Falei recentemente que não criticaria mais religiões aqui no Arauto apenas “por criticar” ou por aparente desejo neoateísta de extingui-las. Mas falei também que as religiões que violarem direitos humanos ou animais seriam criticadas.

Pois é o que faço em relação a notícia abaixo.

Vaticano prevê excomunhão para punir ordenação de mulheres

O Vaticano publicou nesta quinta-feira novas normas que estabelecem que a tentativa de ordenação de mulheres como sacerdotes da Igreja é um delito grave e que pode ser punido com a excomunhão dos envolvidos.

As regras fazem parte da primeira modificação em nove anos da legislação canônica relacionada aos delitos “cometidos contra a moral ou na celebração dos sacramentos”, feita após uma revisão do papa Bento 16.

Entre outras modificações, o texto também estabelece novas regras para lidar com maior rapidez com acusações de abusos sexuais contra menores cometidos por sacerdotes, após denúncias em diversos países terem causado uma crise em setores da Igreja.

No documento –que foi enviado aos bispos do mundo inteiro–, o Vaticano afirma que a tentativa de “ordenação sagrada” de uma mulher é algo grave e que, caso isto aconteça, tanto a mulher como o sacerdote que participa da cerimônia de ordenação serão punidos.

Como o Vaticano não aceita a ordenação de mulheres, o resultado desta ordenação também não será reconhecido.
“Qualquer um que tente conferir a ordenação sagrada a uma mulher, assim como a mulher que tentar receber a ordenação sagrada, incorre na (possibilidade de) excomunhão”, diz o documento.

PRESSÃO

De acordo com o correspondente da BBC em Roma David Willey, a classificação da ordenação de mulheres como crime grave é algo novo entre as regras da Santa Sé.

Willey disse que as autoridades da Igreja, no entanto, deixaram claro que o fato de as regras aparecerem no mesmo documento que condena atos de pedofilia praticados por sacerdotes não quer dizer que o Vaticano esteja equiparando estes crimes.

A intenção do papa ao estabelecer as regras seria a de dissuadir pequenos grupos de católicas em diversos países que têm pressionado o Vaticano pelo direito de serem ordenadas.

De acordo com a tradição da Igreja Católica, Jesus teria escolhido apenas homens como seus apóstolos, o que impediria a ordenação de mulheres.

Outras denominações cristãs, como a Igreja Anglicana, aceitam a entrada de mulheres no clero.

Fala-se na Antropologia e na Sociologia das Religiões que uma regra que, por exemplo, consideramos misógina e patriarcalista é justificada por questões culturais inerentes àquela sociedade específica. Mas não creio que isso funcione da mesma forma na sociedade ocidental contemporânea, globalizada e de direitos cada vez mais abrangentes. Hoje não existe mais uma lógica sociocultural que fundamente a misoginia do clero católico.

Essa atitude não tem mais uma justificativa social, está mais é fedendo a um ultraconservadorismo de pessoas que, se estivessem governando o mundo, imporiam um totalitarismo de deixar Hitler e Mussolini babosos.

O que mais me deixa perturbado é que existem denominações cristãs que pregam direitos clericais para as mulheres e tratam-nas com relativa igualdade em relação aos homens (lembremos que o cristianismo, de qualquer denominação, tem uma base bíblica patriarcalista e misógina, o que impede que exista uma denominação igualitária), mas mesmo assim muitas católicas ainda não aceitam migrar para elas e preferem continuar submissas à sua religião gerida por homens extremamente misóginos.

Isso me faz torcer para que a Igreja Católica continue perdendo fiéis.

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