A proposta do Português com Inclusão de Gênero
O triângulo com a arroba, a ligadura e a barra é o símbolo proposto para o Português com Inclusão de Gênero. (Imagem: http://numpol.com/br/pdf/2II.pdf)
Trazido do antigo Consciência Efervescente, escrito originalmente em 29/08/2009
Nota: o Arauto não escreve palavras duplas separadas por barra (como em “ateus/ateias”, “cães/cadelas”), por motivo de não tornar o texto maçante. Ainda é necessário discutir-se como neutralizar substantivos que têm o masculino como padrão e cuja versão feminina é muito diferente da masculina (ex.: cães/cadelas, atores/atrizes).
Depois de cerca de mil anos de dominância do gênero masculino na língua portuguesa, os países lusófonos estão vendo ser montada uma ortografia significantemente reformada. Idealizado provavelmente por Thomas M. Simons – e certamente proposto e divulgado por ele –, está nascendo o Português com Inclusão de Gênero (PCIG), uma escrita lusófona reformada que pretende limitar ou eliminar a hegemonia masculina na determinação do plural de substantivos variáveis em sexo e tornar o português mais próximo do igualitário.
Com o PCIG, não será mais escrito, por exemplo, “os professores” ou “uns alunos”, mas sim “@s professoræs” e “uns/umas alun@s”. Quando usada sem distinção de gênero, “o senhor” se tornará “@ senhor/a”. Parece esquisito ou radical demais para a população que, não estando acostumada em utilizar esses caracteres “invasores”, continua escrevendo “os fulanos” para conjuntos de pessoas de todos os sexos, mas é relevante para o estabelecimento de uma linguagem mais igualitária e, consequentemente, uma sociedade idem nas relações de gênero nos países lusófonos.
Até hoje o português se refere a conjuntos de homens e mulheres juntos (sic) que compartilham certo atributo pelo plural masculino – ex.: os donos da casa, os trabalhadores, os integrantes da banda. Mesmo no singular, quando se refere a alguém que pode ser um macho ou uma fêmea, é usado um artigo e substantivo masculinos – ex.: o professor, o artista, o escritor, o gato.
A forma mais extrema, infelizmente muitíssimo comum, desse patriarcalismo linguístico é a utilização de “o homem” como sinônimo de “o ser humano” ou de “o indivíduo” – estes dois termos indistintos de gênero – e, em inúmeras obras literárias de todas as épocas, “os homens” como sendo o mesmo que “as pessoas”.
O singular e o plural femininos – ex.: a trabalhadora, as professoras – só são usados quando se refere realmente à mulher com esse atributo e a conjuntos com 100% de mulheres. Mesmo quando há referência, por exemplo, a mil cantoras e um cantor, fala-se e escreve-se “mil e um cantores”.
Ele pode representar tanto ele como ela. Eles encabeçam tanto eles como elas, por mais numerosas que as fêmeas sejam em comparação aos machos. Ela termina só representando ela mesma. Elas, apenas elas mesmas.
Essa disposição linguística de priorizar o masculino como gênero dominante e central e tornar o feminino meramente recessivo e periférico legitima nos países de língua portuguesa o regime social machista-patriarcalista que já dura milênios na maioria das sociedades humanas, confirma o homem como o ator social dominante e a mulher como atriz social relegada à periferia e sempre submetida à supremacia masculina. O idioma torna-se o espelho da sociedade que o utiliza.
Para pelo menos minimizar a legitimação que o vernáculo lusitano, brasileiro, angolano e de vários outros países tem dado a essa relação histórica de dominação por homens contra mulheres, foi sugerida a adoção do PCIG, que este artigo se preocupa em ajudar a divulgar.
O “mainframe” da igualitariedade desse “novo” português são três caracteres: a arroba minúscula, a ligadura “æ” e a barra. Estas serão utilizadas por questão de economia e rapidez: não será preciso escrever sempre “os alunos e as alunas…”, “os professores e as professoras…”, “os meninos bonitos e as meninas bonitas…”, “uns artistas e umas artistas…” etc., já que os caracteres do PCIG permitirão uma escrita inclusiva e muito mais rápida.
