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nov10

Diplomacia vegana

O último texto da série do Dia Mundial do Veganismo, extraído de uma das páginas distribuídas a quem entra no grupo do Yahoo! veg-brasil. Feliz dia a você que aboliu a exploração animal da sua alimentação e consumo!

Diplomacia Vegan
por Brenda Davis e Vesanto Melina, do livro Becoming vegan

Tornar-se vegan pode ser uma viagem espiritual, emocional e física profunda e recompensadora. Como sabe qualquer viajante, estar preparado para situações difíceis pode tornar a jornada menos atemorizante. Em outros capítulos, o foco é a nutrição e como obter uma boa dieta vegan. Aqui, estudamos soluções inteligentes para os desafios da interação humana.

Como vegan, sua opção alimentar tem impactos imensos: a preservação de recursos em extinção, vigorosa proteção da saúde e redução dramática da dor e do sofrimento dos animais. Há poucas opções na vida que ofereçam resultados tão positivos e diferentes. Isso é o bastante para que você queira levar a boa nova a todo o mundo não vegan! No passado, quando você ficava entusiasmado assim com uma descoberta, seus pais, irmãos e amigos alegravam-se e comemoravam com você. Agora, em vez de ficarem contentes, podem tornar-se distantes e defensivos. As próprias pessoas com quem você mais quer compartilhar suas descobertas vêem essas mudanças como uma intrusão em sua cultura e uma afronta ao relacionamento de vocês.

Tornar-se vegan desafia os fundamentos de nossa sociedade, e isso deixa as pessoas pouco à vontade. Devido a esta realidade, sua interação dependerá bastante de sua atitude e de sua abordagem. Embora haja lugar para ferro e fogo, este estilo funciona melhor quando você estiver pregando aos já convertidos. Para os outros, um pouquinho de diplomacia vegan faz muito mais efeito!

O QUE É DIPLOMACIA VEGAN?

A diplomacia é a arte de honrar seus próprios princípios éticos e sua consciência social sem julgar, condenar ou ofender outra pessoa. Depende em grande medida de uma comunicação eficaz. Como as pessoas que seguem um estilo de vida vegan aspiram a praticar a “inofensividade”, para ser um diplomata vegan é preciso evitar insultos, desprezo e intimidação em sua interação com os outros.

Numa sociedade que explora animais para tudo, da pasta de dentes ao lazer, é possível ser um vegan diplomático?

Sim. E é não apenas possível; é um conjunto valiosíssimo de habilidades que um vegan deve adquirir. Enquanto ser vegetariano, muitas vezes por razões de saúde, é amplamente compreendido e aceito, tornar-se vegan é como trazer um desafio de nível mais alto, porque é quase inevitável que surjam considerações éticas. Algumas pessoas respeitarão sua decisão e sua integridade pessoal. Outras provavelmente vão sentir-se ameaçadas, seja qual for a sua intenção.

Sua clareza, entusiasmo e humor gentil também serão importantes para estimular as pessoas sem que elas se sintam julgadas ou, de alguma forma, ameaçadas. No entanto, há ocasiões em que você deve optar por não ser diplomático, e não há problema algum nisso. Talvez um colega tenha esfregado aquele bife imenso na sua cara pela última vez. Todos já fomos submetidos a comentários ou ações impensados que nos isolam, ridicularizam ou ofendem. Quando isto acontece, é muito tentador ser bem antidiplomático em nossa reação. Às vezes é isso mesmo que é necessário para que o outro lado realmente escute o que você está dizendo.

Saiba que não há jeito certo nem errado de lidar com cada uma das situações desagradáveis. Tanto a gentileza quanto o choque podem ser eficazes na comuniçação de pensamentos e sensações. No entanto, considere o porquê de outras pessoas reagirem de forma tão negativa por você ter-se tornado vegan. Talvez seja porque isso as obriga a examinar suas próprias opções quando têm tantas outras coisas em que pensar, o que as torna muito defensivas ou as deixa pouco à vontade.

