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ago10

Queixa relativamente antiga de preconceito contra ateus

Trago um artigo interessante, postado em um blog que está abandonado há quatro anos, sobre o preconceito contra ateus.

Posto-o com a esperança de que (a aversão pronunciada por) Datena tenha de fato acordado a luta ateísta contra a discriminação.

O último dos preconceitos
por Gustavo Lacerda, no “O blog do cético brasileiro”, artigo escrito em dezembro de 2006

Nós temos orgulho da tolerância religiosa aqui estabelecida. Em nosso país, católicos, protestantes, judeus, mulçumanos, espíritas, ubamdistas, budistas, todos vivem em paz. Diferentemente de outros países onde a opção religiosa é motivo de segregação social e até guerras, aqui vivemos na mais profunda harmonia. Há uma ressalva a ser feita. A tolerância religiosa é válida, contanto que você professe alguma religião, como sabiamente expôs Leo Vines, criador da Sociedade da Terra Redonda.

Negros, homossexuais, judeus, deficientes, nordestinos, mulheres enfim, cada grupo que outrora foi vítima de preconceito neste país conseguiu se fazer respeitada, ou ao menos tolerada. Hoje em dia, não é aceito socialmente discriminar representantes de qualquer um destes grupos. As pessoas que insistem no preconceito são socialmente mal vistas. Em alguns casos são até processadas e eventualmente condenadas. O último preconceito socialmente aceito é justamente o preconceito com os ateus. Pode-se discriminar, fazer chacotas, mostrar repulsa ou constranger. Sendo contra ateus ninguém vai lhe olhar torto por isso.

O incrível é que mesmo pessoas supostamente inteligentes disseminam impunemente o preconceito contra ateus. Os ateus são vistos como pessoas malévolas e traiçoeiras e esses rótulos são propagados impunemente em qualquer grupo social. Brincadeiras, piadas infames e toda sorte de humilhação pública contra ateus é socialmente tolerada.

Nós ateus, por outro lado, temos de ser respeitosos. Não podemos dizer pro amigo espírita o quanto achamos boba a idéia dele de acreditar em fantasmões ou reencarnações. Não dizemos o quanto nos parece ridículo alguém, mesmo depois de crescido, achar que tem superpoderes como vidência ou premonição. Ouvimos todas as bobagens que nos são ditas com aquele ar respeitoso e cordial. Não podemos dizer também pro amigo católico o quanto achamos hipócrita a sua religião, que essa coisa de um amiguinho imaginário no céu ouvindo as preces é tola e infantil, que essa coisa de santos, anjos, demônios e o raio que o parta não têm nada diferente de qualquer mitologia barata. Não passamos na cara se eles fazem o que não lhes é permitido pela sua religião e não se arrependem disso.

Não rimos da cara de ninguém quando este dá um “graças a deus” ou quando ora numa situação difícil. Não descartamos a amizade de ninguém pela opção religiosa que essa pessoa professa e até admiramos sinceramente muitas pessoas que professam uma religião por quaisquer características suas, independente das convicções religiosas. Me oponho às idéias (e não renuncio isso), não às pessoas.

Muitas vezes a relação entre ateus e religiosos é uma via de mão única em termos de respeito. Esta situação por vezes chega a ser cansativa e não nego que dá vontade de chutar o balde. Decidi reagir e não mais tolerar qualquer desrespeito. Continuarei respeitando os que me respeitam. Os que me agredirem, não esperem que eu sorria amarelo e ofereça a outra face tal como o cordeirinho crucificado deles.

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