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nov10

James Blunt e o heroísmo da desobediência militar

Cantor britânico James Blunt relata como evitou a 3ª Guerra Mundial

O cantor britânico e ex-militar James Blunt relatou em um programa de rádio neste domingo como teria evitado a 3ª Guerra Mundial ao rejeitar uma ordem do general americano Wesley Clark de remover à força os soldados russos que tomaram o aeroporto de Pristina, capital do Kosovo, em 1999.

Blunt, que dirigia o batalhão britânico que se deslocou ao aeroporto, afirmou que se tivesse atacado os russos, teria desencadeado um conflito mundial e que por isso rejeitou a ordem de um superior mesmo tendo consciência de que poderia enfrentar um julgamento militar.

Felizmente, o cantor teve o apoio imediato do general britânico Mike Jackson, que afirmou pessoalmente que não iria transformar seus soldados em responsáveis pelo início da 3ª Guerra Mundial, segundo explicou Blunt à rádio “BBC”.

“Recebi ordem direta de render pela força os aproximadamente 200 russos que estavam lá. Eram soldados do Regimento de Paraquedistas, portanto obviamente estavam preparados para lutar”, disse.

“A ordem direta veio do general Wesley Clark. Tínhamos que rendê-los pela força e foram utilizadas palavras às quais não estávamos acostumados, como ‘destruir'”, afirmou Blunt, que deixou o Exército após conquistar a fama mundial com sua canção “You’re beautiful”, em 2002.

Perguntado sobre o risco que correu de enfrentar um julgamento militar, o cantor respondeu: “Há momentos na vida que você sabe que as coisas vão bem e momentos que você sente que vão absolutamente mal”.

Há coisas que moralmente é preciso rejeitar e esse espírito de julgamento moral é algo que os soldados britânicos levam gravado dentro deles”, concluiu Blunt.

No senso comum e no próprio meio militar fala-se muito mal da desobediência militar, do ato de peitar o regime hierárquico, mesmo quando acontece como desafio a uma ordem de natureza espúria. Condena-se em todo o mundo militarizado a insubordinação, consideram-no um “crime”.

James Blunt, no entanto, mostrou o lado heroico, oposto ao “criminoso”, de negar obediência cega e levantar o questionamento ético a militares mal intencionados. Se ele e seus soldados tivessem acatado à ordem de atacar o aeroporto ocupado pelos russos, talvez eu não estivesse aqui blogando, nem você lendo o Arauto.

A ele, parabéns e obrigado, pelo mundo inteiro. A nós, a lição de que a desobediência militar motivada por motivos éticos não é um crime contra a humanidade, mas sim um ato heroico de justiça que pode significar para nós muito mais e melhor do que pensamos.

imagrs

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Mirtes

janeiro 31 2013 Responder

Eu já admiro o James muito ele é o meu cantor preferido e depois desse ato heróico da parte dele… Terá o meu respeito eternamente, e agora sim tenho a certeza que James Blunt é um anjo de Deus, além de acalmar não só a mim mas a varias pessoas com suas lindas e emocionantes músicas, também salvou a humanidade de uma terrível guerra… Parabéns James; James é o meu herói.

João

novembro 17 2010 Responder

James não é somente um ótimo cantor, é também uma pessoa de moral, sou militar e seu o quanto
a insuburdinação pesa, mesmo que ordens arbitrárias sejam dadas. Parabéns James

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