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out10

Modelo econômico desenvolvimentista brasileiro é uma ameaça ambiental

Ambientalista da Sea Shepherd alerta que modelo econômico do Brasil ameaça animais e meio ambiente

“O que acontece no Brasil é um absurdo. Estamos regredindo colocando o meio ambiente e a qualidade de vida e das futuras gerações em risco em nome do crescimento econômico e do consumismo”. A crítica é do diretor geral voluntário do Sea Shepherd Brasil, Daniel Vairo.

Em entrevista ao PortoGente, ele afirma que todas as esferas de governo, no País, trabalham para crescer o mais rápido possível e colocam em segundo plano a qualidade de vida da população e do meio ambiente. Ele cita o caso do estaleiro da OSX, em Biguaçu, na Grande Florianópolis. “É uma situação altamente constrangedora, porque as leis existem, é uma região com três unidades de conservação, reservas biológicas que estão sendo atropeladas para favorecimento político, em nome do lucro e da ganância. Sobra aos líderes locais a resistência contra esse banditismo”.

O ambientalista diz que a área de pesca está totalmente irregular no litoral brasileiro, sem fiscalização. “É um banditismo correndo diariamente nos nossos mares aqui, degradando o meio ambiente e a vida marinha. O governo é cúmplice disso tudo, que, com a criação do Ministério da Pesca, pretende dobrar a frota pesqueira brasileira, sem fiscalização nenhuma”.

Vairo prossegue na sua crítica ao setor pesqueiro: “Milhares de animais marinhos em extinção estão sendo mutilados e exterminados pelo lucro. Acabamos de denunciar no Amapá três toneladas de barbatanas de Tubarão apreendidas pelo Ibama, um esquema de tráfico internacional. Faz pouco descobrimos um esquema desses em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. São espécies que estão na lista vermelha de animais em extinção”.

Para ele, a vida marinha está acabando no País, ao mesmo tempo em que o governo quer aumentar o consumo de pescados sem saber a procedência desses animais. “Supermercados vendem qualquer tipo de cação e ninguém quer saber se faz parte de uma espécie ameaçada”.

Esse é um dos pontos que não me faz encantar nem um pouco com o Brasil mostrado no guia eleitoral de Dilma Rousseff – muito embora eu tenha votado nela no primeiro turno e vá repetir o voto no segundo – e me fez não votar em Eduardo Campos. O desenvolvimentismo escancarado pelo mesmo guia é uma política ambientalmente irresponsável e insustentável.

A política “ambiental” de Dilma no primeiro turno restringiu-se ao conservacionismo exclusivamente amazônico e à questão, vagamente abordada, das energias limpas. Absolutamente nada relacionado a modificar os hábitos de consumo para um nível o mais próximo possível da sustentabilidade, ou à gestão ambiental governamental (cuidar da poluição atmosférica, dos resíduos sólidos e líquidos, da legislação empresarial e industrial etc.) como um todo.

Hoje as pessoas saídas das últimas classes sociais comemoram suas novas condições socioeconômicas gastando e consumindo o máximo possível. Comprando carne – como a própria propaganda eleitoral de Dilma fazia questão de frisar -, esbanjando uma geladeira cheia de alimentos originados da exploração animal, entupindo as avenidas com carros e mais carros, aproximando-se do perdulário [US]American Way of Life.

Não tenho esperança nenhuma de que Dilma vá implementar uma política ambiental de importância equivalente ao PAC 2. Mas mesmo assim, ainda que desiludido sobre as perspectivas para o meio ambiente num futuro Governo Dilma, vou votar nela, pois sei que com Serra a coisa seria ainda pior.

Se Dilma tratava o meio ambiente com peso 1 (enquanto o desenvolvimentismo recebia peso 9), Serra o fazia com peso zero no primeiro turno. Agora, na hipocrisia que lhe é característica, afirma que vai se mostrar como um “candidato verde”. Serra, você talvez engane quem é da “religião” demotucano-direitista, mas a mim e aos progressistas você jamais vai enganar.

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