Esta situação e este desafio estão presentes nas palavras do dr. Albert Schweitzer, um dos maiores humanitários de todos os tempos:

“O homem (sic) capaz de pensar deve opor-se a todos os costumes cruéis, não importa quão profundamente enraizados na tradição e cercados por um halo. Quando tivermos opção, devemos evitar levar tormento e dor à vida de outrem, mesmo à criatura mais reles; mas fazê-lo é renunciar à nossa virilidade e suportar uma culpa que nada justifica.”

COMO DOMINAR A ARTE DA DIPLOMACIA

Então como é que a gente se torna um vegan diplomático? Basta lembrar a si mesmo que ser vegan é, na verdade, reverenciar a vida. Recorde a essência do Ahimsa, citada no capítulo 1 – inofensividade dinâmica. É a participação ativa para não prejudicar e não ferir seres humanos e animais. Com estes princípios a guiar suas palavras e ações, a diplomacia torna-se automática. Contudo, para muitos de nós a diplomacia não vem com tanta naturalidade. Se você está entre os “diplomaticamente prejudicados”, eis aqui algumas diretrizes simples que talvez lhe sejam úteis.

Diretrizes para os diplomaticamente prejudicados

Não façais aos outros… Você já sabe. Vamos admitir, esta é a regra de ouro e o núcleo da diplomacia. Se você quer que seu irmão respeite suas convicções mais profundas a respeito de questões animais, terá de respeitar convicções mais profundas dele sobre religião, política ou o que quer que o apaixone. (Isso não significa que vocês tenham de concordar!)

Não julgue. Julgar implica aprovar ou desaprovar convicções, afirmações etc. de alguém. Em geral assume a forma de crítica, xingamento, rotulagem ou análise. Quando você faz isso, sabota a comunicação e, em geral, acaba tornando a outra pessoa defensiva ou ressentida. Os julgamentos geralmente envolvem frases com “você”, tais como: “Você tem a mente tão fechada.” Em vez disso use frases com “eu”, como “Sinto-me ignorado quando você deixa de prestar atenção em mim toda vez que falo sobre alimentos animais.” Frases afirmativas com “eu” ajudam a transformar expressões muito negativas em demonstrações honestas de seus sentimentos e sensações.

Evite a mentalidade “Sou bom, você é mau”. Quando você classifica as pessoas em “boas e más” ou “santos e pecadores”, sabota todas as oportunidades de comunicação eficaz. Moralizar raramente resulta em outra coisa senão resistência. A maioria das pessoas deseja, sinceramente, fazer a coisa certa, mas nem sempre isso é fácil, dadas suas circunstâncias atuais. Sempre dê às pessoas o benefício da dúvida, e aprecie o bem que fazem.

Ouça com o coração. Muita gente pode escutar, poucas ouvem de verdade. Ouvir envolve mais que o processo fisiológico sensorial que envia mensagens auditivas ao cérebro. Exige um passo adiante rumo ao coração, onde ocorre o envolvimento psicológico com a outra pessoa. Ouvir com eficácia envolve refletir de volta os pensamentos e sensações da pessoa com quem você fala, mas também significa estar atento, ter contato visual apropriado, ter noção de sua linguagem corporal e não questionar tudo o que é dito. Ouvir com o coração lança as bases da confiança e do respeito entre duas pessoas.

Seja determinado. Determinação é proteger seu espaço pessoal e seus compromissos éticos e sociais de uma forma que não seja destrutiva para você ou para outras pessoas. Ela lhe permite viver sua própria vida, defender-se e atender a suas necessidades, respeitando, ao mesmo tempo, os que o circundam. Ser determinado é bem diferente de ser submisso, atitude que indica que você na verdade não importa e que seus sentimentos não têm significado. As pessoas submissas podem exprimir-se, mas fazem-no como se pedissem desculpas e, como resultado, raramente são levadas a sério. Em contraste, os indivíduos agressivos exprimem seus sentimentos às custas dos outros. Freqüentemente são considerados controladores, rudes, dominadores, violentos ou ofensivos. A agressão só serve para alienar as pessoas. Ela cria medo, hostilidade e raiva, e não encoraja as pessoas a levarem em conta seu ponto de vista.

