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ago10

Sete hipóteses usadas por onívoros para questionar o vegetarianismo

Abaixo um ótimo artigo do amigo e irmão de consciência Samory Pereira Santos, editor do blog Opinião Vegana. Ele responde a sete perguntas frequentemente soltadas por onívor@s (e, em alguns casos, até por alguns vegetarian@s incomplet@s) que tentam tornar contraditório o vegetarianismo e eticamente isento o onivorismo.

Sete hipóteses absurdas comuns
por Samory Pereira Santos

Todo vegano, ou mesmo protovegetariano, já ouviu alguma delas. Elas são as hipóteses absurdas, figuras retóricas que os creófilos usam normalmente de forma recorrente. Em geral, elas necessitam de algum entendimento equivocado sobre direitos animais aliado, muitas vezes, a uma desonestidade intelectual marcante. É uma expressão, de fato, do duplipensar onívoro, falado por Robson Fernando.

Então, salvas para as Hipóteses Absurdas:

1. E as plantas?

A rainha de todas as hipóteses absurdas, e as plantas? é a objeção mais comum aos direitos animais. Todo vegetariano já foi indagado sobre isso. Se não foi, ele não existe ou o é muito recentemente. Muita gente já a rebateu, mas sempre é bom falar sobre essa questão óbvia. O pensamento, em geral, parte da premissa de que toda vida é moralmente relevante, e que mortes são erradas. Portanto, para que sejamos éticos, temos de ser “respiratorianos”. Caso o contrário, matar animais não-humanos sencientes é moralmente correto ou indiferente.

Há uma diversidade de equívocos nesse pensamento: primeiro, poucos veganos pensam que “toda a vida é moralmente relevante”. Algo não é relevante per si, ela é relevante por uma qualidade que a torna valorável. A vida, em si, é moralmente irrelevante. É um fato, um substantivo. Agora, a vida senciente, a vida sapiente, a vida transcedente (se existir) são valoráveis. Veganos senciocêntricos valoram a vida senciente. (O motivo varia, mas em geral está relacionado a faculdade de ter interesses conscientes). Plantas não possuem senciência.

A segunda questão é de que matar é invariavelmente errado. Acabar com a vida de um objeto que é indiferente a ela, isto é, um ser não-senciente, é moralmente indiferente. Isso pois a própria planta não tem interesse em permanecer viva. Já animais possuem.

A partir do esclarecimento dessa ideia, é comum seguir-se com uma outra hipótese absurda.

2. A Vaca Super-Feliz

Essa questão só se aplica àqueles que não consomem laticínios.

Argumenta, o lacto/creófilo, que, caso o vegano tenha uma vaca (desconsiderando como é que ele acabou a tendo, podendo ser legado de seu passado especista) seria ético o vegano consumir os laticínios provenientes dessa vaca? Naturalmente, o tratamento dela seria da melhor qualidade possível, uma vez que o vegano é quem a cuidaria.

Sabe-se que, para que a vaca tenha leite, ela tenha que ter cruzado e, portanto, parido um bezerro. Seria ético forçar essa relação sexual? Se é com vegano, ela não foi forçado. Logo foi ético o vegano não ter a castrado? Se houve cruzamento, o vegano pelo menos cuida de um outro macho. De onde veio esse macho? Etc.

A questão, em si, se torna mais complicada do que fazer leite de aveia ou até mesmo aqueles queijos da comunidade Queijo Sem Leite.

Porém, no final das contas, ainda haverá um ponto inaceitável: a vaca é mero instrumento do vegano em adquirir seus laticínios “éticos”. Não, não seria ético.

3. A Carne de Morte Limpa

Muito similar a um problema sério de Direitos Animais, A Questão do Ovo Livre, que divide multidões veganas, essa ainda assim é absurda.

A questão é simples. Vê esse cão na foto? Ele não foi morto para ser consumido, foi acidental. Como vegano, você acha ético o consumir?

A questão não é tão simples quanto a questão da vaca. Depende muito da espécie, do contexto. Mas comer o cadáver, per si, não seria errado. Seria errado causar sofrimento ao grupo que ele pertence, uma vez que alguns animais ficam de luto. Há, contudo, quem discorde de mim. Mas isso são outros 500, e não autoriza 56 bilhões de mortes intencionais ao ano.

4. A ilha deserta

A clássica situação limite usada como chavão pelos creófilos: você está numa ilha deserta, só tem um animal por perto. Você o mata?

Acho válido mudar “um animal” para a espécie Homo sapiens sapiens. A resposta não muda: tentaria, caso não houvesse outra opção. Quando não há alternativa (e não, sua destruição não é alternativa), não se pode exigir ética.

5. Amamentação

Se é contra laticínios, é contra amamentação. Essa hipótese absurda é fruto da ignorância sobre os direitos animais. Nenhum crítico informado e sério deve fazê-lo, a não ser os alfascitas (mas eles não são nem um pouco sérios).

6. A pandemia e o experimento

Suponha que exista uma pandemia muito grave (algo como AIDs, mas bem pior). Seria ético testar em animais? Não seria, pois você estaria além de infligir danos a alguém que não tem nada ver com a história, está permitindo que haja erro. Se a pandemia é tão grave assim, qualquer desperdício de tempo seria antiético. O mais “ético” seria fazer testes naquele que teve a hipótese da pandemia ou em algum voluntário (que provavelmente irá surgir, pois há muitos querendo ser mártires).

7. Se animais tivessem direitos subjetivos, eles poderão votar

Primeiramente, para quem não sabe o que são direitos subjetivos: direito a vida, liberdade, ao voto, etc, são direitos subjetivos. Direito Civil, Direito Penal, etc, são direitos objetivos.

Direito subjetivo, em inglês, é right. Já Direito objetivo é Law. Entendeu?

Então, é um tipo de argumento de ladeira escorregadiça. Um fato irá escorregar até outro, bem absurdo. Por isso, não se pode deixar esse fato acontecer. Alguns juristas entendem que se os animais, para o Direito, deixassem de serem tratados como coisas, semoventes, e sim pessoas, eles teriam direitos anacrónicos, como direito ao voto. Naturalmente, eles estão procurando debochar de seus colegas animalistas. Nenhum abolicionista pediu direito a voto, direito a propriedade, nem nada do tipo, aos animais. Apenas que seus direitos a vida, liberdade, integridade física e psíquica fossem considerados pela juricidade.

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