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set10

A bancada ruralista deve ser expulsa de Brasília

Post originalmente publicado às 21:59 de 26/03/2010. Será “upado” sempre que eu achar necessário reiterar a necessidade de expulsar pelo voto a bancada ruralista do poder ou diminuí-la significativamente.

Uma vez declarei que tinha medo de Marina Silva por comportamentos dúbios de um passado então recente relativos a suas crenças religiosas. Depois de vê-la esclarecê-los, o medo acabou e passei a confiar nela como a melhor candidata à presidência de 2010. Entretanto, um outro temor faz-se forte: o de que a bancada ruralista do Congresso realmente cresça, talvez o dobro, e agigante seu já terrível poder político, tal como prometeu.

Quem participa de movimentos sociais e ambientalistas, mora em comunidades tradicionais, defende os animais, milita pela reforma agrária, é ameaçado por jagunços de grandes latifundiários, entre tantos outros tipos de pessoas, não só entende esse medo como também o manifesta. E dessa vez, ao contrário do caso de Marina, não há nada que aplaque a nossa apreensão diante dos possíveis êxito e expansão dessa bancada que definitivamente não visa o melhor para o Brasil, fora o nosso próprio voto.

Uma das parcelas mais conservadoras do Congresso e representante política dos latifundiários do agronegócio, sua vitória ameaçará muitas causas de bem comum pelas quais se luta há décadas: reforma agrária, ambientalismo, direitos animais, paz no campo, ética trabalhista (combate à exploração semiescrava no meio rural), justiça social…

***

Para amplificar este alerta à população, me vejo na necessidade de descrever os quatro mais significativos problemas que a vitória planejada dos ruralistas piorará (a ordem dos problemas não é um ranking de importância): o meio ambiente, a exploração animal, a reforma agrária e conflitos de campo e a exploração trabalhista.

a) Prejuízos ambientais: A referida bancada não dá a mínima para os problemas ambientais pelos quais o Brasil e o mundo passam – muito pelo contrário, sempre lutou para piorá-los ainda mais. Hoje já lutam para abrandar o Código Florestal, aumentar o desmatamento legalizado da Amazônia e reduzir praticamente à impotência uma das legislações ambientais federais mais fortes do planeta.

Com sua expansão, correremos alto risco de ver o avanço da preocupação ambiental dentro do governo estagnar, leis ambientais novas – aquelas que contrariarem os escusos interesses do agronegócio – serem barradas e as existentes serem atrofiadas ou encolhidas e num futuro próximo a Amazônia, o Cerrado e outros biomas serem confinados aos livros de geografia e biologia do passado e a fauna que lhes pertencem, aos zoológicos e criadouros autorizados.

Acrescentem-se nesse aspecto também os assassinatos de ambientalistas. Chico Mendes, Dorothy Stang e diversas outras personalidades menos conhecidas não me deixam mentir. Os latifundiários passam por cima de ecossistemas, comunidades tradicionais e povoados indígenas mesmo que isso implique também matar quem luta ativamente em oposição a tal atitude.

b) Recrudescimento da exploração animal: Os pecuaristas e os grandes fazendeiros de forragem animal (soja, milho e outros) poderão viver momentos de glória, ainda melhores que o atual, com um congresso mais ruralista aprovando tudo o que puder para beneficiar a pecuária de grandes proporções – como consequência, ainda mais animais serão explorados e mortos pelo setor. E os rodeios e vaquejadas, cujos senhores são em sua maioria esses grandes donos de gados, ganharão muito com a expansão de suas perniciosas atividades.

A legislação de proteção animal, tão rarefeita hoje no Brasil, poderá não só parar no tempo, como até retroceder, caso a bancada cresça o bastante para influenciar os legisladores a aprovarem o Projeto de Lei 4548/1998, que pretende retirar da proteção da Lei de Crimes Ambientais os animais domésticos e rurais. Mais leis a favor de rodeios e vaquejadas poderão ser fomentadas e aprovadas, para o maior sofrimento dos bois e cavalos.

