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jul10

Paraíso de Mannahatta. Destruído para virar a superurbana Manhattan

Assisti a esse vídeo do TED Talks, lá no blog E Esse Tal Meio Ambiente?, e me impressionei com duas coisas. Assista primeiro ao vídeo ou, se preferir, pule para meu comentário.

Selecione na lista de idiomas “Portuguese (Brazil)” para entender a fala caso não saiba ouvir inglês fluentemente.

Primeiro, com o avanço da ecotecnologia, que foi capaz de reconstituir, de forma extremamente sofisticada, como era um habitat há mais de 400 anos, antes de seu local se tornar uma supercidade. Como a ecologia, aliada à tecnologia dos Sistemas de Informação Geográfica e à computação, conseguiu nos levar de volta a um paraíso perdido muito bem reconstituído graficamente.

Segundo, com o efeito ecocâncer que o ser humano promoveu no local. Um paraíso de biodiversidade – segundo o discursante, superior em variedade de espécies animais e vegetais até aos famosos parques euamericanos de Yellostone e Yosemite – foi gradativamente destruído para dar lugar àquela que hoje é uma das mais sofisticadas e ultraurbanizadas cidades do mundo.

Fiquei indignado enquanto assistia ao vídeo, mas percebi que, nos séculos em que a destruição do Paraíso de Mannahatta se deu para dar lugar à Manhattan da cidade de Nova York, não existiam a consciência ambiental que se desenvolveu a partir da segunda metade do século 20, a noção de como a natureza preservada é importante para a sobrevivência da humanidade, o valor ético de manter a biodiversidade intacta e fazer da humanidade filha amorosa, e não inimiga, da natureza.

O que existia naqueles séculos era um antropocentrismo fortíssimo de influência cristã, a noção de que a natureza devia ser dominada, subjugada, não preservada e respeitada, além do euro-brancocentrismo que preconizava a superioridade europeia perante as culturas “selvagens” que eram os povos indígenas da América, da África e da Oceania – e deu origem ao racismo pseudocientífico do século 19. Era, portanto, o império da ignorância.

Olho para a questão de Mannahatta e em seguida olho para o estuário do Ipojuca, marcado para morrer pelo governo de Eduardo Campos, e percebo com muito pesar que parece que a ideologia ultra-antropocêntrica que destruiu aquele paraíso biodiverso euamericano ainda prevalece na mente atrasada de algumas pessoas. “É” Motosserra não pensa que pode aliar seu industrialismo à preservação do ecossistema estuarino, mas sim que a destruição, por mais hedionda e vasta que seja, deve ser promovida se ele quiser cumprir com seus compromissos de governo de trazer desenvolvimento, emprego e renda para a população pernambucana.

Reitero aqui e vou reiterar em todos os posts em que eu citar Suape: não voto em Eduardo Campos, ele não merece meu voto nem o de ninguém. E vou desencorajar que votem nele, sempre que possível.

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