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Frei Betto difama ateísmo e desrespeita ateus ao chamar tortura de “ateísmo militante” em artigo

Um artigo recente de Frei Betto, intitulado “Dilma e fé cristã”, difamou o ateísmo e, por tabela, desrespeitou milhares ou milhões de ateus. Referiu-se aos militares torturadores, que haviam prendido Dilma Rousseff na época da ditadura, quando ela era guerrilheira, como pessoas que “praticavam o ateísmo militante”.

Abaixo o trecho inicial do artigo que, tentando defender Dilma e tirar da população as dúvidas sobre a religiosidade dela, investiu em desrespeito contra os ateus – em especial os chamados neoateus, militantes da irreligião em prol da secularização e racionalização da sociedade.

Dilma e a fé cristã (artigo original aqui – página restrita)

Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de “marxista ateia”.

Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte. [Grifos do Arauto]

Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória – diria, terrorista – acusar Dilma Rousseff de “abortista” ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.

Quer dizer que agredir, torturar e matar é a práxis militante do ateísmo? Que a ultraviolência é uma forma de exercer militantemente o ateísmo e a oposição às religiões? Que se eu estiver militando pelo ateísmo, por uma sociedade menos religiosa e mais secularizada, estou me rebaixando ao nível de torturadores e assassinos a servir um violento Estado de Polícia? Que o ateísmo “praticado” e “militado” é o desrespeito violento ao ser humano, ao contrário da “bondade” da religião praticada?

Eu sinceramente não esperava ver entre uma das figuras do catolicismo progressista brasileiro uma demonstração explícita de intolerância e preconceito contra quem não crê em deus nenhum, uma expressão de hostilidade contra quem gostaria de ver uma sociedade desapegada das religiões.

Válido é derrubar os mitos sobre a pessoa de Dilma, neste momento em que ela vem sendo alvo de boataria religiosa difamatória, de baixaria antidemocrática da pior espécie. Mas não o é de jeito nenhum fazê-lo esculhambando e depreciando o ateísmo, seja ele uma simples descrença ou uma filosofia praticável, difamando toda uma categoria de pessoas cujo “grave crime” é não acreditar no Deus em que a população brasileira hoje em dia infelizmente obriga tod@s candidat@s a mandatos políticos majoritários a crer ou em qualquer outro.

É lamentável quando se tenta limpar a reputação de uma pessoa (Dilma) sujando a de tantas outras (ateus, especialmente neoateus).

Frei Betto, agora é o senhor que nos deve explicações, em vez de Dilma.

imagrs

27 comentário(s). Venha deixar o seu também.

Ismael

fevereiro 27 2012 Responder

“A religião institucionalizada está na UTI;ela respira artificialmente.”
Ismael Gouvêa

José Roberto Champs

dezembro 10 2010 Responder

Do mesmo modo que Frei Betto também sofri torturas na época da ditadura militar. Um dos torturadores jactava-se de ser evangélico e brandia a bíblia durante as sessões de interrogatórios e suplícios no DOPS de Belo Horizonte. Esse ser repugnante, como se via, não comungava do “ateísmo militante” aludido pelo Frei em seu artigo “Dilma e a Fé Cristã”. Embora indignado com essa afirmação de Frei Betto, conservo minha admiração por sua pessoa. Mas, estarei aguardando melhores explicações sobre seu preconceito contra nós, ateus.

JOSE RODRIGUES SANTOS

outubro 30 2010 Responder

PEÇAM para o governo federal implantar exames supletivos de cursos superiores administrativos como ; administraçao ; relaçoes publicas ; serviço social e outros ; assim excluidos e autodidatas poderao obter o diploma superior diminuindo muito a exclusao no mercado ; os exames podem ser aplicados usando a estrutura da universidade aberta do BRASIL para quem se inscrever.

