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A glória comercial do agronegócio não é motivo de se comemorar

Exportações do agronegócio do Brasil têm recorde em 12 meses

As exportações do agronegócio do Brasil totalizaram US$ 72,360 bilhões nos últimos 12 meses até setembro, um recorde para o período, com uma alta de 9,8% ante o período de outubro de 2008 a setembro de 2009, informou nesta quarta-feira (13) o Ministério da Agricultura.

Com a força das exportações de açúcar e das carnes, o valor supera o recorde anterior em US$ 550 milhões, quando em 12 meses em 2008 as exportações somaram US$ 71,8 bilhões, antes que os efeitos da crise econômica internacional tivessem resultado na queda das exportações em 2009.

O complexo soja (grão, farelo e óleo) liderou a exportação entre outubro de 2009 e setembro de 2010, com receita de US$ 16,43 bilhões, ante US$ 18,3 bilhões no mesmo período anterior, quando os preços estavam mais altos.

As carnes aparecem em segundo lugar entre os principais produtos do agronegócio em 12 meses, com exportações de US$ 13,4 bilhões beneficiadas por bons preços, ante US$ 11,75 bilhões no período anterior.

Os produtos do complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol) vêm em terceiro lugar, com vendas externas de US$ 12,7 bilhões em 12 meses, ante US$ 9 bilhões no mesmo período anterior. O Brasil tem exportado volumes recordes de açúcar nos últimos meses, e os preços também têm se mantido em patamares historicamente elevados.

Setembro

No mês passado, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 7,363 bilhões, o que representou crescimento de 28,1% em relação a setembro de 2009. “O valor exportado em setembro é recorde para meses de setembro e o segundo maior valor da série histórica.”

O complexo sucroalcooleiro gerou receita de US$ 1,5 bilhão em setembro, contra US$ 1,05 bilhão no mesmo mês do ano passado – o Brasil exportou um volume recorde de açúcar em setembro. O complexo soja somou US$ 1,44 bilhão, ante US$ 1,35 bilhão no mesmo mês de 2009.

O valor exportado de soja em grãos aumentou 0,7% em relação ao valor registrado em setembro de 2009 (de US$ 817 milhões para US$ 823 milhões), enquanto a quantidade aumentou 9,7% e os preços foram 8,2% inferiores.

As carnes renderam US$ 1,17 bilhão, ante US$ 1,02 bilhão em setembro de 2009.

“As exportações dos principais itens do setor apresentaram crescimento no período. As receitas da exportação de carne bovina in natura subiram de US$ 276 milhões para US$ 320 milhões, resultado de um incremento de 16,7% no preço médio e redução de 0,7% na quantidade embarcada“, afirmou o ministério em nota.

As receitas de exportação de carne de frango in natura também apresentaram crescimento (26,7%), o que resultou de preços mais elevados (6%) e expansão da quantidade (19,5%). As exportações de carne suína in natura aumentaram 8,5% em relação a setembro de 2009.

Três grandes motivos me fazem lamentar, em vez de comemorar, esse triunfo do agronegócio. Em resumo:

a) A prosperidade da pecuária sempre é uma notícia ruim, pois, por trás da dinheirama que se ganha com a exportação de carnes diversas, há um imenso sistema de confinamento e assassinato de animais – milhões ou bilhões deles a cada ano. São bilhões de vidas tiradas com violência, pela exploração mais profunda de seres sencientes como propriedade, mercadoria, cujas vidas são nada mais que descartes. Na pecuária de corte, a vida animal em sua complexidade e seu sofrimento não interessam em nada – aliás, o sofrimento animal é reduzido a uma mera variável a comprometer a qualidade da carne e/ou afugentar consumidoræs “preocupad@s” com o bem-estar(ismo) animal. Tudo o que interessa é que os corpos desses tantos animais fiquem prontos para comercialização.

b) Prosperidade, lucro são tudo o que a bancada ruralista do Congresso mais adora. São tudo que precisam para fortalecer seu poder de influência socioeconômica e política. Com poder político e econômico imensos, farão tudo o que quiserem em relação a fazerem valer seus mais escusos intere$$es de expansão do lucro e manipular o povo, que vai continuar sacralizando o agronegócio e detalhes como os rodeios, os transgênicos e os latifúndios.

c) A prosperidade do agronegócio é a glória de tudo o que não presta em termos de justiça socioambiental: mais demanda para explorar e matar animais e destruir ecossistemas, mais capacidade de peitar ou domar o governo e a Justiça, mais poder para enfrentar movimentos sociais com violência, mais solidez política para inibir a “ameaça” da reforma agrária, mais prerrogativa para contaminar a população com agrotóxicos letais sem oposição forte do poder público, mais festas exaltadoras da pecuária (rodeios e vaquejadas)…

Por esses motivos, vejo a prosperidade desse ramo econômico como uma ameaça à justiça socioambiental e um inconveniente enorme que algema o Brasil à dependência desse tipo tão nefasto de atividade.

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Mariana

outubro 15 2010 Responder

Excelente postagem!
Sempre bom saber que não sou a única que acredita que lucros justificam qualquer meio.

    Robson Fernando

    outubro 15 2010 Responder

    Ops… Creio que você quis dizer “…que não acredita que lucros justificam qualquer meio”.

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