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jun10

Reformulação e rebaixamento do tema “crítica à religião”

Mais uma mudança na temática do Arauto da Consciência: a partir de hoje o tema crítica à religião será rebaixado a integrante do tema humanidades. E criticarei, em termos de religião, apenas aquelas religiões organizadas que factualmente promovam alguma forma de opressão e injustiça — leia-se cristianismo e, em escala bem menor, islamismo, judaísmo e outras religiões de abordagem moral duvidosa.

Percebi que criticar e desmitificar qualquer religião, mesmo sendo religiões não tão perniciosas socialmente, estava mais para um polemismo neoateísta infrutífero do que necessariamente uma conscientização a visar a reforma do zeitgeist ético-moral. Além do mais eu ainda não tenho fluência literária e intelectual em humanismo secular, para poder divulgá-lo (ou seria pregá-lo?) como uma forma de pensamento mais sóbria e não-alienada do que a crença religiosa.

Este post também é um reconhecimento de que diversas religiões e espiritualidades, desafiando os dogmas e valores morais mais perniciosos das grandes religiões monoteístas, trazem uma filosofia de vida mais apegada à natureza, ao não-antropocentrismo, à defesa dos animais não-humanos, à não-violência, ao veg(etari)anismo, à tolerância religiosa e sexual, ao feminismo, entre outras virtudes, até ao ato de pensar ou crer sem o apego abraâmico* ao sistema eclesiástico-dogmático condutor de “rebanhos”. Incluo nessas religiões-filosofias a espiritualidade Nova Era, o espiritismo, o budismo, o jainismo, o neopaganismo e outras religiões não-abraâmicas. Essas religiões pretendo não mais criticar por aqui — se bem que a única que critiquer aqui foi o espiritismo.

Também pesa o fato de que já existem diversos sites e blogs especializados em criticar a religião genericamente falando e desmascarar mitos, dogmas e pulhas religiosas. E esses sites e blogs fazem isso muito melhor do que o Arauto fazia até hoje.

Mas aviso que não farei propaganda religiosa aqui. No máximo poderei falar de como uma ou mais religiões/espiritualidades não-abraâmicas estão de acordo com diversos pontos do zeitgeist ético que aqui divulgo — o que pode significar que tais opções de crença serão razoáveis para quem foge da opressão islamo-judaico-cristã.

Aviso também que, se alguma religião não-abraâmica pregar algo que ofenda a nova ética, como dizer que animais não-humanos pertencem a um plano de existência inferior ao plano humano e fazer pregações inconvenientes, será criticada por aqui.

Quanto às religiões abraâmicas, farei assim: o cristianismo será criticado, desde os fundamentos bíblicos, sempre que incitar uma conduta reprovável — mas apenas nesse caso –; o islamismo e o judaísmo também serão criticados caso façam o mesmo, mas de forma superficial, já que não tenho conhecimento sobre as escrituras sagradas dessas duas religiões (Corão, Suna, Torá, Talmud etc.). Isso significa o fim da sequência ACORDA!, já que não vou mais lançar mão do ceticismo derrubador de religiões.

As mudanças que descrevi acima significam uma coisa: que crítica à religião não será mais um tema majoritário no Arauto da Consciência, mas um tema secundário contido na categoria de Humanidades — mas que pode entrar em contato interdisciplinar com os temas de direitos animais, meio ambiente e veg(etari)anismo.

Quanto aos posts existentes que critiquem a religião sem motivos éticos específicos, penso em apagá-los ou escondê-los em breve.

*Abraâmico: referente às religiões monoteístas que creem no profeta Abraão/Ibrahim — cristianismo, judaísmo e islamismo

P.S.: Essa é uma ótima notícia para @s espíritas e outr@s crentes em espíritos e vida pós-morte que vinham se incomodando com os textos aqui presentes sobre sua crença-doutrina.

imagrs

3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Marina

junho 19 2010 Responder

Fico feliz porque adoro ler o blog de vocês e me tornei vegetariana pelo meio ambiente, pelos animais mas principalmente pela minha religião que apoia totalmente (espiritismo). De qualquer modo, nunca me senti ofendida, ao contrário, gosto muito de ouvir as críticas para que eu possa me questionar ainda mais, aceitando diversas opiniões tendo uma fé raciocinada. Boa sorte com as mudanças, vocês são demais

    Robson Fernando

    junho 19 2010 Responder

    Obrigado, Marina. Embora este blog tivesse uma posição cética e crítica em relação às religiões, o papel de crítico e refutador ainda era fraco demais. Sendo o blog fraco em criticar religiões, parecia mais que eu estava apenas polemizando sem uma boa causa do que realmente conscientizando em prol de uma visão de mundo racional e cética. Também por isso, eu decidi jogar pros blogs existentes de ateísmo e ceticismo esse papel de questionar religiões e fenômenos ditos sobrenaturais.
    bjs

João Ezaquiel

junho 19 2010 Responder

Um posição mais tolerante e democrática. Parabéns.

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