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Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 49)

Estudo desvenda ação do veneno em picada de jararaca

Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros identificou o mecanismo de ação do veneno das cobras da família das jararacas. Além do efeito tóxico que atinge o corpo todo e é combatido pelo soro antiofídico, o veneno das cobras botrópicas tem uma ação específica no local da picada que pode causar inflamação, hemorragia e, em alguns casos, levar à necrose e à amputação da parte atingida.

A proteína envolvida no efeito local, a jararagina, acumula-se junto aos vasos sanguíneos, danificando-os e precipitando a hemorragia, explica Cristiani Baldo, do Laboratório de Imunopatologia do Instituto Butantã, principal autora da pesquisa. A descoberta pode apontar o caminho para novos tratamentos.

A jararagina havia sido isolada em 1991, mas só agora sua ação foi comprovada. “Injetamos a proteína, marcada, em camundongos e vimos que ela se localiza bem perto do vaso sanguíneo e o degrada.

Uma possibilidade de tratamento aberta pelo estudo, publicado no site PLoS Neglected Tropical Diseases, seria o uso de inibidores de metaloproteinase, a classe de proteínas a que a jararagina pertence, em combinação com o soro antiofídico. “Mas é preciso estudar qual o inibidor mais adequado, ver se não teria um efeito ruim na saúde”, alerta a pesquisadora.

Em 2008, o Ministério da Saúde registrou 26,9 mil casos de picadas por cobras venenosas, sendo mais de 70% por cobras da família das jararacas. Desses casos, em 10% houve sequelas por causa de complicações locais.

Não bastou envenenar os animais. Eles foram mortos depois de 15 minutos de dor incessante por inalação de gás carbônico, segundo a própria pesquisa.

E para agravar a coisa, a pesquisa não foi uma descoberta de cura, mas o estudo do efeito nocivo de um veneno.

Na Folha.com, que omitiu a tortura e assassinato dos camundongos, 4 dos 6 comentários deram parabéns à pesquisa, tudo indicando que seus autoræs desconheciam a metodologia dela.

A pesquisa se mostra como um avanço científico importante, mas eticamente o que vemos é mais um atentado à vida animal. Será que essa pesquisa seria tão aclamada se os indivíduos envenenados e assassinados fossem, digamos, bebês humanos? Será que nesse caso o fim justificaria os meios?

Em suma, mais um episódio da bicentenária novela da tortura de animais em nome da ciência. E ainda foi feita sob a vigência da Lei Arouca, que supostamente “protege” os animais “de laboratório”. O dito desconexo d@s vivisseccionistas não engana ninguém.

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Francisco B.

julho 28 2010 Responder

Pra observar o efeito, não daria para deixá-los inconscientes? Afinal, a observação dos processos de degradação não dependem da experienciação consciente do camundongo pela dor. Ou não? Não sei. Só sei que que Lei Arouca é respeitada sim em várias ocasiões. Mas fazer o que, o ser humano não tem empatia nem pelos seus semelhantes. Imagine extender o círculo empático à outros mamíferos

    Robson Fernando

    julho 28 2010 Responder

    Francisco, pior é que nem daria, já que a experiência requereu arrancar uma significativa área da pele do animal, onde foi injetado o veneno.

    Quanto à Lei Arouca, percebamos que ela por inteiro é um dito desconexo – ideias que não correspondem aos fatos. Mandar a vivissecção evitar sofrimento animal é como mandar a guerra evitar matar civis ou causar sofrimento nos militares inimigos baleados.

      Francisco

      julho 29 2010 Responder

      Robson, sua resposta não responde minha pergunta. Eu perguntei, deixando o animal inconsciente, daria para observar a interação biomolecular da jararagina com o tecido? Preste atenção na palavra inconsciente. Você morre todas as noites enquanto dorme, você fica inconsciente toda noite enquanto dorme. Você fica inconsciente quando toma hipnóticos indutores do sono durante cirurgias.

