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nov10

Quando o futebol usa a linguagem da violência

O texto abaixo é um comentário feito ao post ANT: uma voz contra a elitização do futebol, no blog de Rodrigo Vianna, o Escrevinhador. Descreve com muito boa acurácia no que transformaram o futebol no Brasil: de espetáculo de entretenimento lúdico, prazeroso e familiar a  um wrestling de brigas de arena regadas a violência quase militar.

 

comentário de Flavio

Vamos tratar de parar com essa bobagem. Primeiro, nos últimos anos a cultura sul-americana invadiu o futebol, ou seja. As pessoas não gostam de futebol, gostam do seu clube. Se para ser campeão tiver que quebrar a perna ou romper os ligamentos de um craque adversário, a torcida irá vibrar como um gol. Estamos na cultura da vitória a qualquer custo. As faixas nos estádios são o retrato disso, “Treino é jogo, jogo é Guerra”, “Deixem o sangue no campo, que deixamos a vida na arquibancada”.

Aliás, a grande culpada disso foi a torcida do Grêmio FBPA (Nem sou gaúcho para me acusarem de algo), que extinguiu a cultura brasileira dos estádios e importou um misto do pior dos “barras” argentinos e dos “hooligans” europeus. A torcida do Grêmio não se fruta de cantar hinos racistas (os torcedores do S.C. Internacional são cantados como macacos e a torcida do Grêmio tradicionalmente lincha um boneco de macaco, como se fazia no sul dos Estados Unidos antes dos direitos civis). Um núcleo nazista já foi detectado pela Polícia Civil e pelo MP do RS dentro da torcida do Grêmio. Tudo é batalha, guerra, combate.

Sobre a elitização. Os clubes agora não querem meros torcedores, querem sócios. Novamente falo do sul, o S.C. Internacional tem mais de 100.000 sócios, o Grêmio FBPA, tem 60.000 e fechou novas filiações por absoluta falta de infraestrutura. O Estatuto do Torcedor obrigou os lugares marcados e sentados, que convenhamos, alguém aqui senta no lugar que está escrito no seu ingresso? Ao mesmo tempo o Estatuto do Torcedor tornou os clubes responsáveis pelo bem estar dos torcedores nos estádios, nada mais natural. Mas aí fica o dilema, como manter a segurança de torcedores de pé, amontoados, correndo nos setores dos estádios? É preciso repensar o Estatuto do Torcedor.

Nossas canções são horríveis. 10% são realmente belas, o resto são apelos por sangue, morte e destruição. Não basta vencer o adversário, é necessário aniquilar o “inimigo”. Nossas músicas são racistas(macacos), homofóbicas(bambis, “marias”, gazelas), socialmente discriminatórias(gambás, favelados).

O futebol brasileiro perdeu o aspecto lúdico, popular, do samba, da malandragem(no bom sentido), a alegria. Queremos a vitória a qualquer custo, nossos torcedores viraram soldados, os jogadores gladiadores hiper-preparados fisicamente, técnicos generais mais preocupados em não perder, do que prestigiar a maior manifestação cultural brasileira, junto com o carnaval.

O torcedor brasileiro virou cliente, e cliente quer resultado, não interessa a maneira, não interessa a forma.

Num único aspecto discordo totalmente de você [em referência ao post]. Os estádios brasileiros são verdadeiros CURRAIS humanos. Sujos, desconfortáveis, desorganizados, contruídos em grande parte por políticos populistas. Depósitos de gente.

A primeira mudança da cultura para um torcedor alegre, feliz com o espetáculo do FUTEBOL é tratar o torcedor com dignidade, não feito GADO sendo espancado pela polícia.

Um grande abraço e saudações

imagrs

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