A luta pelos direitos animais será prejudicada e encontrará um obstáculo ainda maior para crescer, ser levada a sério e se consolidar, com uma bancada que vive de explorar e matar animais rurais muito mais forte e disposta a não deixar passar qualquer lei de abolicionismo animal e alimentar a alienação ética dos brasileiros (leia-se comer carne, leite e ovos sem peso na consciência, admirar rodeios e vaquejadas, gostar de usar couro, zombar do vegetarianismo e do veganismo etc.).

c) Impedimento da reforma agrária e violência no campo: Como estamos falando de barões do agronegócio, grandes pecuaristas, latifundiários adeptos da monocultura de larga escala, a reforma agrária é algo demoníaco para sua bancada política. É um pesadelo para os ruralistas a possibilidade, hoje ainda utópica, de redistribuição de terras, uma vez que seu negócio seria frontalmente ameaçado – compreenda-se que os altíssimos e recordistas lucros do agronegócio só são possíveis porque o Brasil sofre com uma extrema concentração fundiária e, por isso, este é um setor econômico, socialmente falando, altamente parasitário que vive graças à exclusão social.

Assim sendo, não é de surpreender que a bancada ruralista lute com todas as forças, através de seus influentes lobby e alianças, para desencorajar e bloquear qualquer proposta política que vise uma justa redistribuição de terras, além de promover, através da mídia, a satanização e desmoralização de movimentos sociais que lutam pelo direito à terra. Pelos erros de uma organização, todas as demais terminam sendo taxadas de baderneiras e tratadas como uma patologia rural.

Acrescentando sua luta contra a reforma agrária, os grandes donos de terras também promovem repressão direta contra movimentos sociais que reivindicam justiça na distribuição fundiária no Brasil e lideranças indígenas que resistem à ocupação ilegal de suas terras ancestrais, através de jagunços e, muitas vezes, da invocação da polícia, cujos soldados, obrigados a se restringir a cumprir ordens de seus superiores, terminam advogando em favor dos ruralistas e reprimindo aqueles que invadiram determinada terra, mesmo quando esta é improdutiva. Desses conflitos repressivos, saem diversas mortes e prisões arbitrárias, divulgadas ou não pela imprensa.

Veja-se também a forte investida da bancada para barrar o Plano Nacional de Direitos Humanos, o qual pretende favorecer a negociação entre movimentos sociais e fazendeiros em detrimento da repressão deliberada, sob o pretexto da “violação do direito à propriedade privada”. Com o dobro do poder tal como anunciou como pretensão, é previsível que a reforma agrária seja impedida a todo custo, a violência no campo piore e essa oposição ao plano de direitos humanos se torne ainda mais poderosa.

d) Exploração trabalhista: há muitos trabalhadores submetidos a regimes de escravidão ou semiescravidão em muitos latifúndios. A bancada ruralista, em vez de visar a justiça e a ética em suas próprias propriedades, mune-se da capacidade de resistir até mesmo contra projetos de lei de combate ao trabalho escravo, votando contra eles e perpetuando a impunidade no campo. Parece tê-lo abraçado como herança das grandes fazendas das épocas colonial e imperial. É de se observar que o pretendido crescimento eleitoral dessa turma irá dificultar ainda mais iniciativas de combate à exploração degradante de trabalho braçal no meio rural brasileiro.

***

Há muitas razões pelas quais o pretendido crescimento da bancada ruralista é algo a ser temido e contra o qual devemos nos posicionar. Essa turma nos poderes Executivo e Legislativo representa não tudo, mas muito do que não presta para o Brasil. Como povo com o dever de decidir nas urnas seu próprio futuro, devemos mostrar com nosso voto que não queremos no poder mais ninguém que a ela pertença em Brasília.

