As fogueiras juninas como inconvenientes ambientais
Post escrito em 13/06/2009, importado do Consciência Efervescente
Tradição secular, a fogueira de São João está se aproximando da época em que será vista como um costume proibitivo e não-recomendável, se não já começou a ser vista assim. Assim como o balão poliédrico a fogo, tem inconvenientes importantes que fazem a continuidade de seu uso ser algo nocivo, dessa vez para o meio ambiente, vide desmatamento e poluição.
Em época de sonoros debates sobre preservação das florestas e proposições de diminuição máxima de emissões de gases de efeito-estufa e poluentes, os fogaréus juninos vêm sendo escancarados como elementos causadores de um impacto ambiental notável e evitável, o qual nunca foi quantificado em dados mas é fortemente perceptível antes e durante os dias de festejo.
Dados sobre quanto de madeira é retirado a cada ano de matas virgens, reflorestadas ou de plantação para a montagem de fogueiras no Nordeste são difíceis de ser encontrados, mas, percorrendo-se avenidas e estradas de muitas cidades nordestinas, pode-se ter uma ideia de que houve um significante estrago nos ecossistemas explorados para tal fim, em especial em áreas de Mata Atlântica – incluindo brejos de altitude – e de Caatinga.
As pilhas de lenha à venda para confecção de fogueiras são enormes e lembram predominantemente troncos e galhos de árvores de vegetação tropical ou semiárida. Como raramente há garantia de que vieram de manejo florestal, pode ser deduzido que a cada ano é feito um significativo dano, infelizmente jamais medido ou sequer estimado em números, nas matas nordestinas. Contudo, não há nenhuma lei, pelo menos em Pernambuco, regulamentando a extração de madeira para fins de comemoração das festas juninas.
Além do evidente desmatamento anual que o São João “provoca”, chama atenção também a poluição gerada. A queima da lenha gera uma relevante fumaça que, além de ameaçar a saúde de quem está próximo, suja substancialmente o ar. Uma única fogueira parece não fazê-lo tanto, mas, quando observamos, por exemplo, uma praça rodeada por seis fogueiras, o ar torna-se irrespirável e a fumaça em cima da área toma um aspecto quase espesso, lembrando um pequeno incêndio florestal.
Não é só o ar sujo que depõe contra a fogueira junina, mas também o clima terrestre como um todo. Talvez apenas um fogo pareça desprezível quando se considera a atmosfera do planeta, mas, quando somamos os milhares ou talvez milhões de fogueiras acesas no Nordeste na segunda metade de junho de um ano, percebemos a emissão de toneladas e toneladas de gases-estufa altamente poluentes, contribuindo para as perversas mudanças climáticas globais. Quando multiplicamos por 15 anos então, a “ajuda” dada ao efeito-estufa é bastante pomposa.
A consciência que reconhece os inconvenientes ambientais da fogueira, no entanto, ainda é incipiente na região e, conseqüentemente, a resistência cultural ao abandono desse costume ainda é grande, tanto quanto a intransigência perante os apelos de defensores animais sobre a crueldade contra animais presente nas vaquejadas.
Considerada essa realidade, o surgimento de uma campanha na mídia pela aposentadoria das fogueiras de São João, semelhante à feita contra os balões poliédricos que corriam o risco de causar incêndios, é esperado para os próximos anos. Fica aqui a recomendação de que comece o quanto antes, pelo menos de forma gradual, tendo tão logo um pontapé inicial com, por exemplo, Caruaru abandonando o costume em prol de um São João ecologicamente correto e ensinando às pessoas que a fogueira é um estorvo ambiental que não faz falta para os festejos.
Posts relacionados:
- Não há posts relacionados.
3 respostas a As fogueiras juninas como inconvenientes ambientais
Deixe um Comentário Cancelar resposta
Assinar feed (é de graça)
Redes sociais
O Google deu adeus ao Friend Connect em blogs fora do Blogger. Agora o Consciencia.blog.br tem seu perfil no Google+.Categorias dos posts
Arquivos do blog
Páginas estáticas
- A polêmica oculta do uso “genérico” da palavra homem
- Aos religiosos: eu vivo sem Deus, sou ateu
- Ateofobia, uma intolerância tão gritante mas tão pouco notada
- Como virei vegetariano e em seguida vegano: uma história pessoal
- Compreendendo o ateísmo: noções básicas
- Minha teoria ambiental: o que penso hoje sobre o meio ambiente
- Vaquejada: a essência de um “esporte” que usa animais
Blogs parceiros
Blogs parceiros do Consciencia.blog.br, com convicções em comumCultura
Direitos Animais e Veg(etari)anismo
Discussões multitemáticas
- Acerto de Contas
- Alívio Refrescante
- Blog do Shikama
- Blog do Tsavkko: The Angry Brazilian
- Bule Voador
- Coletivo KRISIS!
- Debata, Desvende e Divulgue
- Garota Clorophila
- Geoconhecimentos
- Ideias São à Prova de Bala
- Junior
- Pedagogia do Encontro
- Pimenta Negra
- Portal do Betinho
- Que Cazzo É Esse?
- Visão X Pássaro Azzul
Jornalismo
Meio Ambiente
Minorias discriminadas
Reflexões pessoais










Concordo plenamente!
Fogueiras de São João e Balões além de ser um perigo, pondo em risco a vida das pessoas, é também um atentado ao meio ambiente!
Essa música é excelente, me emocionei ao ouvir. Quem é esse Neno Tocador?
Neno Tocador está certíssimo Apague essa fogueira…………………
[...] Porque é uma vergonha, quando não uma hipocrisia, que alguém que se diz ambientalista e é declaradamente contra o uso de fogueiras juninas tenha uma fogueira na frente de sua casa, acendida por gente de sua própria família, e se sinta [...]