Seja genuíno. Ser genuíno significa ser autêntico; é exatamente o contrário de ser falso. A genuinidade significa ter consciência de seus próprios sentimentos, aceitar esses sentimentos e compartilhá-los de forma responsável. Quando você é genuíno, permite que as pessoas se liguem a você num terreno sem arestas. Você remove a ameaça e o medo de sua interação.

Cultive a empatia. A empatia é importantíssima para compreender verdadeiramente outra pessoa. Ela lhe permite pôr-se no lugar do outro ou ver por meio de seus olhos, sem perder o senso de si mesmo. A empatia exige sensibilidade. Ela faz com que as pessoas sintam-se aceitas e compreendidas. Promove mudanças construtivas. Quando alguém age ou pensa diferente de você, pode haver a tentação de distanciar-se; no entanto, é a conexão que encoraja a mudança. Empatia é diferente de simpatia; esta última coloca o receptor numa posição inferior.

Comemore todos os pequenos passos na direção certa.
Todos nós estamos em posições muito diferentes na vida. Para alguns, a idéia de abandonar totalmente os sorvetes parece insuportável. Para outros, evitar a quantidade mais minúscula de subprodutos animais no pão ou no xampu é como uma segunda natureza. Se queremos encorajar uma mudança maciça da tendência dominante rumo às dietas baseadas em vegetais, temos de encorajar cada passinho das pessoas na direção certa.
Em vez de nos concentrarmos em sua incapacidade de recusar as panquecas de morango da tia Edite, precisamos comemorar seu sucesso ao trocar o leite de vaca por leite de soja. Quando alguém lhe diz que quase não come mais carne (mesmo que você saiba que essa pessoa vai ao McDonald’s duas vezes por semana), reconheça que ela está tentando conectar-se a você. Agarre a oportunidade para compartilhar com ela alguma história edificante, ou ofereça-se para emprestar-lhe um livro. Construir pontes funciona muito melhor do que queimá-las quando seu objetivo é ajudar as pessoas a cruzarem o rio para o seu lado.

Transforme seu exemplo em seu aliado mais poderoso.
De todas as ferramentas à sua disposição, nenhuma é tão poderosa quanto seu exemplo. É difícil alguém defender que a dieta vegan é perigosa quando você é a única pessoa do escritório que não tem um problema grave de saúde, tal como pressão alta, colesterol alto ou diabete.
Os mitos sobre os problemas os vegans para obter proteína vão evaporar se você for a pessoa com melhor preparo físico de seu círculo de amigos ou de colegas de negócios. Em vez de tentar convencer alguém de que os alimentos vegans são deliciosos, convide-o para jantar ou traga algo especial para a festa da empresa. É espantoso o que se pode conseguir sem dizer quase nada.

Explique as coisas com respeito.
Dizer às pessoas que você não come nem usa produtos animais pode ser uma tarefa atemorizante. A comida é o ponto central na maioria das comemorações e tradições. Compartilhar uma refeição é uma forma importante de ligar-se aos outros. Os membros da família podem temer que você esteja rejeitando ou condenando os valores com os quais foi criado.
Seus amigos podem sentir-se pouco à vontade porque não sabem mais como relacionar-se com você. Sua opção alimentar pode provocar uma série de sentimentos, incluindo culpa, tristeza e raiva. Mas com o tempo sua revelação pode levar a uma nova intimidade e um compartilhamento mais profundo do que nunca. A chave do resultado positivo é o respeito.
Ainda que seu mundo seja quase totalmente não vegan, está povoado de gente que tenta, a seu próprio jeito, fazer do mundo um lugar melhor. Se você quer partilhar com os outros suas descobertas, vai ajudar se você também reservar tempo e espaço para as respostas deles e para a expressão de seus valores mais profundos. Essas sugestões podem ajudar:

  • Escolha uma hora em que ambos estejam relaxados e de bom humor, em vez do momento em que acabaram de discordar ou estão cansados.
  • Se a comunicação verbal for difícil, escreva uma carta bem meditada.
  • Compartilhe o que se relaciona ao seu compromisso e como ele afeta sua vida.
  • Torne mais fácil as refeições em comum: leve sua própria comida, ou preparem juntos refeições vegans.
  • Informe aos outros o que você come e o que você não come. Uma lista, verbal ou escrita, pode incluir: Como cereais, legumes, frutas, feijões, tofu, substitutos vegans da carne, nozes, castanhas e sementes. Não como carne bovina, aves, peixe, laticínios, ovos, gelatina e mel.
  • Mudanças no coração e na alma raramente acontecem do dia para a noite, mas acontecem. Exprima sua satisfação com a consideração demonstrada pela outra pessoa a seu respeito.
  • SITUAÇÕES ENROLADAS

    Não há dúvida que você vai se ver em situações que são um pouco mais que desconfortáveis. Sua reação vai depender, pelo menos em parte, do ponto em que você está no caminho para tornar-se vegan. Com o tempo, você vai se transformar num especialista em vários tipos de situação. De início você pode apenas evitar tudo o que seja claramente derivado de animais, como o queijo do macarrão ou os ovos da salada. Mais tarde, você pode dar mais atenção aos rótulos dos alimentos, e eliminar também subprodutos animais, como a caseína do queijo de soja. Você pode optar por só comer alimentos vegans em casa, mas não ser tão cuidadoso quando jantar fora. Finalmente, você pode decidir que prefere passar fome a comer qualquer coisa que tenha o menor traço de produto animal. As seguintes situações são familiares a quase todos nós, de um jeito ou de outro. As opções sugeridas não pretendem ser respostas certas ou erradas, mas sim escolhas que podem ser adaptadas à sua situação.

    Os ingredientes animais ocultos ou nem tanto

    Sua tia convidou-o para almoçar na casa dela. Ela lhe garante que toda a comida será vegan e serve uma deliciosa sopa de legumes e pão feito em casa. Você come com prazer o seu almoço e está na última colherada de sopa quando percebe um pedaço de galinha no fundo do prato. Quando você lhe pergunta o que é isso ela diz: “Espero que não se importe, achei melhor jogar na sopa um ossinho de galinha. Não é carne de verdade, é só um ossinho.” Você…

    a) diz a ela que não se preocupe, e passa a evitar todas as atividades com esta tia que sejam ligadas a comida;

    b) grita com ela para que nunca mais cometa este erro;

    c) diz a ela que vegans não comem nenhum resíduo de carne e dá a ela algum bom material para leitura.

    RESULTADO PROVÁVEL:

    a) Dizer a ela que não se preocupe: Ela continuará sem entender o que é esse troço de ser vegan e/ou a acreditar que é apenas mais uma dieta da moda. Você tem de avaliar a situação segundo a personalidade da pessoa com quem está lidando. Se acredita que não adianta o que você faça ou diga porque nada mudará a forma com que ela vê as coisas, então esta opção é razoável.

    b) Gritar com ela: Ela vai pensar que você é um ingrato e vai riscar você do seu testamento. Xingar só serve para afastar sua tia, colocá-la na defesa o tempo todo e pode até causar divisão na família.

    c) Explicar o que é vegan: Ela compreenderá um pouco melhor o que é ser vegan e apreciará sua dedicação à causa. Pode até sentir-se inspirada a mudar para uma dieta baseada em mais vegetais depois de ler textos adequados.