Não deixemos nos enganar pela manipulação demagógica que os muitos candidatos ruralistas promoverão durante a campanha eleitoral. Não nos iludamos com aqueles que posarão de santos supostamente em defesa dos seus estados. Vamos, em vez de dobrar seu poder, expulsá-los de Brasília e das assembleias legislativas e palácios de governo de cada uma das unidades da federação. Isso abrirá o caminho para um país mais justo e respeitoso para com o meio ambiente, os animais e as pessoas que querem apenas um pedaço de terra para plantar e viver com dignidade.

***

Saiba o que a bancada ruralista vem fazendo com o Brasil, nesta coletânea de links de notícias dos últimos anos

Leia mais: Bancada ruralista é a favor de envenenar a população, sendo contra o banimento de agrotóxicos extremamente perigosos

***

Lista de parlamentares da bancada ruralista eleit@s em 2006 (não deixe que ninguém se reeleja) (Fonte: Congresso em Foco):

Deputados federais

Abelardo Lupion (PFL-PR) – reeleito
Afonso Hamm (PP-RS) – novo
*Aelton Freitas (PL-MG) – novo
Aníbal Gomes (PMDB-CE) – reeleito
Aracely de Paula (PL-MG) – reeleito
Armando Abílio (PSDB-PB) – reeleito
Aroldo Cedraz (PFL-BA) – reeleito
Átila Lins (PMDB-AM) – reeleito
Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) – reeleito
**Carlos Bezerra (PMDB-MT) – novo
Carlos Melles (PFL-MG) – reeleito
Chico da Princesa (PL-PR) – reeleito
Ciro Nogueira (PP-PI) – reeleito
Custódio Mattos (PSDB-MG) – reeleito
Darcísio Perondi (PMDB-RS) – reeleito
Dilceu Sperafico (PP-PR) – reeleito
Dona Íris Rezende (PMDB-GO) – nova
Edinho Bez (PMDB-SC) – reeleito
Edmar Moreira (PP-MG) – reeleito
*Elcione Barbalho (PMDB-PA) – nova
***Eliseu Moura (PP-MA) – reeleito
Eunício Oliveira (PMDB-CE) – reeleito
*Fátima Pelaes (PMDB-AP) – nova
Félix Mendonça (PFL-BA) – reeleito
*Francisco Rodrigues (PFL-RR) – novo
Gastão Vieira (PMDB-MA) – reeleito
Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) – reeleito
Gervásio Silva (PFL-SC) – reeleito
*Giovanni Queiroz (PDT-PA) – novo
Gonzaga Patriota (PSB-PE) – reeleito
Herculano Anghinetti (PP-MG) – reeleito
Hermes Parcianello (PMDB-PR) – reeleito
Homero Pereira (PPS-MT) – novo
Jaime Martins (PL-MG) – reeleito
João Leão (PP-BA) – reeleito
João Magalhães (PMDB-MG) – reeleito
João Matos (PMDB-SC) – reeleito
João Pizzolatti (PP-SC) – reeleito
José Múcio Monteiro (PTB-PE) – reeleito
José Rocha (PFL-BA) – reeleito
José Santana de Vasconcelos (PL-MG) – reeleito
*João Tota (PP-AC) – novo
Jovair Arantes (PSDB-GO) – reeleito
Júlio Redecker (PSDB-RS) – reeleito
Jusmari de Oliveira (PFL-BA) – nova
Leonardo Picciani (PMDB-RJ) – reeleito
Leonardo Vilela (PSDB-GO) – reeleito
Luciano Castro (PL-RR) – reeleito
Luís Carlos Heinze (PP-RS) – reeleito
Luiz Bittencourt (PMDB-GO) – reeleito
Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) – reeleito
Luiz Carlos Setim – Setim (PFL-PR) – novo
Luiz Fernando Faria (PP-MG) – novo
Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG) – reeleito
Marcondes Gadelha (PSB-PB) – reeleito
Mauro Lopes (PMDB-MG) – reeleito
Max Rosenmann (PMDB-PR) – reeleito
Milton Monti (PL-SP) – reeleito
Moacir Micheletto (PMDB-PR) – reeleito
Nárcio Rodrigues (PSDB-MG) – reeleito
Nélio Dias (PP-RN) – reeleito
Nelson Marquezelli (PTB-SP) – reeleito
Nelson Meurer (PP-PR) – reeleito
Odílio Balbinotti (PMDB-PR) – reeleito
Osmar Serraglio (PMDB-PR) – reeleito
Osvaldo Reis (PMDB-TO) – reeleito
Paes Landim (PTB-PI) – reeleito
Pompeo de Mattos (PDT-RS) – reeleito
Rafael Guerra (PSDB-MG) – reeleito
Roberto Balestra (PP-GO) – reeleito
Ronaldo Caiado (PFL-GO) – reeleito
Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) – reeleito
Saraiva Felipe (PMDB-MG) – reeleito
Sérgio de Oliveira Cunha – Petecão (PMN-AC) – novo
Silas Brasileiro (PMDB-MG) – reeleito
Vadão Gomes (PP-SP) – reeleito
*Valdir Colatto (PMDB-SC) – novo
Waldemir Moka (PMDB-MS) – reeleito
Wellington Fagundes (PL-MT) – reeleito
Zonta (PP-SC) – reeleito