Marcelo

outubro 30 2010 Responder

Olha, o que mais vejo são posições no sentido do “deixa disso” e outras quase pedindo para, humildemente, solicitar uma “correção” do frei Betto. NO entanto não ha o que se dizer. Ateus não deveriam ter sido enfiados nesta bobagem, sequer deveriam ter sido citados, pois não tem nada em comum com o contexto. mas se forçarmos mais veremos que História de torturar, castrar e mutilar, tanto fisica qto moralmente um segmento é sempre disparada dos religiosos em relação aos ateus, A inversa é praticamente inexistente. Seroa mais fácil o Betto pedir desculpas, mas ao inves disso ele apenas lamenta que os ateus no o tenham entendido. (O que significa que além de não se corrigir ainda nos chama de burros) E isso não é intolerância! Ficaria com medo então se ele resolver mostrar uma face ainda mais intolerante. Qto ao Serra, não dá para perder tempo com quem prega o proxenitismo eleitoral como foi feito em Uberlândia.

JOÃO SANATANA

outubro 25 2010 Responder

Post editado por pregação e desrespeito aos ateus. Ateus existem sim, e não admitem que vocês corroborem a opinião preconceituosa e ofensiva do Frei Betto.

Grato,
RF

    JOÃO SANATANA

    outubro 25 2010 Responder

    Não ofendemos a ninguém,nem mesmo o regime militar. Apenas esclarecemos algo que existe dentro de muitas pessoas que ainda pensam a inexistência de DEUS.

      Robson Fernando

      outubro 25 2010 Responder

      Tanto você ofende sim como eu editei seu comentário que negava a existência dos ateus e corroborava com o preconceito do seu Frei Betto.

Atena

outubro 13 2010 Responder

Robson:
Já que tal como eu você quer expandir consciências, sugiro além do já exposto, prestar atenção ao que está acontecendo em nosso país atualmente e que essa carta deixa bem claro: a intromissão das igrejas na política.
Eu não sou ateia, mas não gosto nem um pouco das religiões cujo principal objetivo é tirar a capacitação das pessoas.
Postei em meu blog sobre a minha dúvida de sermos atualmente um país realmente laico porque estou achando demasiada a intromissão dos religiosos. E daí não pode vir boa coisa.
Dê uma pensada sobre isso.
abraços

Mary

outubro 13 2010 Responder

Robson:
Betinho, um ateu confesso até o fim de seus dias, um ícone do ateísmo, teve em Frei Beto seu grande amigo. Os dois puxaram o maior movimento contra a fome e a miséria deste país. Mais de uma vez tive a oportunidade de assistir entrevistas do Betinho elogiando frei Beto e falando do respeito que ambos tinham pelas crenças de um e outro. Também assisti várias entrevistas de Frei Beto em que ele fala de sua relação com Betinho e prega o respeito e a consideração pelas minorias.
Junto deles estava tambem Dona Ruth Cardoso, que até onde eu sei, não era adepta de nenhuma religião teísta ou ateista e jamais teve qualquer problema com Frei Beto. Muito pelo contrário, ela era sua admiradora.
Acredito sim que todos precisamos considerar melhor nosso vocabulário a diversidade cultural, religiosa, política, etnica, racial e outras mais ao nos expressarmos para evitar entendimentos como o que estás tendo.
Entendo o que sentes.
Da mesma forma que uma pessoa com necessidades especiais não deseja ser chamada de “aleijada”, os ateístas não desejam receber comparações pejorativas. Porém, precisamos ter o bom senso de perceber que nem todas as pessoas que usam o termo “aleijado” o fazem pejorativamente, assim como nem todas as pessoas que chamam um toturador de ateu consideram todos os ateus torturadores.
Tenho certeza absoluta de que Frei Beto não teve a intenção de desmerecer-te, tanto quanto tenho a certeza de que é preciso educar para o respeito e sensibilidade às diferenças.
Veja ainda por outro ângulo: o termo “judiar” vem de uma discriminação com os judeus, que nem são ateístas. Judiar significa, em nossa linguagem comum machucar. A imensa maioria dos judeus não machuca ninguém e nem todos os que machucam são judeus. A pecha diminuiu bastante, mas ainda existe.
Espero sinceramente que este incidente seja superado. pelo bem de todos, pela paz que todos desejamos.