    Ser determinado mas respeitoso é sua melhor escolha neste tipo de situação. Para evitar perder completamente a parada, faça consigo mesmo um rápido exercício de empatia. Por que acha que sua tia usou um osso de galinha na sopa que ela chamou de “vegan”? Acha que foi um ato de maldade ou só ignorância da parte dela? Suponha que suas intenções tenham sido as melhores possíveis. Ela queria mesmo almoçar com você. Por que pôs o osso na sopa? Provavelmente porque temia que, caso não usasse o osso, a sopa não ficasse suficientemente gostosa para seu convidado. Você só precisa explicar-lhe que toda carne, inclusive subprodutos da carne, são inaceitáveis para você, e dizer-lhe por quê. Faça isso com jeitinho. Ofereça-se para lhe emprestar um vídeo ou um livro, para que ela compreenda melhor a sua opção.

    Feliz aniversário!

    Há duas semanas, quando começou no novo emprego, você decidiu que evitaria divulgar imediatamente seu programa de defesa dos animais (mas esperaria cerca de um mês, até que gostassem de você). Você nunca suspeitou que seu chefe iria procurar o dia do seu aniversário na sua ficha de inscrição. Naquele dia especial, todos no escritório o surpreendem com um enorme e lindo bolo com seu nome escrito. Seus colegas acendem as velas e começam a cantar “Parabéns pra você”. Você…

    a) come o bolo e não diz nada;

    b) diz a eles que está com dor de barriga e pede para levar um pedaço do bolo para casa;

    c) conta a eles que está muito feliz com a lembrança, mas que é vegan.

    RESULTADO PROVÁVEL:

    a) Comer o bolo: Depois virá o sorvete, e aí o frango assado. Já entendeu, né? Você pode escolher esta opção caso não se incomode de comer um tiquinho de ovos e laticínios de vez em quando. Contudo, se quer evitar os produtos animais comer o bolo será um tiro pela culatra. Ao não revelar aos colegas que você não quer comer esses alimentos, dirá que sua escolha não tem importância. Estará sendo submisso e não determinado, e isso vai sabotar sua integridade e o respeito dos colegas por você.

    b) Dor de barriga: Você vai comprometer a confiança e o respeito que os colegas sentem por você. Ser desonesto a respeito de suas crenças éticas sugere que você tem vergonha delas, sente-se embaraçado ou não está certo delas. A honestidade é importante para conquistar o respeito, parte essencial das conexões com outras pessoas.

    c) Você é vegan: Seus colegas podem surpreender-se, mas vão gostar que tenha sido honesto com eles desde o princípio. Se você está realmente resolvido a ser vegan, esta é sua única opção. A maneira de dar a notícia é importante. Em primeiro lugar, agradeça o presente e a amizade de seus colegas. Admita que errou ao não lhes dizer nada antes, talvez rindo ou brincando. Não vão sentir-se rejeitados quando sentirem seu entusiasmo genuíno e quando você desviar a atenção do bolo para o círculo de pessoas à sua volta.

    Jantar de Ação de Graças

    Na sua família, o jantar de Ação de Graças é um grande acontecimento. No passado, sempre envolvia um peru de 9 quilos, acompanhamentos, molho de cranberry, purê de batatas, caçarola de batatas-doces, molho de carne, couve de Bruxelas, cenouras caramelizadas, salada Waldorf, picles feitos pela mamãe, torta de abóbora e creme batido. Só dois itens sempre foram vegans: os picles e o molho de cranberries! Até a couve de Bruxelas é regada com manteiga. Ficou desconfortável para você participar da refeição. Vários amigos vegans se reúnem para celebrar a vida com uma abóbora recheada ou com um “peru” de tofu; este ano você preferiria passar com eles o dia de Ação de Graças. Você…

    a) vai ao jantar da família porque sabe que seus pais ficarão zangadíssimos se você não aparecer. Leva sua marmitinha e pede à mamãe para deixar de lado umas batatas e couves de Bruxelas antes de colocar o leite e a manteiga;

    b) vai ao jantar da família, mas leva um prato principal (abóbora recheada ou “peru” de tofu), molho vegetariano e salada;

    c) diz à família que não se sente bem participando de refeições com carne como prato principal, mas que gostará de participar de atividades sem comida;

    d) diga que vai participar do jantar de Ação de Graças dos amigos, mas que adoraria fazer uma visitinha.

