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Dilma se diz “a favor da vida”, mas seu guia eleitoral exalta o consumo de carne

O guia eleitoral da tarde de hoje de Dilma Rousseff trouxe dois momentos contraditórios, mutuamente excludentes.

O primeiro foi apontar o consumo de carne como uma “boa” evidência de ascensão social das classes pobres – momento que, aliás, se deu duas vezes no guia. O segundo foi a própria Dilma se dizendo “a favor da vida”, numa resposta à baixaria sobre aborto que repercutiu na internet e nas igrejas desde o primeiro turno e tirou-lhe os votos que consagrariam sua vitória no primeiro turno.

Como Dilma pode ser a favor da vida se autoriza seu guia a exaltar algo que significa diretamente a morte – pior, a morte violenta e desnecessária – de seres tão ou mais sencientes que os embriões e fetos? Como alguém pode defender o tal do “direito à vida” se o nega veementemente a seres que precisam dele? Defende-se a vida mas exalta-se a banalização da morte. Por quê?

Põem mórulas, que nada mais são do que cachos de células, sem qualquer consciência ou dorência, no mesmo patamar moral que seres humanos adultos. Mas evita-se fazer o mesmo no caso dos animais não humanos. Uma mórula humana, a meses de ganhar a capacidade de se tornar senciente – consciente de seu status de entidade viva e suscetível ao sentimento físico de dor – tem muito mais direitos que um boi adulto, de quatro anos de idade, que chora e muge alto de desespero ao sentir o cheiro do sangue de seus irmã/o/s de espécie.

E Dilma faz a mesma coisa ao, no mesmo guia, discursar “a favor da vida” para agradar a ala religiosa fundamentalista da população brasileira e pôr o consumo de carne como uma consequência positiva do crescimento.

Convido Dilma a pensar: o que é a carne? Como ela foi produzida? De onde veio? Quem é o animal que tinha essa carne no seu corpo antes de ser morto? Não seria a produção de carne uma negação do direito à vida?

E espero de coração que ela ou retire a carne de sua propaganda ou deixe morgar a argumentação “pró-vida”. Mostrar apenas um dos dois – e dar a ideia de que ela ainda é em cima do muro em relação ao outro – vai fazê-la mais coerente. Embora meu desejo sincero fosse vê-la deixando de lado o tal do antiabortismo e a carne.

P.S: Não considero Serra melhor do que ela nesse aspecto, pelo contrário. Serra só não botou o consumo de carne em seu programa porque, por enquanto, não vê motivos para isso.

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Natália

outubro 9 2010 Responder

Estou farta de ver as oligarquias PT e PSDB mandando e desmandando no Brasil. E do falso maralismo da sociedade que impõe que os candidatos sejam conservadores cristãos invés de compreender a diversidade de culturas e necessidades dos povos que habitam o território nacional.

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