(Nota do Arauto: adicionemos a esta lista Aldo Rebelo, que vota a favor do afrouxamento do Código Florestal. Confira aqui, aqui e aqui.)

* Atualmente, exerce mandato de senador.
** Deputados de legislaturas anteriores que retornam à Câmara.
*** Considerado reeleito pelo Diap, embora não exerça atualmente o mandato parlamentar (é suplente de deputado).

Senadores

Demóstenes Torres (PFL-GO) – atual
Edison Lobão (PFL-MA) – atual
Efraim Morais (PFL-PB) – atual
Eliseu Resende (PFL-MG) – novo
Expedito Junior (PPS-RO) – novo
Heráclito Fortes (PFL-PI) – atual
João Ribeiro (PFL-TO) – atual
Joaquim Roriz (PMDB-DF) – novo
Jonas Pinheiro (PFL-MT) – atual
José Agripino (PFL-RN) – atual
Kátia Abreu (PFL-TO) – nova
Leomar Quintanilha (PCdoB-TO) – atual
Leonel Pavan (PSDB-SC) – atual (é candidato a vice-governador no 2º turno)
Lúcia Vânia (PSDB-GO) – atual
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) – reeleito

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11 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Agricultura

agosto 16 2010 Responder

Antes de mais nada sou agricultor (pequeno).
Não vi o perfil do responsavel pelo texto acima, mas gostaria de conhecer. Ele nao deve comer carne, leite, ovos, arroz, feijão, beber suco, café, vinho, usar roupas de algodão, couro, seda… Tudo isso vem da agricultura. Da agricultura empresarial, não estou falando de latifundio, mas de todo produtor rural, que tem na agricultura sua fonte de renda, e portanto é um empresario rural.
Altissiomos lucros? Aonde?? O agronegocio nunca na historia esteve tão endividado. E não somente os grandes, mas os pequenos, e qualquer agricultor que ve suas margens encolherem ano apos ano.
Ha grande maça de trabalhadores sem-terra, pq esses perderam a terra que tinham pois nao puderam sustentar-se com a miseravel renda que tinham em suas propriedades. Dar novas terras a esses nao vai resolver seus problemas, apenas mudar de endereço.
Plantar ambientalmente correto?! Com a demanda da alimento crescendo a cada ano, demandando alimento, nao que seja 100% saudavel, mas que mate a fome, de milhoes de pessoas que nao tem nada para comer. Me apresente uma forma de produzir em larga escala, de forma organica, sem agrotoxicos, biotecnologia, melhoramento genetico vegetal e animal, que produza pra essa gente? É facil atender nichos, é dificil atender 7 bilhoes de consumidores exigentes em qualidade e quantidade!!!
Escravisamos pessoas? O cadeia produtiva do agronegocio é um dos maiores responsaveis pelos empregos formais desse pais. Acabem com tudo isso!!! Ah! quem vai dar renda pra esse povo todo? ou eles vao comer oxigenio do ar gerado pelas matas do Brasil? Alias, o país que mais preserva a natureza no mundo! Ainda taxam nos agricultores como destruidores da natureza. Pelo menos quando o Tiete corre pelo meio rural ele é limpo, diferente de quando atravessa a cidade de São Paulo.

