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Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 55)

Como é uma notícia que fala de uma promessa medicinal muito esperada pela população, vou ser crucificado por este post, mas não me importo em dar a cara à tapa pelos animais não-humanos.

Promessa antimalária

Considerada uma doença negligenciada por não despertar o interesse da indústria farmacêutica, finalmente a malária ganha a atenção de fabricantes que financiam pesquisas para descobrir a cura do mal. Depois da publicação de dois estudos promissores neste ano, os resultados dos testes de uma nova droga dão esperança de um tratamento mais eficaz para uma enfermidade que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, afeta 247 milhões de pessoas e provocou, somente em 2008, a morte de um milhão de indivíduos – crianças africanas em sua maioria.

Embora existam tratamentos disponíveis, é preocupante a resistência que os parasitas causadores da doença, transmitidos para homens e animais [Eu não sabia que mulheres eram imunes à malária.] pela fêmea do mosquito Anopheles, vêm adquirindo contra as drogas disponíveis. Foi o que estimulou um grupo internacional de cientistas a buscar uma nova classe de medicamento que combata a malária. Os resultados do estudo, iniciado em 2007 e financiado por governos e pela iniciativa privada, foram divulgados na semana passada pela revista especializada Science.

O trabalho da equipe foi árduo. Os pesquisadores dissecaram 12 mil substâncias químicas por meio de uma tecnologia robótica para detectar componentes que ficavam ativos em contato com o Plasmodium falciparum, o parasita mais letal no caso da malária. Foi possível identificar um composto com boas habilidades para matar o agente, com a vantagem de que ele pode ser manipulado facilmente de modo a se transformar em um remédio. Depois de sintetizar e testar 275 versões do composto original, a equipe chegou ao NITD609, que pode ser formulado em comprimidos e fabricado em grandes quantidades.

Os experimentos, que ainda precisam ser testados em animais complexos [Ou seja, animais, muito provavelmente incluindo primatas, VÃO sofrer e morrer em nome da ciência, por mais que nós protestemos.] e seres humanos, mostraram resultados promissores em laboratório. No tubo de ensaio, o NITD609 conseguiu matar duas espécies de parasita no estágio em que elas estão na corrente sanguínea e também se mostrou efetivo contra variantes resistentes a drogas. O composto, alémdisso, agiu mais rápido do que outros remédios que combatem a malária – embora não tão rápido quanto a artemisinina, melhor tratamento atual contra a doença. O estudo publicado na Science destaca que a substância não é tóxica em contato com células humanas.

“Quando ministrado oralmente a roedores, o composto ficou em circulação por tempo suficiente para alcançar níveis efetivos contra o parasita da malária”, diz a pesquisa. De acordo com um dos pesquisadores, a cientista Elizabeth A. Winzeler, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, se o comportamento do NITD609 for o mesmo em seres humanos, será possível desenvolver um comprimido que seja tomado apenas uma vez. A dosagem única, segundo ela, será substancialmente melhor do que os padrões atuais de tratamento em boa parte do mundo, onde as infecções levam até uma semana para serem combatidas, com a necessidade de tomar o remédio quatro vezes ao dia.

Comparação – “Estamos muito empolgados com o potencial que o NITD609 mostrou na primeira fase de experimentos feitos no tubo de ensaio. Ficamos ainda mais entusiasmados quando nossos colegas do Instituto Tropical da Suíça testaram o composto em um rato infectado”, disse Winzeler ao Correio Braziliense/Diario de Pernambuco. Tipicamente, roedores infectados com outro tipo de parasita da malária, o Plasmodium berghei, morrem em menos de uma semana. Mas única e grande dose do NITD609 curou todos os cinco ratos doentes, enquanto que uma dose menor conseguiu sarar metade de outros seis roedores testados[, enquanto a outra metade dos animais infectados morreu]. Três doses de pequenas quantidades da substância tiveram índice de cura de 90%. [Ou seja, 10% dos animais contaminados em nome da ciência morreram. Mas @s cientistas não estão nem aí, pois a vida desses bichos não lhes são nada mais que números.]

Os pesquisadores também compararam o NITD609 com outras drogas contra a malária em ratos infectados pelo P. berghei. “Nenhuma foi tão potente”, contou Winzeler. A efetividade do composto em doses relativamente pequenas é um ponto a favor, segundo a pesquisadora, porque abre menos oportunidades para o parasita desenvolver resistência à droga.