Assim serão utilizados os caracteres da igualdade:
a) Arroba minúscula: tornará inclusivas palavras que, no singular e no plural, costumam utilizar a versão masculina para se referirem a pessoas de qualquer sexo em certas ocasiões. Substitui a letra determinante de gênero “o” em palavras terminadas com -o e -os. Como tem uma forma que parece lembrar um misto de “o” e “a”, a arroba foi o caractere escolhido a ser a nova letra igualitária.
Exemplos de palavras de gênero determinado por “o”:
Singular: quanto, aluno, dono, discípulo, bonito, garoto, adulto, ministro, parceiro, feio, compreensivo, ativo, cachorro, gato, macaco.
Plural: quantos, alunos, donos, discípulos, bonitos, garotos, adultos, ministros, parceiros, feios, compreensivos, ativos, cachorros, gatos, macacos.
Essas palavras, pela proposição do PCIG, irão se tornar, quando se referirem a machos e fêmeas ao mesmo tempo:
Singular: quant@, alun@, don@, discípul@, bonit@, garot@, adult@, ministr@, parceir@, fei@, compreensiv@, ativ@, cachorr@, gat@, macac@.
Plural: quant@s, alun@s, don@s, discípul@s, bonit@s, garot@s, adult@s, ministr@s, parceir@s, fei@s, compreensiv@s, ativ@s, cachorr@s, gat@s, macac@s.
Quando referentes apenas a homens, meninos e animais machos, continuarão terminando em -o e -os.
Substantivos e adjetivos que não variam em gênero mas são precedidos de artigos que mudam passarão a vir acompanhados dos novos artigos com arroba. Exemplos:
o artista – @ artista; os artistas – @s artistas
o especialista – @ especialista; os especialistas – @s especialistas
o budista – @ budista; os budistas – @s budistas
o contente – @ contente; os contentes – @s contentes
o forte – @ forte; os fortes – @s fortes
o intelectual – @ intelectual; os intelectuais – @s intelectuais
Embora seja proposta a arroba minúscula, ela ainda não existe nos teclados dos países lusófonos e hoje é impossível de ser utilizada na digitação de textos sem formatação, como em alguns sites publicadores de artigos, serviços de envio de mensagem e aplicativos muito simples de escrita. Em softwares de escrita que permitem formatação de tamanho de texto, deve ser utilizada com a redução do tamanho de fonte da arroba ao de uma letra minúscula ou com o recurso do macro que permite a arroba minúscula. Já na escrita manual, pode ser utilizada sem dificuldades.
No começo de frases, será utilizada a arroba maiúscula mesmo, como em: “@s alun@s ativ@s formaram-se hoje.”
b) Ligadura “æ”: tomada de “empréstimo” do latim medieval, transformará palavras que, mesmo quando referentes a ambos os gêneros, terminam em -es.
Exemplos: cantores, autores, professores, senhores, possuidores, condutores, tutores.
Convertidas ao PCIG, essas palavras, quando se referindo a pessoas de ambos os sexos, tornam-se: cantoræs, autoræs, professoræs, senhoræs, possuidoræs, condutoræs, tutoræs.
Palavras em plural referentes apenas a pessoas ou bichos do sexo masculino permanecerão terminando em -es.
Outras aplicações da ligadura:
- O pronome pessoal “ele” será convertido para “elæ” quando referido a ambos os gêneros; “eles” se tornará “elæs”
- Os pronomes demonstrativos masculinos serão convertidos na mesma situação: estæ, essæ, estæs, essæs, aquelæ, aquelæs
c) Barra (/): entra onde a arroba e a ligadura não entram. Tem várias utilizações, tais como:
1. Palavras cuja forma masculina é utilizada também para se referir a uma pessoa genérica sem gênero indeterminado, como:
cantor, autor, professor, senhor, tutor
Transformará em:
cantor/a, autor/a, professor/a, senhor/a, tutor/a
Fará “parceria” com a arroba em frases como:
“Quando @ professor/a quer ganhar reconhecimento, deve ser muito dedicad@ nas suas aulas.”
