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out10

[OFF político] Crianças e opinião eleitoral não combinam

Trago aqui três casos em que se mostra que opinião eleitoral não combina com infância.

Coincidentemente os três casos abaixo se referem ao apoio a direitistas (FHC e Serra). Mas deixo claro que, se houvesse alguma criança “dilmista”, eu criticaria da mesma forma. Não tenho voto de lealdade incondicional a qualquer candidat@, tanto que desisti de Marina e de Plínio, duas pessoas que se mostravam grandes promessas mas terminaram me desapontando com a carência ou inverossimilhança de metodologia de cumprimento de suas promessas, e meu voto em Dilma não é dado com satisfação total.

O primeiro é o caso do primeiro bullying eleitoral de que tenho conhecimento, descrito pelo transtornado pai Arnobio Rocha. As crianças “serristas” demonstraram no que dá pais transmitirem às crianças uma opinião eleitoral desprovida de racionalidade e senso democrático. Leia o post que linkei e terão uma ideia da consequência extrema desse tipo de atitude adulta.

O segundo é o vídeo abaixo, em que a menininha afirma que vai “votar” em Serra, pelo motivo de que Dilma “era assaltante”.

O terceiro é um relato pessoal de minha inocência política de quando eu tinha 11 anos. Insistia para meus pais votarem nos candidatos da direita (Jarbas governador, José Jorge senador e FHC presidente, nas eleições de 1998). Me chateava muito quando alguém votava em candidatos de esquerda (PT, PSB etc.) e defendia o governo FHC, mesmo sua declaração sobre aposentados “vagabundos”, da mesma forma que um/a evangélic@ fundamentalista defende a Bíblia das acusações de ter contradições e crueldades divinas.

Era contra Lula, acreditando que ele seria “senhorado” por Brizola – tanto como dizem hoje que Dilma será “comandada” por Lula e/ou José Dirceu – e ambos “destruiriam” o Brasil. Chamava Miguel Arraes de comunista, não tendo eu sequer a ideia do que se tratava o comunismo marxiano. Colava adesivos eleitorais de Jarbas e FHC no caderno. Acreditava em tudo o que a Globo dizia sobre a então oposição petista. Considerava a Veja uma revista importantíssima e respeitável.

Discutia com uma tia minha sobre por que Lula e Arraes “não prestavam” (pelo menos quanto ao último governo Arraes, tinha a compreensão factual de que não era um bom governo). Desejava ser presidente para proibir os sindicatos, pensados como “antros de comunistas”.

Sem falar que era capitalista ferrenho, desejando gastar dinheiro por prazer, sonhando em ser um endinheirado servo do capitalismo no futuro, imaginando cidades de pessoas ricaças.

Nos três casos, enxergo falta de discernimento político, incapacidade de compreender racionalmente por que uma proposta de governo é positiva e a outra é necessariamente negativa. Enxergo fundamentalismo político, oriundo de pais que, também desprovidos de senso crítico e atitude politizada, diziam ou dizem a seus filh@s que um/a d@s candidat@s não presta porque simplesmente é de uma corrente ideológica específica – em vez de pelo histórico de políticas públicas e obras.

Crianças não têm um discernimento racional maduro, uma capacidade consolidada de refletir sobre e analisar a coerência ou incoerência das correntes político-ideológicas. Da mesma forma que não estão prontas para aderir a uma religião por identificação espiritual genuína – como aponta Richard Dawkins, crianças só têm religião porque seus pais as induziram a tê-la. É difícil falar-lhes algo coerente (sendo real ou não) e elas questionarem esse algo com indagações racionais.

Assim sendo, incutir ideias políticas – que, mesmo para gente adulta, são muito complexas – em crianças é um perigo.

Acho ótimo que as escolas ensinem as crianças a serem @s eleitoræs do futuro, mas o melhor seria que ficasse pelo ensinamento eleitoral mesmo, em vez de induzi-las a formar uma opinião política malfeita e irracional.

Repito: se fossem crianças afirmando ou pregando voto em Dilma, eu criticaria essa postura da mesma forma. Não presto juramento de fidelidade a nenhum/a polític@.

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