    RESULTADO PROVÁVEL:

    a) Ir e levar marmita: Você vai se sentir mal, a família vai perceber seu mal-estar e todos ficarão pouco à vontade. As refeições familiares estão entre as situações mais difíceis de enfrentar, seja Ação de Graças, Páscoa, Natal, Hanukah, aniversário ou bodas de alguém ou outras reuniões de família. É compreensível que você queira participar desses eventos e ao mesmo tempo honrar seus direitos e valores. Pense em coisas que o deixarão mais à vontade. Isso ajudará sua família a respeitar seus compromissos éticos.

    b) Ir de qualquer jeito, mas levando deliciosa comida vegan: Isso pode lhe dar a sensação da comemoração e impressionar seus parentes com o sabor delicioso da sua comida. Será um bom meio-termo caso você se disponha a participar de uma refeição na qual se serve carne. (Caso contrário, esta não é uma opção viável.) Ao dar uma boa contribuição, você não se sentirá isolado e carente. Sua família conhecerá a maravilhosa comida vegan, pode acrescentá-la a futuras festas ou mesmo, com o tempo, vir a preferir pratos vegans. Esta opção mantém as portas abertas e pode atingir sua família de um jeito que você nunca sonhou.

    c) Ninguém mais come com você: Isso pode causar algumas dificuldades no relacionamento familiar e ser considerado uma rejeição pessoal. Para alguns vegans, é a única opção com a qual conseguem conviver. Você conhece sua família suficientemente bem para adivinhar como é que vão reagir. De início pode parecer que, para comemorarem juntos, você terá de ficar perto da carne. No entanto, podem surgir soluções: comida judaica vegan durante o Hanukah, comida chinesa vegan na véspera de Natal ou no Ano Novo ou um lanche de Páscoa com waffles vegans, molhos de frutas frescas e um passeio depois. Há muitas formas de mostrar à família como ela é importante para você.

    d) Jantar com amigos este ano. Você vai sentir-se menos estressado e sua família também ficará bem. Isso depende tanto da maneira como você diz as coisas quanto daquilo que você diz. Ao contar à família os seus planos, seja positivo e genuíno. Compartilhe seu entusiasmo com esta comemoração vegan. Fale-lhes do cardápio e de sua contribuição. Às vezes, parentes mais velhos podem ser incluídos nesta refeição ou numa futura ida a um restaurante vegetariano. Eles podem ficar muito contentes de encontrar seus amigos.

    Transição difícil para uma dieta vegan

    Há dois meses, do dia para a noite, você se tornou praticamente vegan depois de comparecer a uma palestra sobre a ética da alimentação. Antes disso, Sarah, sua filha de nove anos, foi criada como qualquer outra criança não vegetariana. Seus alimentos favoritos são sundaes, McNuggets, batatas fritas, pizza de presunto com abacaxi e refrigerante sabor laranja. Sarah entende por que você quer ser vegan, mas não ficou muito satisfeita com a comida. Ela não gosta do leite de soja que você compra, por isso come seus flocos de milho puros. E não gosta do tofu que você põe no molho do espaguete, por isso come o espaguete puro também. Você está preocupado porque, embora a saúde tenha sido parte da razão que o levou a tornar-se vegan, a dieta de Sarah está pior do que antes. Pelo menos, quando havia leite e carne na geladeira Sarah ingeria cálcio e proteína. Ela vem pedindo a você que compre queijo e leite para ela comer com seus flocos de milho. Você…

    a) Concorda em comprar leite e queijo sem renina para ela;

    b) Diz que ela pode comer o que gosta quando sair, mas que a comida em casa é estritamente vegan;

    c) recusa-se a permitir que ela coma qualquer tipo de alimento de origem animal.