2. Unificará os artigos “um” e “uma” – tornando-se um/a – quando houver a utilização deles numa palavra referente a ambos os sexos:
Ex.: Um/a cantor/a muito famos@ morrerá este ano.
3. Unificará os artigos “uns” e “umas” em situação similar:
Ex.: Uns/umas professoræs entraram em greve ontem.
4. Transformará palavras terminadas com -ão, -ãos e -ães que se refiram a ambos os gêneros (quando as palavras femininas terminam em -ã e –ãs):
Exemplos de palavras masculinas no singular, em utilização para o homem e a mulher: irmão, cristão, cidadão, alemão
Palavras modificadas no singular: irmã/o, cristã/o, cidadã/o, alemã/o
No plural: irmã/o/s, cristã/o/s, cidadã/o/s, alemã/e/s
5. Transformará palavras cujo plural masculino termina em -ão e –ões (feminino -ona e -onas) utilizadas em uso não exclusivamente masculino:
Exemplos no singular: mandão, paspalhão, meninão
Exemplos no plural: mandões, paspalhões, meninões
Palavras modificadas no singular: mandão/ona, paspalhão/ona, meninão/ona
No plural: mandões/onas; paspalhões/onas; meninões/onas
6. Unificará palavras que se distinguem em gênero mais acentuadamente.
Exemplo:
“Os atores de novela costumam ser bonitos.” torna-se “@s atores/atrizes de novela costumam ser bonit@s.”
“O cão é o melhor amigo das pessoas.” torna-se “@ cão/cadela é @ melhor amig@ das pessoas.”
7. Unificará pronomes possessivos em situações como:
“Ele é bissexual e espera que apareça em breve seu/sua futur@ namorad@.”
“Não faço distinção de raça para meu/minha futur@ cão/cadela, desde que seu tamanho seja compatível com meu apartamento.”
***
É necessário esclarecer: por enquanto, há apenas a proposta do PCIG ortográfico, escrito. Não se sabe como será transformada a fala. Não foram propostos ainda novos fonemas ou articulações fonêmicas para acompanhar os caracteres que passarão a ser utilizados com frequência na ortografia. Sendo assim, o PCIG ainda está em construção, embora desde já deva ser divulgado pelos meios feministas como uma proposta de reforma igualitária no idioma.
O PCIG proporcionará uma revolução na escrita e provavelmente terá implicações profundas nas relações entre os gêneros. Mesmo que ele não vá sozinho abolir o machismo e a androcracia (domínio masculino sobre a sociedade, em especial sobre as mulheres), será notável que as sociedades lusófonas não serão mais tão machistas como são hoje quando passarem a utilizar a língua reformada.
Enfrentará, assim como qualquer mudança significativa, bastante estranheza e resistência por parte da população, cuja maioria irá recusar-se por muito tempo a modificar o jeito de escrever e falar. Assim foi até mesmo com a reforma ortográfica que seguiu o acordo de 1990, ela que foi bem mais simples que o PCIG.
Deparar-se com um português bastante modificado como mostrado acima gera certamente uma enorme estranheza de quem nunca sequer ouviu falar no PCIG e, ao conhecê-lo, passa a vislumbrar a possibilidade futura de utilizar um português muito diferente e com novos caracteres em quase todo canto. Mas esse sentimento é normal e será aliviado gradualmente até a sua dissipação definitiva.
Assim como soa hoje muito esquisito, o PCIG pode soar também uma proposta radical demais, até extremista, numa realidade em que até mesmo o abandono da palavra “homem” como sinônimo de indivíduo ou ser humano é julgado como algo “radical” ou “revolucionário”. Sendo assim, deve-se introduzir, quando pronto, o novo português inclusivo aos poucos na sociedade, por mais rejeição que gere inicialmente.