Avelino Fóscolo

outubro 13 2010 Responder

Não sou capaz de dar outra interpretação às palavras do Frei Beto. Mas posso me basear em toda suas posições prévias e afirmar que creio ter sido um vacilo. Se o alertarem e o chamarem ao diálogo acho que topa. Espero que sim. É um sujeito progressista, aberto ao mundo, às idéias e ao debate.

Enviem uma mensagem a ele. Pediria que não pegassem muito pesado. Seria legal se, já na mensagem/manifesto, apontassem acreditar ter sido um descuido e por isso gostariam de chama-lo a esclarecer e colaborar no debate.

Saude e fraternidade

Avelino Fóscolo

outubro 13 2010 Responder

Aí moçada,

Um desconto para o Frei. Por tudo que conheço dele, toparia, dialogar sobre o tema. Creio que ele cometeu um equívoco ao não considerar (se lembrar no momento?) os muitos grupos e pessoas, de bem, ateus militantes.

Saude e fraternidade,
como saudariam os positivistas (espécie de proto ateus – afora o grupo restrito da Religião da Humanidade), nos conturbados anos da mudança e estabilização da República.
De um cético e crente na vida vivida.

Genismar

outubro 12 2010 Responder

o debate não é colocado dessa forma entre ateu ou não ateu. Frei Beto é religioso, mas não dogmático. O que ele quiz dizer é que pessoas que falam em nome de Deus pode faltar com a verdade e não ter apreço ético. Basta lebrar a “marcha da família” em São paulo que defendeu a ditadura militar de 64. O debate é falar a verdade, sem medo, ser ético, defender a vida… E a história de frei Beto fala por si só. Se você se diz ateu, o que acha da Campanha Serra usando campanha maniqueísta entre bem e mal… se dizendo representanto do bem. Até parece campanha da “marcha da tfp” reedição da ditadura?

    Robson Fernando

    outubro 12 2010 Responder

    Genismar, Frei Betto pode ter a biografia que for, mas quando ele meteu o nome do ateísmo na história, atribuindo-lhe péssimas “qualidades”, incorreu em intolerância e preconceito contra ateus.

    Se ele tivesse falado como você tenta mostrar que ele teria querido falar, tudo bem. Mas ele perdeu a razão quando meteu o ateísmo no meio da história.

    Quanto a Serra, também acho odiosa a atitude da campanha dele (e, por que não, dele próprio), em tentar manipular os eleitores com uma campanha subterrânea de mentira e difamação.

Olga

outubro 11 2010 Responder

Intencional e maliciosa, sim a menção ao ateísmo, além de inadequada.
Agora um representante da Igreja vale-se de sua poplaridade para “defender” sua candidata? Isso pode?
Não podemos nos esquecer que a Igreja e seus representantes deveriam ficar calados em situações como essa. Deviam se deter em caridade, cuidando dos carentes, cuidando de suas paróquias. ]
Ou, não houvesse má intenção, fossem ao menos discretos.
Utiliza-se de seu espaço em um veículo como a Folha para tecer defesa de candidata? Tenha paciência!
Em época de Eleições, palavras e acusações insensatas e mentirosas, sistematicamente, jorram da boca de quem também tem dívidas. Infelizmente, em “política’ é assim, e quando o prêmio é um alto salário o jogo do “vale tudo” corre solto.
Frei Betto, certamente, conhece bem todo esse processo. Portanto, não vejo como defesa sua manifestação na Folha, em relação a sra. Dilma.
Vejo como deslavada campanha.
Falar de uma Dilma cristã como se isso fosse qualidade primordial para ser presidente é saber muitíssimo bem mais um ponto a atingir na ingenuidade do povo brasileiro.
Aliás, tão fácil fazer campanha neste País!

