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set10

Ontem foi dia de manifestação contra intolerância religiosa. Cadê os ateus?

Manifestação contra intolerância religiosa reúne mais de 70 mil pessoas no Rio

Rio de Janeiro- Mais de 70 mil pessoas participaram neste domingo (19), na Praia de Copacabana, da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, segundo a Polícia Militar. Ao som de grupos como Olodum, seis trios elétricos animaram a manifestação, que reuniu praticantes de várias religiões.

Esta foi a terceira edição da caminhada, organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) do Rio. De acordo com o interlocutor da instituição, Ivanir dos Santos, o grande destaque foi o aumento da participação de católicos e anglicanos no evento.

O bispo da Igreja Anglicana Celso Franco de Oliveira disse que o número de manifestantes dessa corrente no evento ainda é pequeno diante da quantidade de fiéis no Rio. Mesmo assim, destacou que a participação tem crescido a cada ano.

“A Igreja Anglicana acredita que cada um de nós de uma subjetividade singular e como tal tem o direito de expressar sua fé como quiser. O importante é ser feliz”, disse Oliveira.

Da Igreja Católica, um grupo chamou atenção ao lembrar do episódio em que a imagem de uma santa foi depredada durante programa de TV da Igreja Universal do Reino de Deus, em 1995. À época, os líderes religiosas da igreja pediram desculpas pelo fato.

“Trouxemos esses cartazes [com a imagem do pastor chutando a santa] para que nós, principalmente os católicos, não nos esqueçamos. Queremos liberdade religiosa para todos, independente da crença”, disse Juan Santos.

Praticantes de wicca (religião neopagã influenciada por crenças pré-cristãs), hare krishnas, muçulmanos e ciganos também marcaram presença na caminhada, mas predominaram as religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé. De acordo com Ivanir dos Santos, eles são as principais vítimas da intolerância.

“Não podemos deixar os setores intolerantes crescerem. Há mais de 30 anos, eles perseguem a umbanda e o candomblé. Se crescerem, não tenho dúvidas, chegarão a outros setores da população brasileira. Estamos defendendo a democracia”, afirmou.

Além de pedir o fim de atitudes “proselitista”, de maneira geral de grupos cristãos, os praticantes de umbanda da Tenda Espírita Cabloco Arranca Toco, da Ilha do Governador, disseram que a manifestação é uma oportunidade de confraternização.

“Na nossa região tem várias igrejas e ninguém tem problema com ninguém”, afirmou o representante Antônio Manuel de Oliveira “Nossa dádiva é unir, conviver, porque Deus é um só, viemos aqui defender essa ideia.”

A notícia em questão não fala nada sobre os ateus que possam ter protestado contra a mesma intolerância, se baseando no Caso Datena. Creio com sinceridade que os ateus não foram para o evento, temeros@s de passar a ideia de que o ateísmo também seria uma religião.

Mas, ao meu ver, os ateus não deveriam ver eventos como esse como manifestações de religios@s, mas sim como manifestações contra a intolerância religiosa, não interessando que a multidão ao redor tenha uma religião. E nós ateus estamos num momento crítico de visibilidade, já que Seu Datena nos expôs para todo o Brasil da pior forma possível – e continua nos expondo de vez em quando.

A hora é essa de nós rebatermos os preconceitos que @s religios@s nos dedicam, de reivindicarmos o fim do nosso status de última minoria brasileira, de pessoas cuja situação de discriminação não é enxergada nem pelas próprias pessoas que lutam pela abolição das discriminações de minorias. Deixemos de lado nosso receio de parecer estar passando a ideia de que o ateísmo “é uma religião” e juntemo-nos a quem também luta contra a intolerância de motivos religiosos, tratando-@s como noss@s aliad@s, noss@s companheir@s de causa.

P.S (adicionado em 20/09, 14:03): Não nos importemos que o lema da manifestação seja “Temos fé”. Nossa presença em si pode induzir a mudança do slogan, quem sabe para algo como “Pelo direito de ter ou não ter uma fé”.

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5 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Rose

outubro 18 2010 Responder

Intolerância religiosa no Brasil? Já que pensam isso, por que nâo vão para o Iemem, Irã, Arábia Saudita, etc…, aonde o fundamentalismo religioso (esse sim) tem tirado a vida de milhares de pessoas. Aqui no Brasil, pode-se ser, católico, espírita, protestante (meu caso), ateu, umbandista, islãmico e o que se quiser. O fato de haver discordância é porque tem-se LIBERDADE DE EXPRESSÃO e não fanátismo religioso.

    Robson Fernando

    outubro 18 2010 Responder

    Rose, a intolerância aqui não se dá com violência física, mas com discursos hostis e preconceituosos.

    Aqui não há guerra entre judeus e muçulmanos, mas há violência verbal discursiva de muitos cristãos contra ateus, contra pagãos, contra afrorreligiosos etc.

Mariana

setembro 20 2010 Responder

Sou espírita e por longos anos fui vista como macumbeira do mal. Com o tempo as pessoas foram entendendo mais a religião e hoje não sofro mais este preconceito. O que acho triste são religiões que utilizam animais em rituais. Isso deveria estar na contra mão de qualquer religião que pregue Deus, bondade e amor. Não consigo aceitar, nem nunca vou entender.

rayssa gon

setembro 20 2010 Responder

então, eu sou ateia e iria numa boa nessa manifestação. acho q a tolerancia religiosa é uma grande bandeira dos ateus JUNTAMENTE com o respeito àqueles que não tem fé.

eu me sensibilizo especialmente com as religiões afro pq sei q os neopetencostais, grande parte deles, vê nessas organizações o proprio mal.

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