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out10

A bancada ruralista não foi expulsa de Brasília. Nem mesmo diminuiu

Pelo contrário, aumentou em 15 indivíduos. E quase todos os incumbentes foram reeleitos.

Eleições agregam poucos nomes novos à bancada ruralista

A “velha guarda” da bancada ruralista na Câmara permaneceu praticamente intacta nesta eleição. Novos nomes devem se reunir aos decanos do agronegócio do Congresso, vindos principalmente de Estados do interior do país. Mas ainda é cedo para dizer se serão uma força à parte ou se terão uma cara própria dentro da Frente Parlamentar do Agronegócio.

Do núcleo duro do campo, conseguiram a reeleição nomes como Luis Carlos Heinze (PP-RS), Abelardo Lupion (DEM-PR), Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Moacir Micheletto (PMDB-PR) e Homero Pereira (PR-MT). O deputado Waldemir Moka (PMDB-MS) agora vai para o Senado e ficará ao lado de Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que continua na casa. Uma nova integrante no Senado este ano, e que deve consolidar a bancada ruralista, é Ana Amélia Lemos (PP-RS). Na Câmara, o ex-ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes (PMDB-PR), que se afastou da pasta por conta da eleição, retornará à vida parlamentar em 2011.

– Ainda estamos muito envolvidos com os nossos resultados, mas esperamos adeptos de Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – comentou Micheletto.

Já o petista Anselmo de Jesus (RO) ficou de fora nesta eleição. A principal baixa entre os ruralistas, no entanto, foi a de Valdir Colatto (PMDB-SC). Apesar de ter obtido mais de 86 mil votos nas eleições do último domingo, não conseguiu uma vaga por conta da proporcionalidade (que leva em conta também os votos obtidos pelo partido, da coligação e o número de postos na casa).

A expectativa é a de que, em princípio, ele fique como suplente, mas que depois acabe se efetivando no cargo porque alguns nomes podem ser chamados para a composição do governo. Apesar disso, Colatto avalia que a bancada sofreu pouca alteração.

– Praticamente 100% da bancada se reelegeu – comentou.

Da nova safra de parlamentares, um nome citado para engrossar a representatividade rural no Congresso foi a de Nelson Padovani (PSC-PR). Os recém-eleitos ainda estão empenhados em verificar o quadro regional e não tiveram tempo para fazer uma avaliação maior do setor.

– Fui candidato para o Senado numa eleição muito disputada. Ainda não sei dizer quem chegou lá – comentou Moka.

Assim como são conhecidos os nomes do campo no Congresso, também já é conhecida a principal bandeira da bancada: [a destruição d]o Código Florestal.

– Os temas importantes são os mesmos: o código, a consolidação do fundo de catástrofe e a reestruturação do endividamento – resumiu Micheletto.

Nesse embate com o meio ambiente, principalmente no que diz respeito ao Código, o jogo deverá seguir duro, pois as forças opostas à linha de pensamento do agronegócio devem permanecer. Isso porque também permanecem como parlamentares figuras emblemáticas que se posicionam do lado contrário, como Ivan Valente (PSOL-SP), que recebeu quase 190 mil votos.

Além do Código Florestal, o deputado reeleito Heinze diz que terá como principal tema de seu trabalho a partir de 2011 a recomposição da renda dos produtores. De acordo com ele, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, o Valor Bruto da Produção (VBP) somou R$ 316 bilhões, já atualizado pelo Índice Geral de Preços (IGP).

– E a expectativa para este ano é de um VBP de R$ 243 bilhões, produção maior de carne, leite e grãos. A rentabilidade do produtor está lá em baixo e sem melhorar isso não adianta falar em crédito ou renegociação da dívida – argumentou.

A eleição de um/a só ruralista pró-latifúndio já é uma derrota para o Brasil e para o mundo. Quanto mais o que aconteceu: 15 nomes mais e a reeleição de quase todo o quadro atual de parlamentares ruralistas.

Eu sinceramente não esperava que a bancada ruralista diminuísse, uma vez que a campanha antirruralista se restringia a este blog – até onde sei, o único a pedir a não eleição de uma das bancadas parlamentares mais maléficas do Brasil – e a poucos blogs simpáticos ao MST e de movimentos ambientalistas.

E agora, com uma eleição que mostrou a involução, o “retardamento” (contrário ao amadurecimento), da consciência política da maioria da população, com Tiririca, Crivella, Garotinho, candidat@s sacerdotes, Serra e Weslian Roriz (no DF) no segundo turno, repercussão eleitoral de boatos e baixarias religiosas etc., seria inacreditável se a bancada ruralista diminuísse mesmo em 1 pessoa.

A população não está pronta ainda para tratar a democracia eleitoral com maturidade e consciência sociopolítica. Enquanto essa imaturidade persistir, continuaremos a ver aberrações sendo eleitas com enormes votações, e o quadro parlamentar estadual e federal não melhorar em nada em termos de identificação com os interesses do povo.

Agora o Código Florestal está ainda mais ameaçado. Os rodeios e vaquejadas continuarão muito fortes, explorando e agredindo animais à livre vontade. A pecuária e a indústria dos alimentos de origem animal, melhor representadas no Congresso, vão continuar prosperando, inibindo qualquer iniciativa vegetariana e animalista em Brasília. A escravidão no campo continuará impune – se muito, restrita a penas paliativas e praticamente inócuas. A população continuará sendo alimentada com agrotóxicos mortais. A reforma agrária será ainda mais fraca e distante do ideal da justiça social.

Parabéns, povão. Nosso quadro político vai ficar ainda pior.

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