De acordo com Winzeler, estão sendo realizados testes adicionais em animais [Ou seja, neste exato momento animais não-humanos estão sofrendo com os sintomas da malária que cientistas torturadoræs lhes causaram, e muitos deles estão morrendo, tudo por causa da falta de interesse da comunidade científica de estender o círculo moral da bioética aos animais não-humanos.] e, ainda neste ano, poderão começar os estudos clínicos. Porém ela alerta que muitos medicamentos em potencial costumam falhar na fase em que a droga é testada em pessoas[, numa prova de que a vivissecção é um método falho, cuja imperfeição não é admitida pel@s cientistas como motivo para se desenvolverem métodos modernos e éticos de pesquisa de medicamentos]. “Por isso, é importante que a comunidade científica continue trabalhando para desenvolver outros componentes antimalária.”

O diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony S. Fauci, está impressionado com os resultados obtidos até agora. Em um comunicado à imprensa, ele disse que “apesar de progressos significativos terem sido feitos no controle da malária, a doença ainda mata um milhão de pessoas todos os anos”. “Já se passou mais de uma década desde que a última nova classe de drogas antimalária, a artemisinina, começou a ser amplamente utilizada. A crescente resistência que os parasitas da malária desenvolvem contra o medicamento exige a descoberta de novas terapias”, acrescentou.

De acordo com Fauci, o “composto desenvolvido e testado pela doutora Winzeler e seus colegas parece ter como alvo uma proteína que nunca foi atacada pelas drogas existentes atualmente, e possui várias outras características favoráveis”. O diretor do instituto afirmou também que “essa pesquisa é um exemplo notável de uma colaboração bem-sucedida entre cientistas financiados por governos e por setores da iniciativa privada”. Além da entidade dirigida por Fauci, participaram da pesquisa o Instituto de Pesquisas Scripps, o Instituto Tropical da Suíça, a Fundação de Pesquisas Novartis e o Instituto Novartis para Doenças Tropicais.

O que comento aqui não é a tortura em si que foi infligida às cobaias da malária e desse provável medicamento antimalária, mas o fato de a mídia falar das torturas com uma naturalidade ímpar. Diz-se que o jornalismo deve(ria) ser imparcial, mas às vezes a omissão é em si uma forma de parcialidade. E a grande mídia em geral é parcial quando o assunto é vivissecção e testes em animais. Percebo que há um apoio tácito por parte dos (tele)jornais e portais de comunicação a experiências que, desde que sejam a materialização de alguma “grande promessa” para a saúde de seres humanos, torturam e matam quantos animais não humanos @s cientistas bem querem.

Toda a questão ética existente no ato de explorar animais não humanos em prol de interesses humanos é simplesmente reduzida a nada. É como se fosse inquestionavelmente certo envenenar, infectar, adoentar, drogar, eletrocutar, mutilar, estressar, enlouquecer etc. camundongos e primatas não humanos em nome da ciência, tanto quanto doar presentes para crianças pobres, adotar cães de rua e fazer mutirões de reconstrução para ajudar pessoas necessitadas que perderam suas casas por causa de enchentes.

No caso da notícia acima, de fato há uma esperança de que surja um remédio para curar a malária. Mas isso realmente justifica torturar cobaias induzindo-as a uma doença fatal e dando-lhes medicamentos que podem tanto curá-las como também corroer seus corpos e matá-las, num verdadeiro efeito roleta-russa? E se fossem bebês humanos as cobaias? Bebês sendo infectados com o protozoário da malária, sofrendo diversos sintomas, chorando de dor e sofrimento, agonizando porque um certo medicamento não funcionou como o esperado e terminou causando efeitos colaterais pesadíssimos?

Se fosse com bebês, a imprensa mandaria às favas o fato de a experiência ser a concretização de uma provável cura para a malária e denunciaria o caso como um atentado aos direitos humanos, como um abuso abominável de seres inimputáveis que foram explorados em sua incapacidade de aceitar ou desistir do tratamento e de manifestar verbalmente seu sofrimento. Mas como as vítimas na realidade são camundongos ou primatas não humanos, como são “apenas animais”, como a maioria da humanidade – incluindo @s cientistas encarregad@s de fazer as pesquisas referidas pela notícia – é desprovida de qualquer senso de alteridade compassiva em relação a quem não é human@ ou a quem ainda não nasceu, toda a covardia, exploração e abuso que marca as experiências vivisseccionistas contra a malária é completamente anulada. De ato criminoso de tortura, a experiência com cobaias passa a ser visto como uma “esperança”, um ato “heroico”.

“Mas você não acha uma ótima notícia que esteja próxima a cura da malária?” – pode perguntar algum/a leitor/a. É uma notícia boa para os seres humanos, mas isso não me faz deixar de lamentar muito que o feito tenha sido alcançado de forma tão violenta e que no momento ainda não existam meios de se chegar à cura de doenças como a malária por meios que respeitem a vida, a liberdade e a integridade físico-psicológica dos animais não humanos.

imagrs

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