    RESULTADO PROVÁVEL

    a) Comprar leite e queijo: Sarah está mais satisfeita; mas você não está nada contente de comprar e ter em casa alimentos que não são vegans. É difícil para qualquer um fazer uma mudança súbita, e ainda mais difícil quando a escolha não é da pessoa. Permitir a Sarah ajustar-se seguindo seu próprio ritmo vai ajudá-la a sentir-se menos ressentida. Há uma boa possibilidade de que, daqui a algum tempo, Sarah abandone esses alimentos. Embora seus sentimentos estejam confusos, é importante que Sarah tenha o controle de suas opções alimentares.

    b) Vegan em casa: Sarah pode querer comer fora mais vezes; no entanto, você pode contrabalançar isso incorporando pratos vegans novos e gostosos em sua dieta cotidiana. Isso dá a Sarah algum controle sobre suas opções e ela vai apreciar que você respeite seus direitos. Para tornar mais fácil a transição:

  • Faça versões vegan de seus pratos prediletos. Em vez de flocos de milho, compre pãezinhos, manteiga de amendoim ou nozes e geléias de frutas; em algumas manhãs faça panquecas vegan, tofu mexido, bacon vegetariano, bolinhos recheados de frutas, salada de frutas ou Quick Shakes (página 240). Use peru vegetariano, carne de soja à bolonhesa ou presunto de soja nos sanduíches.
    Para o lanche da escola mande nozes, frutas secas, pudim ou iogurte de leite de soja. “Veganize” seus pratos prediletos usando carne de soja em vez de tofu no molho do espaguete e nas tortas de carne. Experimente os hambúrgueres vegetarianos (conhecemos mais de 30 tipos diferentes), salsichas vegetarianos e pãezinhos frescos. Faça batatas fritas de forno e legumes frescos com molho como acompanhamento. Compre tofu marinado e asse-o no forno até ficar crocante.
  • Encoraje Sarah a se tornar sua ajudante na cozinha. Isso vai ajudar a aumentar seu interesse e seu prazer com a comida.
  • Não exagere ao eliminar os alimentos divertidos. Já é duro o bastante ser quase vegan no meio de amigos que adoram cheeseburger; ajude-a a descobrir opções vegans nos shoppings: batatas fritas, pasta de grão de bico, panquecas de verdura.
  • c) Vegan sem opção – Sarah vai sentir-se muito ressentida com seu novo estilo de vida e talvez se revolte contra ele. Você já sabe como é. Grandes ou pequenas, as pessoas não gostam de ser controladas. Proibir seus alimentos prediletos pode torná-los mais atraentes. Provavelmente será melhor chegar a um acordo com o qual vocês dois possam conviver. Certamente você encontrará muitas variações desses desafios. Com a experiência, sua habilidade de reagir vai aumentar. Por sorte, o mundo está se tornando mais amigável para os vegans, oferecendo uma miríade de recursos.

    Idéias finais

    Quando suas escolhas cotidianas são feitas com reverência pela vida e respeito pela ligação entre todas as coisas, este mundo torna-se um lugar melhor. É simples assim.

    imagrs

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    Bárbara DSa

    novembro 3 2010 Responder

    Muito bom, adorei o post. ^^

      Robson Fernando

      novembro 3 2010 Responder

      Obrigadim, Bárbara =)

    Sarah

    novembro 1 2010 Responder

    Este texto é realmente muito bom, acho que me ajudará bastante a me comportar com minha familia e amigos; ainda sou apenas uma vegetariana mas por dificuldades pessoais, vontade não me falta de ser vegan. É realmente assim que meus amigos vegan agem, sempre me incentivaram desdo inicio quando falava que apenas não consumia ovos e leite, sempre com uma esperança e isso é realmente muito bom…!
    Meus paranbéns a você que faz esse blog, ele é muito bom…

      Robson Fernando

      novembro 3 2010 Responder

      Obrigado, Sarah =) bjs

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