Talves nos, demonios (agricultores), devessemos parar de acordar todo dia de madrugada, e trabalhar ardualmente de baixo de sol escaldante, para alimentar bilhoes de pessoas, ja que somos muito poucos para alimentar muita gente, e devessemos deixar a natureza tomar conta de nossas propriedades. Afinal a populaçao ambientalmente correta nao precisa comer, vestir… eles vivem de oxigenio!!!@

    Robson Fernando

    agosto 16 2010 Responder

    Eu só digo 4 coisas:
    – Meu apelo é contra a bancada ruralista, não o setor agrícola da economia. Não acusei os agricultores, dos menores aos maiores, de nada. Me referi apenas aos parlamentares ruralistas.
    – Sou vegano, portanto não como carne nem leite nem ovos, nem uso couro nem seda. Mas usufruo de muitos produtos de origem vegetal.
    – Você é a favor dessa bancada que vota em favor de tudo o que não presta – destruição ambiental, trabalho escravo, uso de agrotóxicos mortais, manutenção da concentração fundiária, exploração animal? Ou você gostaria de ver um ruralismo digno e decente, alinhado com a sustentabilidade, a segurança alimentar, a justiça social e a libertação dos animais, sendo defendido? Se sua alternativa é a segunda, verá lógica no meu texto caso o releia.
    – Tenho total solidariedade aos pequenos agricultores, que vêm sendo tratados como uma não-prioridade, ao contrário do agronegócio, que vem sendo tratado com majestade pelo governo e pelos bancos apesar de fazer tanto mal.