Quando for determinado como será a versão oral do Português com Inclusão de Gênero, passando o novo português a ficar pronto para ser conhecido, proposto e adotado, a revolução linguística que o tempo reservará é praticamente certa, por mais que haja resistência contrária nos primeiros anos. Inevitáveis, embora hoje obscuras, também serão as implicações sociais na relação entre mulheres e homens, havendo um respeito muito maior do que hoje à igualdade entre os dois gêneros.
Mas é de se relevar que a sociedade hoje não está pronta para uma iniciativa massiva de inclusão de gênero desse porte. Ela ainda precisa vivenciar algumas mudanças mais notáveis em sua linguagem, como deixar de utilizar a palavra “homem” para representar o ser humano indistinto de gênero. Depois desses passos intermediários é que o PCIG, uma vez pronto, poderá ser proposto e abraçado.
Referências:
http://numpol.com/br/pdf/2I.pdf
http://numpol.com/br/pdf/2II.pdf
http://numpol.com/br/pdf/2III.pdf
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Robson , no seu artigo "A história não é só do homem" você nos lembra, o papel fundamental da mulher como cooautora da história da humanidade.Muitas pessoas, dizem e pensam que a mulher, é inferior ou menos capaz que o homem, que houveram, poucas artistas, cientistas, intelectuais se comparado aos homens.Isso é verdade, mas não porque a mulher é inferior ou menos capaz ou menos inteligente que o homem.È porque a sociedade machista e patriarcalista sempre reprimiu a capacidade e o potencial femenino.Até bem pouco,tempo atrás as mulheres não poderiam nem votar, nem estudar e a situação delas em muitos países, especialmente os do oriente médio ainda hoje é muito precária .Lá elas vivem uma vida cheia de privações limitada submetidas aos homens e isso tudo por cauda de um estados teocráticos monoteístas ultraantropocêntricos que priviligiam os homens e que inferiorizam ás mulheres.Vale lembrar que o acontecimento mais importante da idade contempôranea, enbora os históriadores não queiram ou relutem em admitir não foi o socialismo muito mais que o socialismo foi a emancipação feminina.
Mas e na hora de ler um texto desses? Como escolher as palavras, ou melhor, as letras? "Os" ou "as"?
No mais, interessante o post.
Loan, as palavras têm arroba, ligadura ou barra quando se referem a um conjunto que abrange homens ou mulheres (ex.: professoræs) ou a um ser genérico que pode ser macho ou fêmea (ex.: @ servidor@ públic@).
Vai ser bem complicado no começo, mas a familiarização chega um dia.
Robson, parabéns pelo post estruturado e informativo! Tenho algumas considerações a fazer, mas como o copy-and-paste estava desabilitado, publiquei-as no blog http://numpol.wordpress.com
Obrigado, Thomas.
Mas não vi essas considerações no seu blog.
Robson, para as pessoas que visitarem este post puderem acompanhar as conversas subsequentes sobre o PCIG. As considerações que escrevi estão em http://ow.ly/o2UX . Estas considerações foram comentadas por você em http://ow.ly/o2Zn .
OBS: URL encurtadas porque o copiar-e-colar estava desabilitado.
Seria de certo modo interessante se essa inciativa partice de uma mulher, mas como a iniciativa partiu de um homem não tem a mesma validade.
E como ficaram os fonemas, escrever é uma coisa falar já é outra.
Enfim tomará que isso não siga muito adiante, se as mulheres não se incomodam com a lingua… pra que tudo isso??
Anônim@, o fato do PCIG ter sido proposto por um homem ilustra que a parte masculina da lusofonia — conjunto de todos aquelæs que falam português — também tem muito a ganhar com uma língua não-androcentrica. Detalhes em http://numpol.com/br/pdf/2I.pdf, e em http://numpol.com/br/pdf/2II.pdf e http://numpol.com/br/pdf/2III.pdf (links já citados pelo Robson).