      Se não há consciencia, não há dor. E se isso não for uma objeção à pesquisa, não vejo por que não realizar o experimento nessas condições. Que condições? Inconsciencia total. A pesquisa é realmente necessária? Não sei. Vai afetar o resultado ou objetivo da pesquisa se o animal for posto inconsciente? Não. Não? Então não tenho objeções.

      A Lei Arouca estabelece a eliminação do sofrimento. Fim. Experimentadores seguem essa ética? Não. Eu me importo? Sim. Eu lamento? Sim. Mas existem outras coisas mais urgentes do que o fato de que humanos não tem empatia com o sofrimento animal. Por exemplo: o fato de que humanos não tem empatia com humanos. Esse é um problemão muito intrincado e muito mais urgente. Quando estivermos próximos, repito, próximos de uma situação ideal de empatia para com humanos, talvez toda a sociedade humana se preocupe, de maneira AUTOMÁTICA, com a ética animal, não porque é uma questão de consistência ética formal, mas porque vão sentir-se compelidos à esse comportamento, sem qualquer coerção do pensamento racional. Será tão automáticos que movimentos de libertação animal serão inúteis. Eu por exemplo não precisei ler nenhum livro de Tom Regan ou Peter Singer para ter empatia com animais e ser vegan. Empatia não é uma questão majoritariamente panfletária, mas predominantemente cognitiva, de desenvolvimento mental e psicológico.

        Robson Fernando

        julho 29 2010 Responder

        Francisco, ao meu ver, não seria possível, pois a pesquisa requereu uma observação lateral, um corte longitudinal da pele do animal. Mas é capaz até de não ter sido obrigatória a morte do animal, caso haja forma de fazer corte longitudinal na pele sem a “necessidade” de matar o ser.

        Sobre a inconsciência na vivissecção, ela não é regra geral. Muitas vezes a pesquisa com cobaia requer de fato que o animal sofra e/ou seja morto. Vários posts daqui do blog (da sequência “Mais uma perversão de cientistas torturadores”) denunciam isso.

        A Lei Arouca teoricamente estabelece a diminuição do sofrimento, é verdade, mas não o fim absoluto dele (já que reconhece que em alguns momentos ele poderá ser diminuído, não eliminado). E é nada mais que uma lei bem-estarista, que proporciona a continuação da exploração de forma regulamentada e tenta protegê-la dos críticos que se focam na crueldade.

        Sobre essa parte:

        Mas existem outras coisas mais urgentes do que o fato de que humanos não tem empatia com o sofrimento animal. Por exemplo: o fato de que humanos não tem empatia com humanos. Esse é um problemão muito intrincado e muito mais urgente. Quando estivermos próximos, repito, próximos de uma situação ideal de empatia para com humanos, talvez toda a sociedade humana se preocupe, de maneira AUTOMÁTICA, com a ética animal,

        Tom Regan diz:

        “Vamos resolver os problemas humanos primeiro.”
        Uma última objeção a se considerar não desafia a verdade dos direitos animais; ela só pretende nos colocar no “nosso devido lugar”, lugar esse que fica “lá no final da vida”. “Há tantos problemas humanos terríveis diante de nós”, diz a objeção, “da fome à guerra, da assistência à saúde ao analfabetismo. Depois que resolvermos esses problemas, daí sim é que poderemos voltar nossa atenção para os direitos animais.”
        Você não precisa ser cínico para ver que essa é a receita para a negligência perpétua dos direitos animais. Se formos realistas, saberemos que sempre haverá alguns problemas humanos para serem resolvidos. (Por exemplo, não é verdade que “os pobres estarão sempre conosco”?) Assim (supondo a objeção), nunca chegará o dia em que poderemos voltar nossa atenção para os direitos animais. (…)

        Ainda não tenho conhecimento filosófico bastante sobre isso, mas ao meu ver a não-empatia entre humanos é diretamente relacionada à não-empatia de humanos pra com não-humanos.

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