pré-sal foi descoberto e sua exploração viabilizada, praticamente acabou-se o discurso da energia renovável. O petróleo voltou ao pedestal que ocupava desde a primeira metade do século 20, de combustível supremo e insubstitível, de fonte de riqueza irrecusável.

É motivo de lamentação que esse tipo de atitude continue em pleno século 21, aquele que deveria estar sendo o século da revolução ambiental, na qual toda aquela atitude de desprezo ao meio ambiente e exaltação de tecnologias sujas seria superada.

Se temos que ver desastres como o atual e o do caso Exxon Valdez (navio petroleiro que vazou no Alasca em 1989), é em grande parte porque os governos e empresas ainda go$tam muito do petróleo.

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