      Agricultura

      agosto 17 2010 Responder

      Não defendo os ruralistas, ou critico os que defendem uma outra forma de produção, ha lugar pra ambos nesse imenso pais.
      Sou um critico de ambos os lados. O que me incomoda, como produtor rural, é o total descaso com a produçao agricola deste pais. Em todos os paises desenvolvidos, agricultores são tratados com respeito maior que se trata um doutor no Brasil. Por que se faz isso? Por que aquele povo sabe o valor daqueles que garantem o item mais essencial a sobrevivencia humana, comida.
      Aqui se cria na midia duas imagens do agricultor: uma é do fazendeiro milionario, que ja foi descrito no texto acima. Outra é a do famoso “jeca tatu”, pobre, analfabeto, bobo e que depende eternamente de vontade politica para sobreviver.
      Não somos nem um nem outro. Somos um povo que luta eternamente tentantando sobreviver de uma profissão que aprendemos quando eramos crianças, 7 a 8 anos, e que amamos. Isso não é trabalho infantil, é ensinamento de pai pra filho a ter amor a terra como a propria vida. So se aprende isso quando é criança, nenhum jovem em idade de trabalhar em qualquer outra atividade vai querer trabalhar das 4 da manha ate as 9 da noite, 7 dias por semana, sem 13º salario, ferias ou qualquer beneficio. E somos ridicularizados pela populaçao por isso.
      Repudio aqueles que tentam separar agronegocio de agricultura familiar. Qual é a diferença entre eles? O que eles produzem? Ah um produz feijão e o outro soja? Um é grande o outro é pequeno, por isso eles são diferentes? É como comparar o dono do mercadinho da esquina e o dono da rede de supermercados. Ambos vivem do mesmo negocio, o que muda é a escala.
      Ficaria feliz quando todos que dizem defender a agricultura se unissem por uma unica causa, mostrar o valor da agricultura, na economia, na segurança alimentar e na sociedade e fizessem algo de concreto para nos ajudar. Derrubar do governo os poucos que ainda nos defendem é dar de mão beijada a vitoria aqueles que preocupam-se muito mais por seus votos que conosco.
      Concentraçao fundiaria. Ja ouviu aquela historia de que se todo o dinheiro do mundo fosse dividido igualitariamente, em pouco tempo ele voltaria a mao de poucos? É um processo natural e inevitavel.
      Ruralismo digno e decente, com sustentabilidade, segurança alimentar e justiça social é o paraiso sonhado por todo o produtor rural. Sustentabilidade é garantia de quando se planta, quando a colheita acabar o produtor tera renda para sobreviver. Dignidade é ser reconhecido pelo seu trabalho, não ridicularizado por aqueles que desfrutam dos frutos do seu suor. Injustiça é quando o produtor planta, apoiado por discurso do presidente, e quando vai colher, um mes antes o governo reduz as taxas de importaçao do mesmo produto que invadem o mercado com valor abaixo do nosso custo de produçao.
      O pior é ser chamado de criminoso por colocar comida na mesa das pessoas. Afinal toda forma de agricultura é predatoria da natureza, não da pra plantar alimento sem derrubar a mata.
      A lei nos manda nos desfazer de 20, 50, 80% do nosso patrimonio para preservar a natureza. Concordo, a natureza precisa ser preservada. É muito importante para a humanidade. Entao vamos todos trabalhar em prol disso. Cada cidadão urbano se desfaça de 20, 50, 80%… de seu patrimonio, da sua renda, e invista na preservação ambiental. Destruamos a Marginal Tiete, Pinheiros…, e plantamos 50m de mata ao redor do rio.
      Ve como é complexa a questão da preservaçao ambiental? Não somos demonios, nem os que defendem nossa causa. Somos pessoas simples que amam a natureza como nenhum outro individuo. E fariamos de tudo para cuidar da melhor forma possivel dela. Não precisamos de imposição de leis, precisamos de apoio social para fazermos isso. Sejam eles grandes ou pequenos produtores.

glauber

agosto 5 2010 Responder

apenas discordo qto ao Demostenes Torres do PFL

Paulo:
Engraçado, quem vai pagar o pato sempre vai ser o pequeno agricultor, que é quem alimenta o país. Cadê alguém que defenda ele? Ninguém se lembra disso….

se irforme antes, ninguem falou em acabar com a agricultura!

    Robson Fernando

    agosto 5 2010 Responder

    Glauber e Paulo, o ruralismo que temos hoje defende tudo o que não presta, e tudo em prol do danado do agronegócio. Agrotóxicos mortais, não-reforma agrária, trabalho escravo, concentração de renda, destruição ambiental, promoção de rodeios e vaquejadas, nada disso realmente interessa aos pequenos agricultores.

    Tornou-se necessário expulsar essa gentinha ruralista que temos no poder. Quando aparecerem ruralistas do bem, que defendam a agricultura familiar, orgânica e sustentável e a reforma agrária, entre outros benefícios aos pequenos proprietários de terra, o povo votará neles se achá-los corretos.

Paulo

julho 21 2010 Responder

Engraçado, quem vai pagar o pato sempre vai ser o pequeno agricultor, que é quem alimenta o país. Cadê alguém que defenda ele? Ninguém se lembra disso….

    Robson Fernando

    julho 21 2010 Responder

    Aí é que está. Os atos dos ruralistas visam quase sempre o agronegócio, o latifúndio, o progresso predatório.

anjo

junho 6 2010 Responder

Essa bancada ruralista é brincadeira né? È mais um projeto pra acabar com tudo mesmo.

Abraço.

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