Diogo Álvares

outubro 11 2010 Responder

Sua leitura distorce e atribui um significado amplo a uma frase que não corresponde ao que o autor diz… ele não diz que todo ateu é torturador… ele apenas diz que todo torturador só pode ser ateu, mesmo que não o seja de boca… o que inclui, evidentemente, os inquisidores de qualquer denominação…

Não se trata de uma afirmação de ordem filosófica, nem teológica nem generalizante… suponho que você possa concordar que nem todo ateu, como nem todo católico, crente, budista etc… seja flor que se cheire.

Sou ateu inteligente, odeio os torturadores ateus, católicos, evangélicos, seja lá quem for que seja torturador. E não me sento atingido pelo que o frade disse.

E voto em Dilma.

    Robson Fernando

    outubro 11 2010 Responder

    Diogo:

    ele não diz que todo ateu é torturador… ele apenas diz que todo torturador só pode ser ateu, mesmo que não o seja de boca…

    Isso é o mesmo que Seu Datena disse: associar a maldade e o crime à “falta de deus”. Intolerância clara.

    Ele podia ter poupado o ateísmo de seu artigo, mas não o fez. E quando se referiu ao ateísmo, foi da pior forma possível. Por isso mesmo ele está merecendo uma saraivada de protestos. Assim como Seu Datena da “falta de deus no coração”.

    Abs

      Avelino Fóscolo

      outubro 13 2010 Responder

      Comparar o progressista e esclarecido Frei Beto ao Datena é sacanagem. Tenho a convicção – espero não ser ilusão – de que o frei mineiro não defenderia de modo algum a tese de que a “faltaq de deus no coração” leva as pessoas a cometer atrocidades. Talves chegue mesmo a reconhecer as muitas atrocidades da Igreja Católica, de homens com “deus no coração”? Datena, pode ser preconceito de minha parte, pensa isso mesmo. Falta deus no coração. Uma explicação simplória mas como bem sabemos reconfortante. Afinal, conseguem dar sentido a vida, ao caos, ao abismo. Nem todos estão disposto a encara-lo.

      Saude e Fraternidade

        Avelino Fóscolo

        outubro 13 2010 Responder

        Talvez com s é foda… rsrsrs

Ruth Iara

outubro 11 2010 Responder

Robson, veja bem como as palavras contêm dentro delas uma história. Escreveste até em um post que ateu quer dizer na sua origem sem Deus. Colocando-se no ponto de vista de um cidadão místico, um religioso, ateu poderia ter sido usado aleatoriamente e sem cuidado levando-se em consideração esta falta de luz interior que é ficar sem Deus. Mas, em uma análise mais profunda não existe para quem acredita em Deus ninguém que esteja sem Deus. Todos temos alguma luzinha acesa lá dentro de nós ou seria impossível estarmos vivos. Eu tenho quase certeza que Frei Beto usou incoscientemente este termo, até porque no seu meio deve ser uma espécie de palavrão. Isso não quer dizer que ele discrimine ateus. Não se pode ter certeza. Mas, teu questionamento é válido e espero que possa ser colocado para o próprio Frei Beto. Ele tem Twitter, sabia?

E saiba, para mim você é ateu porque não acredita em Deus, mas não é ateu no sentido de não a centelha divina em si. Na verdade a tua estrela luminosa que deve crescer no coração é um astro de largo espectro.

Estas palavras que usamos, muitas delas carregam em si um enorme preconceito histórico e o Português deveria tomar banho. Estes dias quando usei a palavra vileza não quis dizer habitante das vilas, mas quis dizer baixaria, mas se dissesse baixaria estaria achando que baixinho é pior do que altinho?

Cutuque o Frei Beto. Acho que vale a pena. Ofensa de gente do bem pode doer muito, não deixe isso assim.

Abraço.

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