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Notícias que não deveriam ser divulgadas

Gordura do leite integral de vaca protege o coração contra infarto (fonte: Folha.com*)

Um tipo de gordura presente no leite de vacas alimentadas com pasto pode diminuir o risco de infartos, segundo pesquisa publicada no “American Journal of Clinical Nutrition”.

A versão integral do leite contém uma gordura insaturada chamada ácido linoléico conjugado (CLA, na sigla em inglês) que, além de proteger o coração, ajuda a emagrecer.

Quando temos o real conhecimento do regime exploratório que é a pecuária leiteira e de todas as objeções éticas ao ato dispensável de se usar animais como “fontes” de alimentos, passamos a entender por que esse tipo de notícia não deveria ser divulgado.

Se você ainda não vê tanto mal assim em a pecuária usar vacas, cabras, ovelhas etc. como fontes de leite, pense direitinho: você tomaria leite humano que não fosse de sua própria mãe?

Imagine um sistema agroindustrial que forçasse mulheres a engravidar de 1 em 1 ano (vacas são inseminadas a cada 2 anos em criações mais tradicionais, mas alguns pecuaristas diminuem esse intervalo para 18 meses e desejariam diminuir para apenas 1 ano), tendo seus/suas filh@s bebês roubad@s de si — ou em casos mais “humanitários”, sendo obrigadas a dividir seu leite entre @ bebê e a ordenha, ainda assim perdendo-@s para a indústria da carne depois de algum tempo –, tendo que fornecer leite várias horas por dia.

Imagine também que diversos sistemas desse tipo, partindo para a pecuária intensiva ou semiextensiva, aprisionam essas mulheres em celas, roubam-lhes @s filh@s pequenininh@s e lhes inserem tubos de ordenha mecânica nos seios com os quais terão que viver todo o tempo, tendo essas desafortunadas mulheres que viver prisioneiras, com suas vidas fundamentalmente atreladas ao interesse da indústria — só vivendo porque a pecuária assim quis, que elas nascessem e vivessem para lhe servir –, até a morte, que viria ainda em idade jovial, quando a agroindústria perdesse o interesse em mantê-las vivas por sua capacidade mamária e uterina ter-se exaurido e as encaminhasse para o abate.

Você tomaria leite humano, vindo dessas condições, por mais maravilhoso para a saúde que fosse segundo os anúncios da mídia?

Se responder que não, estará começando a entender por que digo que a notícia acima não deveria ter sido divulgada.

E o último parágrafo da notícia diz isso:

“Leite integral e laticínios em geral ficaram com uma reputação muito ruim nos últimos anos, por causa da gordura saturada e do colesterol, e agora descobrimos que o CLA pode ser ótimo para a saúde”, disse Michelle MacGuire, da American Society for Nutrition, que publicou o estudo. “O leite integral não é o vilão.”

Essa reputação ruim não é só em relação à saúde, mas também em relação a toda a exploração animal que descrevi acima (adaptada para uma imaginada pecuária leiteira humana). Infelizmente o leite ainda não vem sendo tão repudiado e abandonado como a carne, visto que a maioria da própria população vegetariana é lacto ou ovolactovegetariana, mas felizmente está crescendo bastante a população que abre os olhos também para as questões éticas do leite e se torna vegetariana completa e vegana.

O leite pode não ser tanto assim um vilão da saúde — muito embora venham sendo omitidas pela mídia questões de resposta pendente como a suscetibilidade de quem consome leite a problemas como alergias, acúmulo de catarro e constipação intestinal crônica –, mas é, com riqueza de provas, um vilão da ética, uma poderosa causa que estimula a exploração animal — inclusive muitas pessoas dizem que a exploração leiteira é ainda mais cruel que a exploração pecuária pela carne.

*Justamente por essa sequência de posts ser de notícias que não deveriam ser divulgadas, não vou publicar o link de origem nem a íntegra delas. Caso queira lê-las na íntegra, procure no Google Notícias ou no site cujo nome eu disser como fonte.

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6 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Phillipe Lustosa

fevereiro 10 2013 Responder

Coitada da mulher que tirou essa foto aí. Isso sim é imoral.

Phillipe Lustosa

fevereiro 10 2013 Responder

Não acho que a notícia seja um super absurdo. Não concordo com a maneira de tratamento que a racionalidade funcional capitalista dá aos animais, mas não concordo também que se compare uma pessoa a um animal. Não vou deixar de comer bicho porque sinto pena dele, e, falando de outro argumento, porque faz mal à saúde. Primeiro porque a alimentação carnívora é naturalmente moral, e segundo porque não é deixando de comer carne (e continuar sedentário, por exemplo) que vou estar livre de doenças. As mesmas doenças que eu evitaria sendo vegetariano, contraio de outras formas. De qualquer forma, cuido da minha saúde eu mesmo, de maneira tola ou não, portanto só me resta o argumento fraco da imoralidade. O homem é um animal social e moral, o animal não. Dominamos legitimamente sobre ele a partir da lei NATURAL do mais forte, assim como predadores de todos os tipos se alimentam de suas presas friamente.

    Robson Fernando de Souza

    fevereiro 10 2013 Responder

    Então você considera moral matar animais amorais? Diga então como você aprovaria matarem idosos senis e exterminarem cães e gatos mesmo com tutores.

João Ezaquiel

junho 9 2010 Responder

Esses estudos médicos são burros. E a públicação dos mesmos serve somente à um clima de confusão. Dizer que tal ou qual proteína, gordura, vitamina emagrece, previne doenças ou qualquer outro benefício é um reducionismo próprio de uma visão dissociativa dos problemas do consumo, como se comer arroz e feijão todo dia e tomar leite sempre resolvessem o problema de saúde de pessoas com hábitos errados, é ciência do tempo das cavernas.

Natália

junho 8 2010 Responder

Outra vez a Folha… tsc, tsc =/

    Robson Fernando

    junho 8 2010 Responder

    A Folha infelizmente é apenas parte de toda uma imprensa que trata os direitos animais pelo senso comum, na base do “fulano diz que” ou “ativistas argumentam que”. Toda a mídia é assim, fora a ANDA.

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