Quanto a pronúncia, a arroba pode ser expressa com o fonema [?] (o aberto). É o fonema que utilizamos para dizer "porta", "dó", etc. Já, a ligadura æ pode ser pronunciada com o fonema [?] (e aberto), que está presente em "café", "época", etc. Como estes fonemas estão presentes em nossa língua, não temos dificuldade para utilizá-los. Do que nós precisamos é de um pouquinho de prática para exprimí-los em sílabas átonas, uma vez que o PCIG não tem a intenção de mudar a tônica das palavras.
Importante: quem costumar reduzir as vogais 'e' e 'o', para 'i' e 'u' respectivamente, tem uma opção fonética a mais. Ao dizer 'alunos' como /aLUnus/ (sílaba tônica em maiúsculas), @ falante tem a opção de dizer 'alun@s' como /aLUn?s/ (o aberto), mas também como /aLUnos/ (o fechado). Raciocínio análogo vale para a palavra 'professoræs', que pode ser pronunciada tanto como /profeSSOr?s/ quanto como /professores/. Isto, é claro, vale somente para aquelæs que costumam reduzir vogais finais 'e'. Para @s que não reduzem, a alternativa é somente o fonema [?]. Por enquanto.
O "por enquanto" foi proposital. Se você tiver alguma sugestão fonética, por favor, faça-me saber.
Por fim, a arroba em 'Anônim@' simboliza que você preferiu não mencionar se você é do sexo feminino ou masculino, o que é um direito seu, e não atrapalha de maneira alguma a discussão sobre alternativas ao padrão androcêntrico do legado linguístico, o qual nós compartilhamos.
Uma pergunta. Eu aprendi que a língua é algo que vem do povo. Com que autoridade poderia o Estado, ou o governo, ou qualquer classe de intelectuais "iluminados" impor uma mudança dessas sobre a língua que o povo fala?
Em nome da democracia, isso me parece uma proposta tremendamente…anti-democrática.
Bruno, o avanço do feminismo vai proporcionar essa guinada de valores linguísticos que vão disseminar e popularizar o português inclusivo de gênero.
Se hoje não adotamos uma língua minimamente inclusiva, é porque somos um povo que resiste a admitir a igualdade (em termos de inexistência de desigualdades) entre homens e mulheres (e vice-versa). Muito de nosso comportamento sociocultural é refletido em nossa linguagem.
Mas não foste tu mesmo que disseste que haveria resistência no início a essa tua proposta de reforma? Ora, se há resistência, é porque a mudança não é querida.
E tudo indica que ela teria de vir de cima para baixo; isto é, de parte de uma casta de intelectuais, que, utilizando da força bruta proporcionada pelo Estado, trataria de impor essa mudança a toda a sociedade.
E isso é tremendamente e obviamente anti-democrático. Se essa mudança fosse tão boa e desejável assim, seria adotada como conseqüência de mera divulgação. A lei, isto é, o Estado, apenas a consolidaria.
…
Outra coisa, Robson: representar uma diferença não é admitir ou promover igualdades! Dizer que um homem é negro é dizer que é diferente de branco em relação a sua cor da pele, e não que é melhor ou pior do que branco. Enxergar discriminação aí é ver chifre em cabeça de cavalo.
A mesma coisa para as diferenças de gênero. Há dois sexos entre os seres humanos: masculino e feminino. Há homens e há mulheres. Há, portanto, dois gêneros para representá-los (em alguns casos, de algumas línguas, três, sendo o terceiro para coisas de gênero indefinido).
A distinção de gênero é muito útil. Por exemplo, se te falo acerca da peça que ocorreu ontem na cidade onde moro, com o grande ator local Diadorim, tu já ficas sabendo de antemão que se trata de um homem. Imaginas como atrapalharia se tivesse de te falar acerca d@ grande ator/atriz Diadorim! Não saberias se falo de um homem ou de uma mulher. Numa dessas até me pedirias que te informasse o telefone do ator/atriz, para que fosse chamado a fazer o papel de uma Desdêmona, que tal! O simples fato de atrapalhar o uso prático da língua (que é um instrumento, e o primeiro que aprendemos a usar na vida!) faria com que a tua reforma só pudesse se concretizar e se manter a base do uso contínuo do tacape ou do fuzil.
