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jul10

Preconceito na TV e luta pelo respeito aos ateus: a hora é essa

Assim Datena e muitas outras pessoas veem os ateus. Precisamos começar a nos mobilizar para exigirmos respeito.

As ofensas proferidas pelo apresentador José Luiz Datena contra nós ateus no último dia 27 foram um capítulo mais na triste história da intolerância religiosa no Brasil. Mas, pensando melhor, esse mal pode, quem sabe, ter vindo para um bem maior. Me refiro à oportunidade de ouro que estamos tendo agora para nos mostrarmos à sociedade e derrubarmos o preconceito que, latente ou explícito, grassa na altamente teísta população brasileira.

Seu Datena acabou fazendo o favor de tirar do underground e trazer à tona a intolerância existente contra pessoas desprovidas de fé religiosa, mostrando ao Brasil inteiro que ela é forte, tanto quanto a homofobia, e faz parte da mentalidade de muitos cristãos. Até esse auge da ira preconceituosa dele, a ateofobia quase não era comentada na sociedade, o discurso do respeito às diferenças praticamente ignorava os ateus enquanto minoria discriminada, enquanto os debates sobre a homofobia e o racismo se mantinham em alta.

A atitude dele “ensinou” em rede nacional que não existe no Brasil uma verdadeira “democracia interreligiosa” a abraçar com igualdade e harmonia todos os credos e não-credos, assim como a “democracia racial”, por sua vez de forma racional, também foi sendo relegada a mito pelos sociólogos desde meados do século 20.

Os defensores brasileiros dos direitos dos homossexuais aproveita(ra)m o momento de secularização da cultura, a expansão das facilidades da Era da Informação e as manifestações do preconceito cristão para começar a desafiar o conservadorismo intolerante da sociedade e mostrar-se pessoas dignas, benignas e merecedoras integrais de direitos, angariando cada vez o respeito e simpatia dos heterossexuais.

Agora é nossa vez. O estopim aconteceu. Estamos expostos para o Brasil. Os ateus, ainda que por um acontecimento que não se desejava, agora têm muitos holofotes voltados para si. E grande parte da sociedade nos olhando, na expectativa de como nos comportaremos, se corroboraremos a argumentação do apresentador ou a reduziremos à mentira discriminatória. É a nossa chance de mostrar à população mal-informada que os formadores de opinião ateofóbicos como Datena e muitos padres e pastores estão errados, que somos pessoas do bem, dignas, orientadas por uma ética válida, e que queremos respeito incondicional de todos aos nossos direitos humanos e constitucionais.

Precisamos juntar os ateus mobilizados, membros de ONGs ou não, que não optaram por ignorar ou baixar a cabeça, para compor uma massa de mobilização nacional, para dizer ao Brasil que também sofremos preconceito e violência – seja ela verbal, psicológica ou física – e, assim como todas as demais minorias, não aceitamos essa situação. Falemos aos quatro ventos que queremos ser respeitados tanto em nossa dignidade como no nosso direito de não crer em deuses.

Façamos algo, comecemos nossa luta, para sermos enfim incluídos no discurso do respeito às diferenças. E, agora que estamos expostos para a sociedade, com refletores em cima de nós, a hora é essa para que esse algo seja feito. Ações judiciais contra Datena por preconceito, calúnia, injúria e difamação; campanha nacional de conscientização; impulsionamento da militância ateísta pró-tolerância… De alguma forma, ajamos.

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8 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Ateísta Capixaba Netto

julho 30 2010 Responder

Acabou a Hipocrisia, é a nossa Hora de exibirmos nossos Direitos como Cidadãos, porque o que o Datena esbravejou em rede nacional é o que a maioria da População Brasileira pensa, apoía e gostaria de ter coragem de dizer.
Basta!Deus Não Existe!
Não consegue viver sem isto? Converta-se ao Islã e se Exploda!
O Datena é só para começar, porque o restante irá penar.

Wilson Oliveira

julho 30 2010 Responder

Concordo, Já demos uma prova da Mobilização principalmente nas redes sociais da internet, porém a “sociedade Ateísta” é muto desmobilizada e o número de ateus que “não saem do armário” por medo exatamente do veneno desferido por preconceituosos e ignorantes (talvez isso seja um pleonasmo) como esta tal “jornalista”. É necessário uma campanha ferrenha para que os ateus tenham ORGULHO de sua condição de livre-pensador. Assim como existem “passeatas”, “dias internacionais”, e outras manifestações ORGULHO da condição das chamadas minorias, (principalmente dos homossexuais), os ateus devem, antes, se enquadrarem nestas minorias e também propalar seu orgulho. Só assim a mobilização trará realmete algum resultado eficaz.
Só para citar um exemplo, quando alguém tem qualquer manifestação de homofobia, um sem-número de entidades de defesa dos homossexuais, com toda a razão, se manifesta contra o preconceito, e assessorado por advogados que lutam pelas suas causas, impetram processos judiciais. Mas onde estão as entidades pró-ateus? Processos judiciais individuais não tem a mesma força, mesmo quando tem sucesso, que amparados por entidades de defesa de “classe”, principalmente das chamadas minorias.
O Apelo que faço é pela união, para que possamos ser cada dia mais fortes.

Dauton

julho 30 2010 Responder

O tabuleiro está colocado… resta a nós mover as peças!

Hugo

julho 30 2010 Responder

Uma pergunta: COMO?

    Robson Fernando

    julho 30 2010 Responder

    Isso é o que vamos ver ao longo do tempo. Processar Datena e exigir direito de resposta já é um começo.

Ateu

julho 30 2010 Responder

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