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ago10

Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 50)

Uma notícia que parece falar de algo trivial, mas que, quando vemos mais adiante, implicou a tortura de animais.

Cientistas desvendam relação entre cheiros, sons e memória

Não é novidade que imagens, sons e cheiros podem evocar memórias e despertar emoções, mas agora uma nova pesquisa explica o motivo pelo qual isso acontece. Em um estudo realizado com ratos, cientistas do Instituto Nacional de Neurociência, em Turim, na Itália, descobriram que a mesma parte do cérebro que é responsável pela elaboração de nossos sentidos também tem a função, pelo menos em parte, de guardar nossas memórias emocionais. Os resultados foram publicados na edição de agosto da revista Science.

Sabemos que o cheiro do peru, por exemplo, poderia evocar um sorriso pois ele pode lembrar um natal alegre. Enquanto o som de uma broca poderia fazê-lo sentir medo, pois pode estar ligado a sua última consulta odontológica.

Em pesquisas anteriores, os cientistas não tinham considerado as regiões sensoriais do cérebro tão importantes para as memórias emocionais, afirmou em entrevista ao site Live Science o pesquisador Benedetto Sacchetti, do Instituto Nacional de Neurociência. E, mesmo com algumas das novas descobertas ainda em fases preliminares, o pesquisador afirma que elas indicam que estas regiões do cérebro podem sim desempenhar um papel em emoções fortes como o medo e em alguns transtornos de ansiedade.

Por exemplo, uma pessoa com disfunção nestas áreas tem dificuldade em diferenciar entre imagens, sons e outros estímulos o que ela deve e que não deve temer, o que resulta em medo generalizado e ansiedade.


Imagens, sons e choques

O córtex sensorial do cérebro é dividido em duas partes – a parte primária e a secundária – e recebe e interpreta sinais dos nossos olhos, nariz orelhas, boca e pele. O córtex sensorial secundário é responsável pelo processamento de informações mais complexas sobre um estímulo, como a distinção entre os diferentes tons musicais.

Em uma primeira experiência, Sacchetti e seus colegas treinaram [sic] ratos para associar um som com um choque elétrico. Os animais treinados “congelavam” ao ouvir o som. Um mês depois, os pesquisadores criaram lesões no córtex secundário de alguns dos cérebros dos ratos para interromper o perfeito funcionamento desta região responsável para processar o som.

Os ratos portadores de lesão congelavam com muito menos frequência do que aqueles sem lesões, indicando que os ratos lesados tinham dificuldade em lembrar da memória do medo criada.

O fato sugere que a informação sensorial – um som em particular – está associada à informação emocional – a memória do medo – e ambas são armazenadas no córtex auditivo como um único pacote. Isso permite que o som adquira um significado emocional.

Os investigadores viram os mesmos resultados em ratos com lesões na parte do cérebro responsável por interpretar visões e cheiros, o córtex visual e olfativo, respectivamente. Nestes ensaios, os ratos foram treinados [sic] para temer luzes e o cheiro de vinagre.

Em todos estes experimentos, os ratos com lesões ainda eram capazes de formar novas memórias de medo, sugerindo que o córtex sensorial são necessários para armazenar, mas não na criação das memórias emocionais.


As memórias emocionais

Os pesquisadores mostraram ainda que as áreas do córtex auditivo, visual e olfativo guardam recordações relacionadas com um sentido específico. Lesões no córtex olfativo não impediu que ratos treinados [sic] associassem um som com a memória do medo.

Experimentos revelaram ainda que o córtex sensorial armazena informações específicas para o significado emocional do som, cheiro ou lugar.

Os ratos se assustam quando ouvem pela primeira vez um som, independentemente de ele estar vinculado a um evento assustador. Mas, eventualmente, em um processo chamado habituação, eles se acostumam ao som. A equipe quis saber se estas memórias sensoriais que não envolvem o medo ainda estavam armazenadas no córtex secundário. Então, eles habituam os ratos a um som sem choque elétrico. Um mês mais tarde, as lesões foram feitas no córtex dos ratos secundário para todos os sentidos. Os ratos lesados ainda não se assustavam ao ouvir o som, sugerindo que o córtex secundário apenas guarda lembranças se o estímulo é ligado à uma emoção. Logo, os cientistas acreditam que as memórias sensoriais devem ser armazenadas em outra região do cérebro.

Os pesquisadores afirmam que o córtex secundário provavelmente não é a única região cerebral envolvida no armazenamento de memórias emocionais ligadas aos sentidos. Outras áreas, como as amígdalas poderiam participar também.

Embora os ratos sejam considerados um bom modelo para estudos como este, os cientistas observam que é necessário fazer mais pesquisas para determinar se os resultados se aplicam aos seres humanos.

É fácil deduzir como foram esses “treinamentos”: provocação de choque nos animais – tanto que passavam a sentir medo do som do choque elétrico, traumatizados, aterrorizados pela tortura que a eletricidade lhes infligia. O mesmo se aplicava ao vinagre – provavelmente como substância que irritava ferimentos provocados.

E ainda por cima ainda foi provocada lesão no cérebro de diversos camundongos, uma agressão óbvia ao corpo dos bichos.

E vai caminhando a ciência biomédica, sem preocupação alguma com a ética. Parafraseio Marcelo Pelizzoli, que provavelmente será meu professor: “Perdemos então o contato com nossa base ecológica e biológica. Tal separação manifesta-se na grande disparidade entre o desenvolvimento intelectual, conhecimento científico e qualificações tecnológicas por um lado, e o atraso em termos de sabedoria , espiritualidade e ética de outro lado.”

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