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out10

José Serra, em convenção evangélica, promete vetar lei anti-homofobia

Convém alertar que a notícia abaixo não é terrorismo eleitoral meu, mas uma notícia veiculada pelo próprio PIG pró-serrista.

Em convenção da Assembleia de Deus, Serra promete vetar Lei da homofobia

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, prometeu hoje em Foz do Iguaçu (PR) vetar a Lei da Homofobia, caso ela seja aprovada pelo Congresso.

Segundo Serra, o projeto, como foi aprovado na Câmara, pode tornar um crime “semelhante ao racismo” a pregação de pastores evangélicos contra a prática homossexual. [E se a Bíblia falasse que a raça negra é inferior à branca aos olhos de Deus, Serra revogaria a lei 7.716/89 também, descriminalizando o preconceito e liberando cultos racistas? Vetaria a Lei Áurea caso vivesse no século 19, já que a Bíblia e o Deus dela aprovam a escravidão humana?]

Ele prometeu o veto depois de ser inquirido sobre o assunto por um pastor presente à 50ª Convenção Anual das Igrejas Assembleias de Deus do Paraná. A proposta, aprovada na Câmara, ainda não foi votada no Senado.

“Uma coisa é grupos de extermínio, praticando violência contra homossexuais, como já ocorreu em São Paulo. Outra coisa é o projeto como está, que passa a perseguir as igrejas que combatem a prática homossexual“, afirmou.

Ele disse que, eleito, não terá dificuldades de fazer a maioria no Congresso, “sem barganhas” para evitar a aprovação da lei. [Se considerar que a bancada evangélica cresceu quase 50% este ano, não seria tão difícil Serra articular o Congresso para liberar a homofobia.]

Convidado de honra dos evangélicos reunidos em Foz do Iguaçu (a 656 KM a oeste de Curitiba), Serra se comprometeu também a lutar contra pontos do Plano Nacional dos Direitos Humanos criticados pela Igreja.

Entre os temas estão a descriminalização do aborto, a união homossexual, a invasão de propriedades e questões relativas à liberdade religiosa.

Segundo o tucano, o Plano Nacional dos Direitos Humanos, “encaminhado por Dilma à sanção do presidente Lula”, criminaliza “quem é contra o aborto”.

Serra disse, a uma plateia estimada pelos organizadores em mais de mil pessoas, que o plano incentiva a invasão à propriedade, “não só ao imóvel rural, mas também a um apartamento”.

Questionado sobre a união homossexual, Serra, que havia defendido a união civil, recentemente, em São Paulo, preferiu lembrar que a tentativa de controle social da mídia[, termo convenientemente transformado pela mídia e pela direita em “controle estatal da mídia”, bem ao estilo Humpty Dumpty*,] pode levar a situações de interferência na liberdade religiosa dos brasileiros.

José Serra manifesta atitudes e discursos contraditórios em relação a muitos temas, tais como privatização, meio ambiente e liberdade de imprensa e expressão, mas, se formos confiar em suas palavras, ele se mostra uma ameaça aos direitos GLBT. Dilma ainda tenta segurar a colisão entre as cargas opostas, para não perder os milhões de votos vindos dos rebanhos cristãos, dizendo dubiamente que deverá barrar os pontos mais “controversos” do PNDH3, que “ferissem os valores da família”, mas Serra é explícito e direto ao prometer fazer valer o reacionarismo negador de direitos e legitimador de preconceitos e violências psicológicas.

É possível que ele descumpra tal promessa num eventual governo seu, já que ele é experiente em descumprir promessas, mas ele usa a negação  de direitos e de justiça como bandeira eleitoral, como proposta de governo. E isso não é desejável para quem sofre com xingamentos, ameaças e discriminações na sociedade.

Serra, mesmo sem querer, beneficia todas aquelas pessoas que não conseguem viver respeitando as diferenças, desobrigando-as de respeitar @s homossexuais, bissexuais, travestis, transgêneros etc., permitindo-lhes discriminar o próximo em nome de Deus, virando as costas para quem hoje sofre por ser ofendid@ e rejeitad@ na rua e nos estabelecimentos simplesmente por amar pessoas do mesmo sexo ou adotar comportamentos do gênero oposto.

Se Serra assumir o governo e vetar o PL 122/06, que justificativa vai dar no veto? Valores “da família” (conceito tipicamente judaico-cristão, estranho para quem não é fiel às igrejas e ofensivo à laicidade)? Leis de Deus (uma ofensa extrema ao Estado laico)? Indecência (manifestando assim um preconceito pessoal)? Choque cultural (logo num país dito um lugar de paz e respeito entre as culturas e etnias)?

O que o senhor vai dizer na justificativa do veto, Serra?

O senhor deve e deverá (caso seja eleito) essa explicação ao Brasil.

Se você é GLBT e quer votar em Serra nesse segundo turno, está aí um motivo para repensar seu voto.

*Humpty Dumpty, o homem-ovo, disse, no livo Alice através do espelho, que certa palavra significava o que ele quisesse que ela significasse (a palavra “glória” para ele significa “um argumento nocauteador da pessoa”). Tal falácia é frequentemente usada por entidades e pessoas interessadas em alienar a população, manipulando o significado de certas expressões de impacto.

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