30

jul10

Pequenez e acomodação: cientista diz ser “quase impossível” parar de explorar animais em laboratório

Cientista diz ser ‘quase impossível’ deixar de usar animais em pesquisas

A pesquisa precisa usar cada vez menos bichos em experimentos, mas nunca será possível abrir mão completamente dos animais no meio científico. Essa é a avaliação do médico Marcelo Morales, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que falou sobre o tema durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre nesta semana em Natal.

“Vai ser muito difícil, quase impossível [não usar animais em pesquisas]. Quando testamos um medicamento que pode curar uma célula de câncer, é possível fazer um frasquinho com uma célula cancerígena, tratar e ver. Mas será que quando injetado no rato, no camundongo, no ser humano, no porco, no macaco, não vai matar o organismo inteiro?”, questionou.

A pesquisa precisa usar cada vez menos bichos em experimentos, mas nunca será possível abrir mão completamente dos animais no meio científico. Essa é a avaliação do médico Marcelo Morales, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que falou sobre o tema durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre nesta semana em Natal.

“Vai ser muito difícil, quase impossível [não usar animais em pesquisas]. Quando testamos um medicamento que pode curar uma célula de câncer, é possível fazer um frasquinho com uma célula cancerígena, tratar e ver. Mas será que quando injetado no rato, no camundongo, no ser humano, no porco, no macaco, não vai matar o organismo inteiro?”, questionou.

Morales foi um dos grandes incentivadores da Lei Arouca, regulamentada há um ano, que estabelece regras para o uso de animais em pesquisa no Brasil. Apesar de julgar importante utilizar cobaias, ele se considera um ativista em prol dos bichos. “Eu lutei para que fosse criada uma lei que protegesse os animais.”

Segundo o cientista, que é membro do Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea), a Lei Arouca ainda não foi completamente implantada, pois ainda falta definir qual órgão federal fará a fiscalização do uso de animais em pesquisa, além de ser necessário criar um cadastro das instituições que conduzem esses estudos.

O médico defende, também, que sejam financiadas novas pesquisas para métodos alternativos ao uso de bichos durante os testes. “Ainda há poucos laboratórios que fazem. No exterior, isso é mais avançado.” [Mas, com a acomodação e a pequenez de inovação e tecnologia dessa turma que incita a continuação da vivissecção, esse discurso de defender pesquisas para alternativas é vazio e retórico. Aliás, que importância ética teriam os métodos alternativos de pesquisa se eles, segundo o vivisseccionista-mor, não conseguiriam substituir de verdade a vivissecção?]


Conscientização [sic]

Depois de conseguir aprovar a lei, pesquisadores agora se esforçam para mostrar às pessoas que precisam usar animais para fazer ciência. “Quando falo que sou pesquisador, cientista, a primeira coisa que vem na cabeça das pessoas é que eu mato ratinhos”, diz Morales.

Recentemente, um grupo de acadêmicos, entre eles a SBPC e a Associação Brasileira de Ciências (ABC) conseguiu apoio do governo federal para veicular um comercial de TV dizendo que “hoje, quase todos os medicamentos (..) são resultado de pesquisa com animais de laboratório”.

De acordo com o cientista, haverá também campanha nas escolas públicas de ensino médio, com cartilhas e cartazes. “Isso vai incitar o aluno à discussão”, defende.

O discurso do vivisseccionista-mor demonstra duas desqualidades d@s cientistas interessad@s na vivissecção: pequenez e acomodação.

Pequenez porque, implicitamente, expõem uma biomedicina pequena demais para vencer o paradigma bicentenário de explorar e matar animais para fins de pesquisa. Essa ciência seria incapaz de se aliar à tecnologia, em especial à da informação, para criar réplicas digitais de organismos complexas o bastante para se testar a injeção de fórmulas e a ação de doenças, e o máximo aonde poderia chegar seriam pesquisas in vitro e simulações virtuais ambas simples, que ainda por cima seriam apenas complementares à metodologia principal, que é a exploração das cobaias.

Seria virtualmente impossível para essa gente complexificar a metodologia in vitro com, por exemplo, culturas compostas de tecidos e aparelhos que desempenhassem funções orgânicas – e outras tecnologias que estão além do que eu atualmente conheço.

Acomodação porque, diante da “quase-impossibilidade” de substituir pesquisas com cobaias, o jeito é acomodar-se e usar o que tem – a vivissecção, óbvio, e as “complementares” e “limitadas” pesquisas alternativas. Se é “quase impossível”, para que esforçar-se para tentar quebrar essa “intransponível” barreira de limitação tecnológica? Usa o que tem disponível e pronto. Animais? Tem uma lei aí para tranquilizar a população, para fazê-la acreditar que hoje eles são mais respeitados e bem-tratados do que antes, e para dar aos cientistas a capacidade da autoenganação (“Estou sendo étic@, não estou causando sofrimento intenso nesses camundongos – embora eu vá matá-los daqui a alguns dias e eles tenham vivido desde nascença aprisionados em células no biotério.”).

Que me desculpem o julgamento meramente opinativo, mas essa categoria científica, com essa atitude, é uma vergonha para a própria ciência.

Pelo visto, só no “tranco” – leia-se pressão do ativismo em prol dos direitos animais – é que vão ser adquiridas coragem e vontade política para essa biomedicina, hoje dependente da tortura e morte de milhões de animais por ano, sair desse atraso ético e tecnológico acomodado.

imagrs

3 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Sami

agosto 7 2010 Responder

Qual a alternativa então?

    Robson Fernando

    agosto 7 2010 Responder

    A questão é o interesse de se desenvolver alternativas, interesse que no momento não existe na maioria dos cientistas.

    Elas estão aparecendo aos poucos – itens eletrônicos que substituem órgãos, culturas complexas de tecidos, simulações computadorizadas cada vez mais avançadas etc. -, mas é necessário interesse da comunidade científica pra que em médio e longo prazo substituam de vez a experimentação animal.

    No entanto, as SBPC da vida vêm fazendo o papel de Sociedade Brasileira para o Atraso da Ciência.

Sua opinião é bem vinda, desde que respeitosa. Fique à vontade para comentar abaixo