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jun10

Para Folha, falta de animais para torturar é um dos problemas da medicina fitoterápica brasileira

Na notícia abaixo (mostro apenas o trecho inicial), a Folha.com (antiga Folha Online) mostra uma real decepção para a medicina brasileira: não se vem conseguindo alçar o Brasil no hall dos países que aproveitam sua riqueza florística pelo bem da saúde da população:

País deixa de gerar US$ 5 bi por ano com fitoterápicos

O Brasil deixa de gerar cerca de US$ 5 bilhões ao ano por não conseguir transformar sua flora em remédios.

Essa é a diferença entre o valor movimentado pelo tímido mercado brasileiro de fitoterápicos e por mercados como o francês, o japonês e o alemão – países com uma biodiversidade muito menor que a brasileira, mas que tiveram sucesso na transformação de moléculas de plantas em medicamentos.

Até hoje, só um fitoterápico baseado na flora brasileira foi desenvolvido em território nacional. Trata-se do anti-inflamatório Acheflan, concorrente do Cataflam.

A notícia ia muito bem, denunciando como o Brasil vem sendo uma decepção em medicina fitoterápica, até que chegou no 11º parágrafo:

Há problemas anteriores à falta de interesse dos investidores, porém. O país sofre com a falta de biotérios que possam oferecer camundongos de qualidade para testes de medicamentos.

Fala-se disso na mais fria indiferença. Para a Folha, camundongos são apenas instrumentos de trabalho científico, apenas coisas, pequenas máquinas de teste. Não são seres sencientes, mas apenas instrumentos cuja dor — que @s Frankensteins vivisseccionistas sabem que existe — nada mais é que uma variável abstrata que nada tem a ver com violência e sofrimento. Tal como instrumentos inanimados quaisquer, têm “qualidade” e podem ser “oferecidos”.

Traduzindo para a linguagem dos direitos animais: a medicina brasileira sofre com a falta de campos de concentração que possam oferecer animais prisioneiros em condição perfeita para serem envenenados e torturados em testes de medicamentos.

É nessas horas que vemos como faz tanta falta para os animais não-humanos a voz, a capacidade de verbalização, e como é triste que bichos como camundongos não tenham capacidade qualquer de defesa contra esse tipo de atitude especista e violenta. E, por especista e violenta, me refito tanto à vivissecção em si como à vergonhosa verbalização da Folha.com, que do jeito que trata os camundongos, seres coisificados e tornados inanimados, estes ficam parecendo coisas sem sentimentos, sem capacidade de sofrer, autômatos fabricados.

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Natália Santucci

junho 7 2010 Responder

Dps ngm sabe pq eu, q era fã desse jornal, passei a criticá-lo tanto. Senso crítico faz muita diferença.

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