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set10

Porcos clonados por carne: a vida e a morte de animais como fatores econômicos

China produz porcos clonados para atender consumo interno

Com uma estimativa de aumento populacional de até 1,44 bilhão de pessoas até 2030, segundo o Banco Mundial, a China está à procura de tecnologia de ponta que possa garantir alimentos com mais qualidade.

O grupo da geneticista chinesa Du Yutao, do Instituto de Genoma de Beijin, está clonando porcos em laboratório, a partir de uma criação mantida em uma fazenda tradicional.

Os cientistas removem o DNA da pele que cobre as orelhas dos animais, para então transferi-lo ao núcleo de células somáticas –método conhecido como clonagem terapêutica. Posteriormente, os embriões são implantados em porcas.

“Agora importamos javalis da Dinamarca e dos Estados Unidos. Esses animais são mais caros para serem comprados e transportados, além de serem suscetíveis a vários tipos de doença durante o trajeto“, diz a geneticista. “Com esta tecnologia, podemos importar um pequeno número de porcos e criá-los em massa na China.”

Especialistas internacionais acreditam que a China pode ocupar um papel fundamental na promoção e aceitação da produção de animais clonados, e até mesmo os transgênicos –ou geneticamente modificados.

O pesquisador suíço Ingo Potrykus, que desenvolveu o cereal transgênico –também conhecido como arroz dourado, produto geneticamente alterado para produzir maior quantidade de betacaroteno, precursor da vitamina A– também é da mesma opinião.

“Para revolucionar a regulamentação, é necessário uma nação líder que seja política e economicamente independente da histeria do Ocidente sobre os organismos geneticamente modificados [GMO]”, comentou por e-mail. “A China tem esse potencial [porque é um país dominado por uma ditadura, a qual proíbe manifestações sobre assuntos que contrariem os interesses do seu regime capitalista autoritário – se a militância antitransgenia contraria os anseios econômicos do regime ex-comunista, passa a ser proibida e reprimida com violência e prisões, sendo tais episódios repressivos escondidos da mídia internacional -], e poderia ser muito beneficiada porque o país tem vários problemas de alimentos [a enfrentar] pela frente”, disse.

Potrykus sabe das dificuldades enfrentadas para aceitação de produtos modificados e clonados. O arroz dourado ficou fora do mercado por uma década devido a leis contrárias aos alimentos transgênicos.

A China já é muito conhecida por aqui pela violência contra animais não-humanos, incluindo cães e gatos, que acontece por lá. Mas esse fato, a clonagem de porcos para produzir mais carne, aconteceria em qualquer lugar do planeta.

O que se vê acima é mais uma das centenas de formas existentes de se mercantilizar a vida e a morte de animais não humanos, vida cujo fim em si mesmo é completamente negado e substituído pelo meio para um fim econômico. O valor intrínseco do animal é substituído por completo pelo valor econômico.

O especismo induz as pessoas a simultaneamente enxergarem como absurda e criminosa a valoração e mercantilização da vida humana e considerarem normal e necessária a mesma valoração e mercantilização de vidas não humanas. É esse especismo que legitima que nossa civilização viva alicerçada sobre o corpo de bilhões de animais, mortos ou vivos. Que nossa sociedade, que diz tanto prezar pela sacralidade da vida e da liberdade (exceto nos meios militares, imutavelmente sustentados pela violência, pela servidão e pela morte humana), se sustente com a morte desnecessária de uma quantidade absurda de animais.

E é essa exploração econômica que torna vazia de valor a vida dos animais não humanos e provoca sua morte. Da mesma forma que @s escrav@s human@s da Antiguidade, cujas vidas eram tratadas como mercadorias e cuja morte era vista como uma mera baixa econômica. Até quando isso vai continuar, você mesm@ pode decidir – basta que comece pelo menos a se tornar vegetarian@, de modo a não alimentar mais essa indústria que mercantiliza a vida e torna a morte lucrativa.

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