Sem contar que esse uso do arroba para tentar substituir as diferenças de gênero é algo obviamente esteticamente bizarro e atroz.
Concordo
Mas não foste tu mesmo que disseste que haveria resistência no início a essa tua proposta de reforma? Ora, se há resistência, é porque a mudança não é querida.
E tudo indica que ela teria de vir de cima para baixo; isto é, de parte de uma casta de intelectuais, que, utilizando da força bruta proporcionada pelo Estado, trataria de impor essa mudança a toda a sociedade.
Isso não procede. A resistência é quando a linguagem é apresentada. Ela só vai ser assimilada por mudança de valores, com o tempo.
.
A distinção de gênero é muito útil. Por exemplo, se te falo acerca da peça que ocorreu ontem na cidade onde moro, com o grande ator local Diadorim, tu já ficas sabendo de antemão que se trata de um homem. Imaginas como atrapalharia se tivesse de te falar acerca d@ grande ator/atriz Diadorim! Não saberias se falo de um homem ou de uma mulher. Numa dessas até me pedirias que te informasse o telefone do ator/atriz, para que fosse chamado a fazer o papel de uma Desdêmona, que tal! O simples fato de atrapalhar o uso prático da língua (que é um instrumento, e o primeiro que aprendemos a usar na vida!) faria com que a tua reforma só pudesse se concretizar e se manter a base do uso contínuo do tacape ou do fuzil.
Aqui você confundiu. O PCIG não vai extinguir a distinção de gênero quando ela for necessária, mas sim facilitar as coisas quando nos referirmos simultaneamente, por exemplo, a senhores e senhoras, alunos e alunas, professores e professoras etc.
E evitar o androcentrismo linguístico quando nos referirmos a alunos e alunas. Não teremos mais que nos referir masculinamente quando tivermos machos e fêmeas, mas de uma forma neutra.
Quando quisermos nos referir a um grupo só de homens, usaremos "alunos" mesmo. A um só de mulheres, "alunas".
Uai, mas é a isso que estou me referindo, Robson. Olha o ponto 2. O meu exemplo foi baseado nele.
Outra coisa da qual me apercebi agora. Essa proposta não é sequer inteligente medida pelos próprios objetivos aos quais se propõe. Isto é, além de querer utilizar a modificação forçada da língua como forma de impor uma mudança política a qual não foi sujeita a discussões, como seria de se exigir numa democracia (é isso ou não é?), ela comete uma forma de auto-engano.
Ela sequer elimina as distinções de gênero, mas as fortalece. Uma companhia de teatro composta de quatro homens e uma mulher deixa de ser um grupo de atores para se tornar um "grup@ de atores/atrizes" (mesmo sendo só uma a mulher – bizarro, não?). Ora, isso indica que há pelo menos uma mulher e pelo menos um homem no tal grupo. Não neutraliza a distinção de gênero, apenas a fortalece, e ainda consegue atrapalhar a comunicação.
Se a proposta realmente fosse inteligente, dentro de seus próprios objetivos (políticos) propostos, deveria propor não um tosco uso do arroba e da barra, combinando tanto o feminino como o masculino de um artigo e de uma palavra, mas sim a criação de um terceiro gênero, como o "it" do inglês e o "das" do alemão, para ficar só nessas. Algo como "atorus", para se referir a atores E atrizes, por exemplo.
Mas ainda seria anti-democrática até a medula.
Bruno, em casos como o que você citou, já existe um desfavorecimento quando há muitas mulheres e um homem. E os caracteres especiais só seriam usados em palavras variáveis em gênero, não em coletivos como "grupo", "equipe", "turma".
Sobre o suposto caráter antidemocrático, eu já disse: só vai ser usado mediante mudança de valores. Enquanto não houver consideração suficiente pra igualdade de gêneros, vai haver resistência feroz ao uso de uma linguagem mais tendente à igualdade, seja ela o PCIG seja qualquer outra proposição.
E quem disse que as pessoas vão ser obrigadas a usar o PCIG?
Ademais, recomendo a você falar com o idealizador do PCIG: http://numerospolemicos.com/
Li o blog do sujeito.
Para político, lingüista e advogado esse cara não dá. Mas, para microeconomista, tem um talento incrível. Aquela entrada dos 1,99 está um espetáculo.
Agradeço a indicação.
Continue e bom trabalho e não se esqueça: sempre contra a corrupção ideológica. Tu ne cede malis.
Você só pode estar brincando.
Se o português já é uma língua marginalizada pela complexidade, com uma mudança radical dessa proposta, em pouco tempo será mais interessante ensinar inglês as crianças.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
pelo amor de Deus
Incluir @ como caractere oficial da língua portuguesa so pra nao ofender mulheres com complexo de inferioridade? Fazer toda uma mudança escrita e fonética por ter mulheres que se ofendem com a dominancia de artigos e plurais masculinos?
Deu pra dar uma risada..
Keep Trying
ok boa e como falariamos isso?
arroba cantor barra a?
LINDOa! adorAEi!
pelo amor de Deus né?!
daqui a pouco vao dizer que o homem tem que carregar um feto por 4 meses e meio porque a mulher se sente prejudicada.
“Deu pra dar uma risada..”
[...] reprovações válidas (educadas, vindas de pessoas de mente aberta) explícitas ao uso por mim do PCIG, idealizado por Thomas M. Simons do site Números Polêmicos. Mas também nunca me veio qualquer [...]
[...] post Um leitor e uma leitora veteranos demonstraram descontentamento com o fim do uso do Português com Inclusão de Gênero (PCIG) no Consciencia.blog.br. Preferiam ver arrobas, æ e barras sendo usadas para tornar o português [...]
E se o nome do cara for Décio Pinto ! É sexismo ?
Gente, eu fiz um concurso da ESAF e perdi pontos porque escrevi tudo com @s, me ajudem!
Uma língua evoluí de maneira natural, não por imposição gramatical.
Os falantes de língua portuguesa levaram ela a ter como elemento neutro as vogais referentes ao sexo masculino, mas no contexto são neutras.
Se quiserem mudar isso, mude o povo. Uma imposição gramatical não resolverá nada.
Se os falantes mudarem, a língua muda. É um reflexo dialógico natural.
As duas mudanças (da sociedade e da língua) são simultâneas.
Texto grosseiro e ofensivo apagado. Volte aqui quando tiver condições de comentar com civilidade e educação.
RFS
Jesus de bicicleta.
Quanta frescura por uma coisa que não tem nada a ver.
Nem dá pra entrar em discussão quanto a/o assunta/o. Nem quero imaginar como iss@ ficaria em língua/o falada/o.
@s m@n@ pira
Concordo com o Bruno quando ele disse que seria mais inteligente criar uma terceira categoria, a de nomes neutros, como no latim ou no inglês. Utilizar esses caracteres seria uma opção extremamente artificial, além de impronunciável. A língua, como já foi observado aqui, é social; por mais que os fins envolvidos nessa proposta sejam dignos, eles não deixam de ser – caso implementados de fato – coercivos. Não vejo como uma medida dessas seria útil na prática. Como é possível a língua ‘refletir’ certos valores da sociedade se esses valores são forjados, e incompatíveis com a realidade? Não seria isso uma tentativa de mascarar as coisas? A mudança tem que vir de baixo, do geral para o particular, e não o contrário.
Você tem razão, Mauricio. Assim como você, creio que nomes neutros seriam melhores do que o “PCIG”.
Com todo respeito, nao vejo relevância no tema abordado.
Olá Robson,
Eu evito utilizar no caso de mandões/onas; paspalhões/onas; meninões/onas, por exemplo, essas terminações. Penso que o acréscimo de mandões/as; paspalhões/as; meninões/as é suficiente para que @ leitor/a compreenda que trata-se de PCIG. O mesmo ocorre com: alguns/as no lugar de alguns/mas. O que você acha?